Ngouda Ka expõe seus produtos sob uma marquise para “escapar” do sol

Alta temperatura é uma dificuldade a mais para quem trabalha em área externa

Se você que está em um ambiente climatizado, com ar condicionado ou mesmo na frente do ventilador e ainda reclama do calor, imagine se trabalhasse exposto ao sol. Gilmar Maçal Braga, 46 anos, sabe bem o que é isso. “Vamos conversar ali na sombra que é melhor”, diz ele, ao ser abordado para falar sobre o trabalho na construção civil nessa época do ano. A observação dele já é um indício da dificuldade em conciliar sol e esforço físico em dias de altas temperaturas.

Gilmar Braga observa as dificuldades com o calor, mas diz que trabalhar no Verão é melhor que no Inverno, devido ao frio e às chuvas frequentes

Consciente de que é preciso precaução com o sol, Gilmar afirma que usa protetor solar, boné ou chapéu durante o trabalho. “E quando dá, a gente vai pra sombra, porque sempre no sol não se aguenta”, acrescenta, aproveitando o clima um pouco mais ameno dentro da edificação em construção. Para ele, embora os transtornos gerados pelo calor, trabalhar como pedreiro no inverno é pior. “Muita chuva e frio”, acrescenta.

Aos 59 anos, Carlos Alberto Pinheiro também trabalha na área de construção. “O jeito é usar protetor solar e chapéu”, afirma o ajudante de pedreiro. Ele acrescenta que a filha não o deixa esquecer-se de usar o produto, alertando sempre que sai de casa para o trabalho.

E quando Carlos percebe que o sol está ainda mais forte, ele garante que coloca roupa com mangas compridas para se proteger mais. Ambos afirmam que nunca tiveram problemas de pele ou insolação, mas tomam os cuidados básicos para evitá-los. Além da proteção com o sol, é importante tomar muita água para evitar desidratação.

Natural do Senegal, o vendedor ambulante Ngouda Ka, 30 anos, diz que em seu país é ainda mais quente, mas mesmo assim ele também percebe que é difícil trabalhar em dias de alta temperatura. Ngouda expõe seus produtos embaixo de uma marquise, na rua Ramiro Barcelos para aproveitar a sombra. “Mas é muito calor, não é fácil”, afirma. Ele mudou para o Brasil há cinco anos, morando primeiro em Garibaldi e, há três anos, em Montenegro. No município, o senegalês reside no bairro Santo Antônio e passa o dia, das 8h às 17h, vendendo artigos diversos no Centro.

Na sombra da praça
Com seu carrinho de pipoca na Praça Rui Barbosa, a vendedora Eloisa Mercês Oliveira, 44 anos, enfrenta o calor diariamente para trabalhar. Ela procura se proteger na sombra das árvores, onde eventualmente há uma brisa leve que ameniza o clima, tornando a sensação um pouco melhor.

Eloisa coloca o carrinho de pipoca na sombra

Para enfrentar o calor, Eloisa toma muita água e procura usar roupas com tecido mais leve. Embora reconheça a importância de utilizar protetor solar, confessa que não usa, por falta de hábito e por achar desconfortável. “A gente sua, fica (o protetor) escorrendo na pele”, argumenta.

Deve chegar a 40ºC
A previsão do Climatempo, para Montenegro e região, é de sol e calor nos próximos dias, mas com pancadas de chuvas isoladas a partir da tarde. A temperatura mais alta será na quinta-feira, 31, quando os termômetros deverão marcar de 24ºC a 40ºC. O calorão ameniza um pouco no sábado, 2, com a passagem de uma nova frente fria. Nesse dia, o tempo deve ficar chuvoso e com muita nebulosidade e, apesar das temperaturas caírem um pouco – entre 20ºC e 28ºC – a sensação continuará sendo de abafamento.

Dicas
O sol é bom para a saúde, mas, em excesso, pode provocar envelhecimento precoce, lesões nos olhos e câncer de pele.

As dicas do Instituto Nacional do Câncer (Inca) para se proteger são: evitar exposição prolongada ao sol entre 10h e 16h; procurar lugares com sombra; usar proteção adequada, como roupas, bonés ou chapéus de abas largas, óculos escuros com proteção UV, sombrinhas e barracas; aplicar na pele, antes de se expor ao sol, filtro (protetor) solar com fator de proteção 15, no mínimo; usar filtro solar próprio para os lábios.

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