A saudade traz lembranças boas, mas pode gerar sensações controversas. foto: reprodução internet

No dia 30 de janeiro, amanhã, “celebra-se” no Brasil o Dia da Saudade – se é que o sentimento pode gerar alegria a ponto de merecer uma comemoração. A data foi instituída para buscar as memórias do passado, de pessoas que já se foram e dos bons momentos vividos. É uma boa hora para se perguntar “do que eu tenho saudade?” ou “de quem eu ainda tenho saudades?”.

De acordo com uma pesquisa realizada por uma empresa britânica com mil tradutores e publicada pela BBC, a palavra da língua portuguesa “saudade” é a sétima mais difícil de ser traduzida entre todos os idiomas. A explicação mais fácil e compreensível para esse termo talvez seja essa; saudade é uma lembrança que volta à consciência frequentemente, presa a algo vivenciado ou a alguém que tenha passado em nossas vidas e que, por algum motivo, não está mais presente.

A saudade não é uma doença, mas tem sintomas, como a lembrança recorrente, melancolia, angústia no peito, falta de concentração, entre outras sensações semelhantes. A saudade não se direciona apenas às pessoas, mas também às coisas, aos lugares e até às fases da vida. Pode ocorrer por um tempo determinado, devido a uma viagem, um afastamento temporário, ou, em outras situações, não tem data para terminar, como quando alguém falece.
Embora nem sempre seja um sentimento bom, vale destacar a importância de manter na memória algumas lembranças que, quando muito marcantes, deixam saudade. A montenegrina Monique Pinheiro, de 16 anos, sente a falta de pessoas queridas que faleceram, como o seu avô, e de lugares que visitou em viagens. “Um exemplo é a cidade do Rio de Janeiro onde fui passar um pouco das férias no ano passado. Um lugar lindo, cheio de vida e muito maravilhoso”, comenta.

Monique sente saudade do Rio de Janeiro e dos palcos onde já se apresentou em diversas cidades. foto: reprodução internet

Monique também tem saudades de vários festivais em que esteve para dançar ballet. De cada lugar, ela guarda uma experiência vivenciada nos palcos em que se apresentou. “Passei por Porto Alegre, em um shopping, Santa Maria, Bom Retiro e em várias outras cidades. Foram momentos especiais para mim, pois afinal sempre é bom conhecer novos lugares, novos ares e ainda mais quando se trata de um sonho, o Ballet. E acredito que, por esses e vários outros motivos, sinto saudades desses momentos, que se tornaram especiais para mim”, declara.

Angélica sente saudade de amigas de infância que moram longe atualmente, mas não sofre com isso. foto: reprodução internet

Angélica da Silva, de 18, também tem saudades de pessoas que já faleceram. Seus tios foram os primeiros de quem ela se lembrou, devido à proximidade e à convivência. “A gente se via praticamente todo fim de semana. Minha tia já se foi há quatro anos e meu tio há um. Para matar um pouco esse vazio, vou visitar seus túmulos no Cemitério, mas claro que não é a mesma coisa”, diz.

A jovem sente a falta de velhos amigos, que atualmente moram longe. Também lamenta a pausa nas brincadeiras após a adolescência. “A gente se divertia brincando de polícia e ladrão, de casinha, jogando bolita e taco. Tudo isso traz ótimas lembranças, que dá vontade de reviver”, comenta. Quando criança, Angélica e mais duas amigas, que moram atualmente em Salvador do Sul, se divertiam. E, de tempos em tempos, a saudade bate à porta, mas traz lembranças bem agradáveis.

Cuidado com a saudade excessiva
Experimentar a saudade é de extrema importância para aprender a lidar com ela. Porém, alimentá-la a todo tempo pode impedir que se viva momentos bons no presente. Lembre-se que o hoje vai ser a sua lembrança de amanhã. É interessante pensar na saudade se lembrando de que se você sente falta de algo ou de alguém é porque teve uma experiência positiva com essa memória. Estimular as lembranças, mas não a dor da ausência. Essa mudança de foco pode ajudar a lidar melhor com o sentimento.

Caso a saudade se torne obsessiva, fazendo com que a pessoa permaneça por muito tempo em estado melancólico e a impedindo de se conectar e vivenciar emoções e experiências novas e atuais, é necessário procurar ajuda de um profissional especializado para identificar o quanto este sentimento pode ter se tornado patológico. Ao lidar com a saudade de maneira mais saudável e apropriada, ela poderá adormecer por um tempo, surgindo ainda em alguns momentos, mas sem prejudicar as vivências do presente.

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