Eu sei, já paramos em centenas de lugares nesses seis meses de viagem pela América do Sul. Porém, antes mesmo de sair, elegemos alguns pontos que seriam grandes paradas da aventura. O primeiro foi o Ushuaia (extremo sul da Argentina e do continente Americano), destino que conhecemos antes mesmo de completar um mês na estrada. O segundo foi o Deserto do Atacama, no Chile, onde chegamos dia 8 de novembro.

Chegar no Atacama, em uma das regiões mais secas do mundo, foi uma conquista para a gente. Um lugar hostil, muito quente, sem água, sem muitos pontos povoados com certeza foi um desafio gigantesco, que vivemos por mais de uma semana.

Nos instalamos em San Pedro da Atacama, uma pequena cidade localizada na “entrada” do deserto, logo após a fronteira com a Argentina. É pequena, mas concentra o maior número de agências de turismo por metro quadrado (segundo minha estatística mesmo). São dezenas de portinhas com atendentes que falam várias línguas e estão preparados para vender pacotes de passeios para as principais atrações do deserto.

Sim, o deserto é cheio de atrações turísticas, a maior parte delas cobrada. Chegar lá, pra ser sincera, me fez lembrar de uma música de diz que “todos os lugares do mundo já são de alguém”. O deserto não é de ninguém, não está à disposição de quem queira conhecer. Os locais mais bonitos, com lagunas de sal, pedras coloridas e paisagens bem diferentes e bonitas são administrados por alguém e, por isso, cobrados. Não que isso seja errado, só que não esperávamos. A sensação é de que o deserto não é deserto.

Nós dois buscamos conhecer o que era mais característico da região e, claro, mais barato. Fomos ao Valle de La Luna (um lugar lindíssimo que faz a gente se sentir na lua mesmo), aos Ojos de Salar (piscinas naturais em meio ao sal, onde é possível se banhar), aos Geysers Del Tatio (o terceiro maior campo geotérmico do mundo, onde constantemente sai água fervendo do centro da terra) e ao “Magic Bus”(ônibus mágico). Sobre esse último, tenho que falar um pouquinho mais.

O “Magic Bus” está encravado no meio do deserto, em uma das poucas áreas que não pertence a nenhum passeio pago. Como ele foi parar lá? Ninguém soube nos dizer. Ele está longe de qualquer estrada, sem as rodas, nem o motor. Só a lataria de um antigo ônibus que, pelo que sabemos, fazia a rota San Pedro – Calama (uma cidade próxima) até ser deixado lá para apodrecer.

Chegar no ônibus esquecido não é fácil. Passamos por 11 quilômetros de chão batido, mais quatro quilômetros de caminhada. Dizem que um carro 4×4 consegue chegar até lá. Com a Kombi, impossível. E caminhando pelo deserto, é possível ver que mesmo um lugar com tanto sal, tanta pedra e terra, possui vida. Pequenos animaizinhos e plantas que tiram dali maneiras de sobreviver. Foram quase três horas andando sozinhos, sem carros ou outras pessoas, em meio a um cenário que jamais vamos esquecer. Ali, sim, nos sentimos no deserto dos nossos imaginários. E foi incrível!

Passeio gratuito para o maior radiotelescópio do mundo
O “Atacama Large Millimeter Array” (ALMA) é o maior radiotelescópio do mundo, e está localizado no Deserto do Atacama justamente por ele ser um dos mais secos e altos do planeta. Essa estação de observação das ondas provenientes do universo tem como sócios 21 países da Europa, América e Ásia, com colaboração do Chile, a sede, e conta com 66 antenas de captação, instaladas a mais de 5.000m acima do nível do mar.

A estrutura administrativa do ALMA está aberta ao público nos finais de semana, através de um tour gratuito. É disponibilizado um ônibus, que leva o público e guias que trabalham no local e explicam todo o funcionamento dos satélites. Não dá pra ir achando que vai ver os planetas em um telescópio e tal. Mas é possível entender como acontece a captação das ondas energéticas de cada mini-estrelinha. Mais informações pelo site www.almaobservatory.org.

Quanto custa
As entradas para as atrações turísticas do deserto custam de $ 2 mil pesos a $ 17 mil pesos, aproximadamente de R$ 12,00 a R$ 90,00. Alguns são possíveis de acessar de carro comum. Para outros, a gente indica contratar um tour especializado devido à condição das estradas, como é o caso dos Geysers Del Tatio e as Lagunas Escondidas.
Os tours variam muito de preço e é preciso pesquisar bastante. Vale a pena reservar o primeiro dia da viagem para ir às agências e buscar o que é melhor para sua necessidade e condição econômica.

Como chegar em San Pedro de Atacama
Para quem viaja de avião, o aeroporto mais próximo é em Calama, cerca de 100 quilômetros de San Pedro. Lá, é possível alugar um carro e seguir para a cidade. Para quem viaja de carro e está vindo do Brasil, o Passo Fronteiriço de Jama, entre Argentina e Chile, é o mais próximo. Ah! De Jama, última cidade Argentina, até San Pedro, primeira cidade chilena, a altitude varia de 4.800m a 2.400m. Ou seja, é um sobe e desce bem forte, que pode interferir no tempo de viagem. Então, coloque um tempinho a mais de estrada na programação.

Em San Pedro de Atacama existem diversas opções de hospedagem e alimentação. Temos que alertar que nenhuma delas é realmente barata, mas existe uma variação grande de valores.

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