O evento foi marcado por apresentações artísticas e pedidos de respeito aos LGBTs

A atividade ocorreu no domingo e marcou o encerramento da primeira Semana da Diversidade de Montenegro

Terminou nesse domingo, 25, a primeira Semana da Diversidade, promovida pelo coletivo Íris, em Montenegro. Ao longo da semana a Estação da Cultura foi palco para painéis e discussões de interesse do público LGBT, mas nesse domingo um colorido diferente tomou conta do espaço para celebrar o resultado dos demais dias de trabalho. O sol tornou ainda mais festiva a segunda Parada Livre de Montenegro. Adultos e crianças prestigiaram as apresentações e toda a programação do último dia de ações.

Em seu discurso de abertura da Parada, Ezequiel Souza, membro do coletivo que organizou a Semana da Diversidade, ressaltou a importância de não se retroceder nas questões que envolvem os direitos LGBT. “Não é porque houve troca de Governo que nós iremos ‘voltar para o armário’. Vamos ser resistência”, enfatizou.

Secretários municipais e a vereadora Josi Paz participaram do evento e apoiaram as demandas do coletivo. Para Ezequiel, o momento é de comemoração pelos resultados que se obteve através das discussões propostas durante a semana. “É um momento de muita satisfação para nós, principalmente por ter encarado a primeira Semana da Diversidade. Entendemos que conseguimos propor possíveis soluções para aquilo que encaramos como dificuldades pessoais”, destaca.

As apresentações de artistas locais mostram a valorização da classe. Além disso, a Parada atrai públicos de outros municípios. “A Parada é um momento de comemoração, um momento festivo onde mostramos o orgulho LGBT para a sociedade, o orgulho de estar vivo no país que mais mata por homofobia. É importante que a comunidade olhe para a Parada também como um momento de fomento ao turismo, tem pessoas que vieram pela primeira vez a Montenegro”, sublinha Ezequiel.
A apresentação do evento foi feita pela dreg Loly. Ela veio de São Leopoldo para animar a tarde dos montenegrinos. Loly também esteve presente na primeira edição da Parada Livre, realizada no Parque Centenário em outubro do ano passado. “Eu acho que todo o sucesso depende de ter um início. O primeiro evento foi um ato de coragem da organizadora. Precisamos de mais pessoas com atitude”, opina.

A estudante do curso de Dança da Uergs e artista de rua Sher Dias, de 25 anos, viu na Parada Livre a oportunidade de mostrar um pouco de seu trabalho. A acadêmica diz que por muito tempo a comunidade LGBT assumiu uma postura de vítima e agora chegou a hora de mudar este cenário. “A gente vive em uma cidade cheia de diversidade, mas ela está invisível perante o conservadorismo e o patriarcado. Hoje é um dia de protagonismo. Temos que protagonizar ou nunca teremos nosso espaço”.

Fernanda Hilgert, 31, e Tiago Martinelli, 30, avaliam a Parada como um importante evento. “É uma iniciativa que deveria ocorrer mais vezes durante o ano, pois dá visibilidade ao público LGBT em um tempo de Governo conservador”, diz Fernanda. Para Tiago esse é o momento de lutar por direitos constitucionais e garantir os que já foram adquiridos.

O colorido da diversidade tomou conta da Estação da Cultura na tarde deste domingo, durante a Parada

A falta de oportunidades no mercado de trabalho
Às 15h30min da última sexta-feira, mais uma atividade da Semana da Diversidade foi realizada na Estação da Cultura. Representantes do Sine, Dobra, CIEE, ACI, Acerte Assessoria Empresarial e integrantes do Coletivo LGBTT Íris debateram sobre o Mercado de Trabalho e LGBTTs.

Falta de oportunidades, propostas de inclusão, o debate foi marcado por relatos pessoais dos participantes. Aproximadamente 20 pessoas estiveram presentes. O objetivo principal, além de expor o preconceito que circunda a comunidade LGBTT no mercado de trabalho, foi estreitar os laços com lideranças locais.“Há muitos relatos, por exemplo, de mulheres trans que não conseguem se integrar ao mercado em Montenegro. Essas mulheres não querem se prostituir, mas não têm uma oportunidade efetiva de trabalho”, destaca Ezequiel Souza, integrante do Coletivo.

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