Pavilhões da Cooperativa de Reciclagem ficam a 8 quilômetros do Centro, em Potreiro Grande

Os primeiros passos do Município para ter uma coleta seletiva de lixo foram dados em 2002, mas, até hoje, ainda falta atenção e conscientização do montenegrino sobre as práticas corretas de separação. O poder público fez todo um investimento em uma Cooperativa de Reciclagem para receber os itens separados e que podem ser reciclados. Mas, atualmente, das cerca de 100 toneladas que chegam até lá por mês, apenas 12% é, de fato, separada e apta a ser reciclada. Seguindo o caminho do lixo, a falta de educação ambiental entre os cidadãos é evidente.

Cooperativa funciona no antigo “lixão”
Quando o cidadão coloca seu lixo na sacolinha em dias de recolhimento do lixo seco, em tese, ele está dizendo ao serviço de recolhimento que o descarte feito é de recicláveis, como plásticos, papéis, vidros e metais. Sendo assim, tudo o que é recolhido nessas ocasiões vai para a Cooperativa de Reciclagem, a cerca de 8 quilômetros do Centro, na localidade de Potreiro Grande.

Esse local existe no que antes era o “lixão de Montenegro”. Naquela época, ficava tudo misturado e a céu aberto; e foi preciso uma decisão judicial para a desativação e as adequações às devidas regras de licenciamento ambiental. Foi quando foi criado o atual sistema do recolhimento.
O lixão foi desativado e mensalmente vão especialistas até lá para acompanhar como está indo a recuperação do solo onde ele funcionava. Isso deve levar anos. E é logo ao lado que está a estrutura da Cooperativa de Reciclagem.

Esta foi inaugurada em 2015 e recebeu melhorias no ano passado com recursos federais e municipais. O investimento teve como principal objetivo a formação do grupo de cooperados que faz a separação dos recicláveis recebidos e os revendem, garantindo renda. Uma forma de tirá-los das ruas, catando na cidade sob o sol; e profissionalizar ainda mais sua atuação, com maior beneficiamento do reciclável vendido. Toda a manutenção da estrutura é de responsabilidade deles.

Atualmente, dez recicladores trabalham na Cooperativa. Local é alternativa de renda, mas trabalho acaba sendo dificultoso

Falta de separação do lixo dificulta o trabalho e inibe o interesse
Na teoria, o funcionamento da Cooperativa é relativamente simples. Os caminhões que recolhem o lixo seco por Montenegro largam os resíduos em uma parte mais alta do pavilhão. Esse amontoado de sacos vai sendo empurrado por uma empilhadeira e, então, cai em uma esteira. Lado a lado, os cooperados ficam nessa esteira, separando cada tipo de material em um bag.

Cheios, esses bags são levados para onde o material é prensado e, após, amarrado em fardos para a venda. Só com cerca de 50 fardos prontos que eles chamam o comprador para buscar e reciclar. O principal deles é de Novo Hamburgo. Os preços variam bastante. Hoje, com um fardo de garrafas pet de 80 quilos, por exemplo, os trabalhadores garantem R$ 152,00, que são divididos igualmente.

O problema é que no meio disso têm muitos percalços. O aproveitamento de apenas 12% de todo o material que chega na Cooperativa para a reciclagem é reflexo de quem não separa o seu lixo em casa e, ainda, de quem separa, mas acaba colocando para o recolhimento no dia errado.

Rosenir Almeida, presidente da Cooperativa

Conforme a presidente do grupo de catadores, Rosenir Almeida, ainda tem muito que poderia ser reciclado, mas que chega ali misturado com outros resíduos e acaba inutilizado ou depreciado para a venda. Ou o material perde valor de comercialização; ou então nem pode ser vendido. Ele chega ali lixo misturado, irresponsavelmente, com erva, restos de comida, gordura e até com papel higiênico usado.

