Da esquerda para a direita, os alunos Maria Eduarda, Júlia e Juliano, três dos homenageados pela escola

Iniciativa busca estimular os estudantes e promover as atividades realizadas para incentivar a leitura pela biblioteca

Em cerimônia na manhã de ontem, após o recreio, cinco alunos da Escola Estadual Técnica São João Batista foram premiados por seus hábitos de leitura. Somados, eles retiraram na biblioteca da escola 78 livros durante o ano de 2017. Comemorando o gosto dos estudantes pelos livros, a instituição os condecorou com medalhas. Além disso, quatro professoras também receberam homenagens por terem sido as maiores incentivadoras do hábito de ler.

“É um número relevante e que tem que ser mostrado”, comenta a professora de Língua Portuguesa e coordenadora da biblioteca, Alma Dahlem. Foi estudando o material divulgado pelo Instituto Pró-Livro, com a pesquisa de 2015 “Retratos da Leitura no Brasil”, que ela pôde comparar as tendências de leitura dos brasileiros com o que vinha acontecendo na escola. De acordo com o material, as pessoas leem, em média, 4,96 livros por ano. Na instituição, não são poucos os que retiraram mais de dez. “Todos dizem que o brasileiro não lê. Mas, no São João, os alunos leem”, frisa.

Premiada com o primeiro lugar no ranking, a aluna do terceiro ano Maria Eduarda Cardoso Gomes começou a ganhar livros da família aos cinco anos, quando aprendeu a ler. Para ela, a leitura é uma válvula de escape, que permite viajar e conhecer novas culturas, fato que pode explicar a escolha de seu autor favorito, o romancista afegão Khaled Hosseini, com muitas histórias que se passam no Oriente Médio.

É justamente a essa relação do livro com o prazer da história que a professora Alma atribui o alto índice de leitura dos alunos. Foi com o projeto “Ler pelo Prazer de Ler” que a biblioteca acabou sendo reformulada para ser atrativa aos estudantes. Nas prateleiras, são poucos livros didáticos – visto que, com a internet, o espaço é pouco utilizado para pesquisas – e a literatura infanto-juvenil domina entre as cerca de 4.000 obras do acervo. Na mesa de atendimento, uma caixinha recebe sugestões para a aquisição de novos títulos ao fim de cada semestre.

Observando o incentivo dado pela família da aluna Maria Eduarda, a educadora aponta que o papel dos pais é imprescindível no fomento do hábito de ler. “Precisamos nos unir à família, porque a escola, sozinha, não consegue formar um leitor”, indica Alma. Um aluno leitor, segundo ela, pode se destacar dos demais. “Se vê que o aluno que lê tem maior capacidade de concentração. As pessoas são muito impacientes e o leitor consegue parar”, compara a professora.

Jovens são exemplos a serem seguidos

PROFESSORA Alma Dahlem (E) conduziu a homenagem aos estudantes

No ano, a Biblioteca Pública Professora Valesca Lampert, do São João, emprestou cerca de 1.100 livros. Além de Maria Eduarda, foram homenageados os alunos Natália Francieli Neukamp, também com 17 livros retirados; Juliano Daudt Antunes, com 15; Júlia Flores Dornelles, com 15; e Camila Eidelwein da Silva, com 14 obras. Foi a informatização do catálogo – trabalho realizado em 2012, com a revitalização do espaço – que permitiu o controle dos dados e a apuração do índice.

Ranqueado no terceiro lugar, Juliano, aluno 1º ano, lê por prazer. Seus autores favoritos são Stephen King e Dan Brown. “É pra distrair. Tu viaja na história”, conta. Com a rotina diária corrida, o estudante aproveita os momentos proporcionados em aula para a leitura. Para ele, o hábito de ler também ajuda na escrita.

Júlia, a quinta colocada, lembra que estava no 5º ano do Ensino Fundamental quando ganhou o primeiro livro. Foi “paixão à primeira lida”. Hoje, no 2º ano do Ensino Médio, os livros são seus companheiros diários. “Chego a ler um livro todo num dia. Leio de noite, de tarde, eu estou sempre lendo. É a chance de conhecer outros lugares e histórias”, relata.

SAIBA MAIS
A pesquisa “Retratos da Leitura no Brasil” foi realizada em 2015 e divulgada no ano passado. É a mais recente publicação que demonstra os hábitos de leitura dos brasileiros e traz algumas constatações interessantes. De acordo com o estudo, 56% do país havia lido, nos últimos três meses anteriores à pesquisa, pelo menos um livro. Destes, 25%, a maioria, leram por gosto.

A sala de aula é o segundo lugar onde mais se lê, com 25% das respostas. 81% lêem em casa. Assim como no ranking do São João, as mulheres lêem mais no país. 59% delas são leitoras. Dentre os homens, o índice é de 52%. Na faixa etária dos estudantes do Ensino Médio, o percentual de leitores subiu de 53% em 2011, para 67% em 2015.

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