Assembleia foi realizada no pátio do Colégio Estadual Cândido José de Godói, em Porto Alegre . Foto: Divulgação Cpers/Sindicato

Por 725 votos a 593, educadores voltam às salas de aula após 58 dias de paralisação, mas mobilização continua

Durante assembleia realizada em Porto Alegre, os professores estaduais decidiram encerrar uma das maiores greves do magistério do Estado, iniciada em 18 de novembro do ano passado. Foram 725 votos favoráveis ao fim da paralisação e 593 contrários. Apesar da decisão, o Cpers/Sindicato negou a proposta do governo e deliberou a continuação da mobilização contra o pacote do governador Eduardo Leite.

Em Porto Alegre, a atividade reuniu centenas de professores na última quarta-feira, 14, após 58 dias de paralisação. “Voltamos à sala de aula para preservar o salário da categoria e pelo compromisso com estudantes e a comunidade escolar”, afirmou a presidente da entidade, Helenir Aguiar Schürer. “Saímos de cabeça erguida, para retribuir à sociedade todo o apoio e carinho prestado a nossa luta”, completou.

A votação foi realizada em urna e teve como deliberação a exigência do pagamento dos dias parados e a construção de um calendário de mobilização . Foto: Divulgação Cpers/Sindicato

A votação teve como deliberação a exigência do pagamento dos dias parados e a construção de um calendário de mobilização contra o pacote de medidas do governo, que atingem principalmente os professores. Além das mudanças no plano de carreira da categoria, elas também impactam nas modificações válidas para todo o funcionalismo, como o fim dos adicionais por tempo de serviço e corte de gratificações na aposentadoria. No início do mês, o governo havia proposto pagar em até cinco dias úteis o salário integral relativo ao tempo paralisado. Dessa forma, o valor descontado seria em parcelas de até 20% ao longo dos próximos seis meses. Antes de discutir a suspensão, a categoria rejeitou a proposta. “Vamos recuperar as aulas e encerrar o ano letivo. Mas queremos o que é nosso por direito: o salário pelos serviços prestados sem qualquer desconto”, enfatizou Helenir.

Caso o governo convoque os deputados em sessão extraordinária no dia 27, a categoria planeja um ato com acampamento e paralisação nos dias de votação. Além disso, os educadores devem aproveitar o retorno à sala de aula para debater com os colegas, direções, estudantes e pais e mobilizar a resistência contra o pacote.

Greve foi considerada uma das mais fortes da história
Com quase dois meses de duração, a greve mobilizou milhares de educadores em todo Rio Grande do Sul contra o pacote de medidas apresentado pelo governador Eduardo Leite. Para a diretora geral do 5° Núcleo do Cpers, Juliana Kussler, apesar do governo não atender a demanda da entidade, a avaliação da paralisação foi positiva em relação ao amplo apoio social e institucional. “A leitura que eu faço é a mesma da professora Helenir [presidente do Cpers/Sindicato], de que essa foi uma das greves mais forte dos últimos 30 anos, onde tivemos uma participação dos colegas em todo o Estado, atos na capital com milhares de educares e, além disso, o apoio de toda comunidade”, avalia. “A grande participação dos pais de alunos foi o mais emocionante tudo, já que não imaginávamos que eles teriam tanta conscientização do momento gravíssimo de boicote as serviços públicos”, completa.

Das 22 instituições que integram o 5º Núcleo, a maioria aderiu à paralisação parcial ou integralmente desde o início. De acordo com a diretora do 5º Núcleo, apesar da decisão da entidade de colocar fim na greve ter sido anunciada na última terça-feira, 14, grande parte dos professores já tinha retornado para as escolas. “A preocupação em não prejudicar os educandos é uma característica muito forte dos educadores, então nós já havíamos percebido esse retorno em massa dos colegas para a sala da de aula”, explica a Juliana sobre os fatores que influenciaram a decisão do Comando de Greve.

Conforme a entidade, em todo estado mais de 80% da categoria cruzou os braços ao longo do período e cerca de 1.530 escolas fecharam as portas total ou parcialmente, incluindo diversas instituições que aderiram pela primeira vez na história.

Recuperação do calendário escolar de 2019 começou nesta quarta-feira
Após o anúncio do fim da greve do magistério, a Secretaria da Educação (Seduc) emitiu às Coordenadorias Regionais de Educação (CREs) uma nova sugestão de reposição das aulas. De acordo com a secretaria, foram 37 dias de paralisação, entre 14 de novembro de 2019 e 14 de janeiro de 2020.
Conforme sugestão da secretaria, a recuperação teve início nesta quarta-feira, 15 de janeiro, e segue até 27 de fevereiro. A medida busca garantir aos estudantes o direito de, no mínimo, 200 dias letivos e assegurar a carga horária de 800 horas para o Ensino Fundamental e 1.000 horas para o Ensino Médio.

Após os 30 dias de férias, as escolas que ainda permaneciam em greve e realizaram a recuperação devem começar o ano letivo de 2020. “Grande parte das escolas já iniciou a reposição do ano letivo ainda no primeiro calendário que sugerimos, que começou em 21 de dezembro. Nossas orientações são para escolas remanescentes, já que grande parte já concluiu o calendário escolar de 2019”, disse o secretário da Educação, Faisal Karam.

Situação de cada escola em Montenegro e região
Ao todo, 22 instituições que integram o 5º Núcleo. Desse total, a maioria aderiu à paralisação parcial ou integralmente desde o início. Confira como a recuperação do calendário escolar 2019:
Colégio Ivo Buhler – CIEP: Foi encerrado dia 10 de janeiro
Escola Delfina Dias Ferraz: Não informou
Escola Manoel de Souza Moraes: Vai encerrar dia 17 de janeiro
Escola junto ao Núcleo Habitacional Promorar: Vai encerrar dia 20 janeiro
Escola São José do Maratá: Não informou
Escola Adelaide Sá Brito: Não informou
Escola Adão Martini: Não informou
Colégio Estadual Engenheiro Paulo Chaves: Vai encerrar dia 24 de janeiro
Escola Erni Oscar Fauth: Foi encerrado 15 de janeiro
Escola Moojen: Foi encerrado 15 de janeiro
Escola Januário Corrêa: Não informou
Escola São João Batista: Não informou
Escola Tanac: Foi encerrado 13 de janeiro
A.J. Renner: Vai encerar dia 16 de janeiro
Escola Yara Ferraz Gaia: Encerrou dia 15 janeiro
Escola Polivalente: Foi encerrado dia 20 dezembro
Escola Álvaro De Moraes: Não informou
Escola São Francisco de Assis: Não informou

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