Jani Marques, responsável pelo setor de Educação Ambiental da SMMA

Classificados como “não recicláveis” na Cooperativa, esses resíduos vão sendo acumulados em um contêiner para, depois, serem levados junto do restante do lixo úmido da cidade, que vai para outro local. “Acaba que muito se perde. Isso é falta de conscientização das pessoas. Falta de tomar a responsabilidade para si”, opina a responsável pelo setor de Educação Ambiental da Secretária Municipal de Meio Ambiente (SMMA), Jani Marques.

Do jeito como as coisas acontecem, o trabalho do cooperado acaba não rendendo o que poderia render. Além da separação, ele acaba sendo prejudicado também pelos catadores avulsos, que costumam abrir as lixeiras pela cidade para pegar só materiais selecionados e deixando o que não é de seu interesse descartado de qualquer forma.

Idealmente, há espaço para 20 recicladores na Cooperativa, mas a quantidade dificilmente passa de 10. Muitos acabam desistindo de um negócio que poderia ser bastante rentável se todos cooperassem.

Nessa linha, muito lixo reciclável acaba indo para o aterro
Nos dias de lixo úmido, o montenegrino pode colocar para o recolhimento resíduos como papel higiênico, restos de comida, cascas de fruta, legumes, verduras, erva-mate e borra de café. É o que é orgânico, não reciclável e que NÃO deve ir para a Cooperativa. Isso é entregue pelos caminhões da coleta em um segundo local: a Estação de Transbordo, que fica na localidade de Fortaleza, também no interior.

Na Estação de Transbordo, que fica na localidade de Fortaleza, o lixo úmido é largado até ser buscado para a ida até Minas do Leão

Este é basicamente um ponto de largada e retirada, onde os resíduos ficam por, no máximo, 48 horas. As sacolas de lixo são deixadas lá até serem carregadas novamente para o transporte até o aterro de Minas do Leão, na Região Carbonífera do Estado. É lá que fica o aterro – que é controlado e com estação de tratamento – onde o lixo de Montenegro, de fato, fica.

Como em tese, lá só chega lixo orgânico, em alguns anos ele está decomposto no solo. Mas não é como realmente ocorre. O lixo reciclável que não é separado no dia correto – e até o que foi para a Cooperativa, mas estava depreciado para a venda pela falta de cuidado – também acabam lá em Minas do Leão, o que gera um novo problema.

“O que sobra nos aterros depois de anos acaba sendo o plástico, o vidro, aquela garrafa de Coca-Cola de 1950”, expõe a especialista, Jani Marques. “Tudo porque não foi separado. E isso não é só aqui. O Brasil inteiro ainda não conseguiu se adaptar.” É onde o cidadão precisa dar mais atenção.

 

Resíduos da decomposição são um grande risco
Dentre os problemas principais a serem enfrentados nos aterros, como o de Minas do Leão, e inclusive na Estação de Transbordo, é com o chorume. Essa é uma substância líquida resultante do processo de degradação e solubilização dos resíduos sólidos. Bastante viscoso e prejudicial à saúde, ele é altamente poluente.

Vindo do lixo úmido, o chorume é composto por substâncias diversas, incluindo matéria orgânica, metais pesados e outros produtos tóxicos, além de excrementos humanos e animais.

A chegada de resíduos orgânicos na Cooperativa de Reciclagem, por isso, se torna ainda mais perigosa. Acaba que os recicladores precisam lidar com ainda mais este risco ao trabalharem junto de materiais que, idealmente, não deveriam chegar em seu local de trabalho.

Caminhão do lixo comum, que passa por todos os bairros da cidade, também busca na Cooperativa de Reciclagem o que chegou lá, mas acabou não sendo aproveitado pela separação incorreta dos resíduos

Estruturas como o aterro ou a Estação, por sua vez, são preparadas para a presença desta substância, assim como a dos demais resíduos do processo de decomposição do lixo. Lá, elas já têm um sistema de captação por canaletas no piso que conduz o material gerado para um reservatório, onde ele fica armazenado até sua estabilização. É um controle regrado para a obtenção da licença ambiental de operação.

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