Referência para 14 municípios, Hospital Montenegro está há uma semana com serviços eletivos de consultas, exames e procedimentos suspensos

Lideranças da região se encontram hoje com o secretário estadual de Saúde para buscar uma solução ao problema

Já faz uma semana que a direção do Hospital Montenegro (HM) anunciou a suspensão por tempo indeterminado das consultas e cirurgias eletivas agendadas através das secretarias de saúde dos municípios do Vale do Caí que têm a casa de saúde montenegrina como referência. Atendendo 100% pelo Sistema Único de Saúde (SUS), o hospital sofre uma grave crise financeira, reflexo dos atrasos nos repasses dos governos Federal e Estadual. A falta desses atendimentos eletivos faz com que as secretarias de Saúde dos municípios da região busquem alternativas para não deixar os munícipes desassistidos.

Além de orientações aos pacientes (confira no quadro), os Municípios da região se articularam e conseguiram marcar para esta quarta-feira, dia 14, uma reunião com o secretário estadual da Saúde, Francisco Zancan Paz. O encontro acontece na sede da pasta, em Porto Alegre, às 16h. Em pauta, estará justamente a crise financeira pela qual passa o hospital que é referência para 14 cidades.

Na segunda-feira, dia 12, o Governo Estadual emitiu uma nota oficial informando que quitou dívidas antigas com hospitais. De acordo com o texto, foi efetuado o repasse de R$ 54 milhões correspondentes à integralidade do recurso federal transferido ao Estado para custeio de serviços prestados ao SUS. “Nos próximos dias, deverá ser informada a data de pagamento dos incentivos estaduais em aberto à Saúde, que correspondem ao atraso de duas parcelas, totalizando R$ 130 milhões”, destaca a nota.

No entanto, a direção do Hospital Montenegro informou que não recebeu valores de quitação de dívidas antigas. “O que nós recebemos ontem foi 50% dos incentivos federais de outubro, ou seja, nada dos valores atrasados”, comenta o gerente administrativo do HM, Felipe Leser. “A dívida continua a mesma: R$ 4.282.170,56”, acrescenta. Leser informa ainda que não há previsão para a retomada dos serviços suspensos. “Após pagamento em janeiro será discutido o contrato com o novo Governo do Estado”, adianta. A direção do HM estima que, em razão da suspensão dos serviços, em média 150 atendimentos eletivos deixam de ser realizados por dia.

Vale lembrar que estão mantidos no HM os serviços do Plantão 24 Horas, assim como seus exames, curativos, gesso e cirurgias consequentes, bem como as internações, o serviço da Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e os partos.

100% integrado ao SUS, casa de saúde montenegrina necessita de repasses para manter suas atividades
Orientação por Município
Brochier: Na secretaria municipal de Saúde e Assistência Social (SMSAS) de Brochier, a orientação para os servidores é cadastrar os pacientes que dependem do SUS para Porto Alegre, via o sistema Gerenciamento de Consultas (Gercon), justificando que o hospital de referência, o HM, suspendeu os atendimentos. “Outra alternativa são os convênios que a secretaria possui com diversas clínicas e profissionais, onde o paciente paga por exames e consultas a preços mais acessíveis, chegando a ser inferior a 50% do valor particular”, acrescenta a secretária Priscila Kleber Viacava. Especificamente na área de diagnóstico, a SMSAS brochiense paga mensalmente alguns exames laboratoriais como ecografia, tomografia e ressonância com base na lista de espera dos pacientes do SUS. De acordo com Priscila, o objetivo visado com isso é diminuir a lista devido à baixíssima quantidade de exames que o SUS oferece ou, em alguns casos, sequer disponibiliza.

Maratá: A orientação dada pela secretaria municipal de Saúde de Maratá é que os pacientes que aguardavam atendimento eletivo no HM procurem o Setor de Agendamento do Centro Municipal de Saúde para avaliação da situação e, se necessário, a realização de novo encaminhamentos para outros hospitais da rede de atendimento. Procedimentos cirúrgicos que estavam pré-agendados no Hospital Montenegro estão sendo direcionados ao hospital de Portão e ao hospital de São Sebastião do Caí, com pré-negociação da secretaria com estas instituições. “De modo geral, solicitamos que todos os pacientes procurem o Setor de Agendamento no Centro Municipal de Saúde, que orientará os encaminhamentos necessários”, salienta a secretária Gisele Adriana Schneider.

Montenegro: Como medida imediata, a secretaria municipal de Saúde de Montenegro foca em atender os casos urgentes para redirecioná-los para outra referência, de forma a não deixar desassistidos os pacientes com problemas mais graves. Os demais casos estão sendo orientados a aguardar a remarcação da sua referência.

Pareci Novo: Secretária de Saúde e Assistência Social de Pareci Novo, Gislaine Ribeiro dos Santos explica que no município os pacientes estão sendo remanejados através da Unidade Básica de Saúde para o sistema de regulação de consultas do Estado. “Todos estão sendo acolhidos e remanejados através da secretaria”, garante. Ela observa ainda que alguns pacientes estão optando por consultar na rede privada através de recursos próprios.

São José do Sul: A secretária municipal de Saúde, Saneamento e Assistência Social substituta de São José do Sul, Siliane Fátima dos Santos Krahl, diz que o Município busca resolver o problema da consultas agendadas através de negociação com outros hospitais. Isto está sendo possível através de recurso especial para este fim. Além disso, as demais consultas estão sendo redirecionadas para Porto Alegre ou sendo custeadas em clínicas particulares. “Estamos batalhando para não deixar os pacientes desassistidos”, garante. Ela salienta que a pasta tem tido sucesso em encaminhar pacientes para a Capital e também suprindo a demanda de algumas especialidades com os profissionais do Centro de Saúde do Município.

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