Apesar do calor, fruta aguentou bem no pé e a ocorrência de fungos, como a “pinta-preta”, foi pequena. Fotos: Arquivo Jornal Ibiá

Riqueza Boa qualidade das frutas não foi recompensada com melhoria no preço este ano
Na avaliação de técnicos da Emater/RS-Ascar, a safra de citros 2019 foi muito boa. Avaliando especificamente a bergamota, as condições climáticas foram favoráveis ao desenvolvimento da cultura e nem as chuvas elevadas dos últimos meses prejudicaram a colheita. “A fruta obtida teve qualidade, como vem acontecendo com a fruta do Vale do Caí de maneira geral”, avalia a extensionista rural agropecuária na unidade Montenegro, Luísa Leupolt Campos.

A última estimativa do escritório é que existem 2.700 hectares (ha) plantados somente com bergamota, sendo grande parte da espécie Montenegrina. A produção média é de 15 toneladas por hectare (t/ha), o que resultaria em uma safra de 40.500 toneladas de citros. Mas Luísa chama atenção para o fato deste número ser ‘mínimo’, visto que há agricultores que chegam a produzir 25 t/ha.

O assistente técnico regional em Sistema de Produção Vegetal da Emater Lajeado, Derli Paulo Bonini, também classificou a safra 2019 como “excelente”. Inclusive, avalia que as chuvas no período de desenvolvimento dos citros foram na quantidade e regularidade exatas. “Isso propiciou um bom crescimento e tornou as frutas suculentas”, descreve.

A ausência de fenômenos extremos, como vendavais, granizo ou geadas intensas, foi outro elemento benéfico. A quantidade colhida em todo o Rio Grande do Sul tem se mantido estável, sem maiores recuos ou avanços entre 2018 e 2019.

Bonini afirma que os citricultores do Vale do Caí têm adotado práticas recomendadas pela assistência técnica, como fertilizações e controle de pragas e doenças. Essa postura tem sido fundamental para que colham frutas com excelentes características de cor, suculência e sabor. A Secretaria de Desenvolvimento Rural de Montenegro preferiu deixar a avaliação de seu principal setor primário apenas com a Emater e não se manifestou sobre o tema.

Citros gaúchos conquistam todo o país
Hoje é possível definir os citros gaúchos como produto de ‘fama nacional’. Derli Paulo Bonini é muito positivo ao classificar que as frutas cítricas do Vale do Caí, principalmente as bergamotas do grupo das Mediterrâneas, que são a Caí, a Pareci e a Montenegrina, são sinônimo de qualidade. “E são comercializadas em outros estados brasileiros, levando o nome da região para os mais diferentes pontos do país”, exalta.

Mas o setor gaúcho ainda precisa avançar, principalmente no fator marketing. O assistente técnico destaca então as ações desenvolvidas na região juntamente com Sebrae, Senar e ACVARC. Neste momento, o trabalho tem sido justamente para identificar essas frutas e tornar a região conhecida como centro de excelência na produção de bergamotas.

O Selo de Qualidade que será implantado no primeiro semestre de 2020 será a principal ferramenta. E ele entra em consonância com a Lei de Rastreabilidade para Produtos Vegetais, em vigor desde 1º de agosto. “Esta bergamota poderá ir para qualquer lugar do Brasil com esta garantia de origem”, acrescenta Elisandra Kehl.

Colheita final no RS
Laranjas – 274.000 toneladas
Bergamotas – 150.000 toneladas
Limões – 9.000 toneladas
Total = 433.000 toneladas de citros
*A colheita de citros no Rio Grande do Sul fica dentro do ano civil, iniciando com as cultivares precoces em março e finalizando com as tardias, no máximo, em dezembro

Fruta montenegrina avança em qualidade, mas os preços não acompanham

Produtores buscam valorização
Se, por um lado, o padrão de qualidade da fruta vem melhorando continuamente, o mesmo não acontece com a valorização pelo mercado. Luísa observa que, neste ano, o preço pago não mudou muito em relação ao praticado em 2018. “A média dos menores preços girou em torno de R$ 12,00 a caixa; e dos maiores em R$ 55,00 a caixa. Isso em relação à fruta madura”, revelou.

Quanto à “bergamotinha verde”, produto do raleio, o mercado foi ainda mais injusto. A Emater observou que os preços estavam muito baixos, chegando a R$ 4,00, por caixa. Isso teria levado muitos agricultores a preferirem colocar a fruta no chão, para agilizar o raleio, do que selecionar para a venda.

A presidente da Associação de Citricultores do Vale do Rio Caí (ACVARC), Elisandra Kehl, confirma a apreensão entre os 66 integrantes da entidade. “Por mais que a gente tenha qualidade, o preço vem se mantendo muito estável”, comenta. Principalmente a Montenegrina, sequer arranca com preço bom e ainda desvaloriza ao longo da venda. Ela aponta a mesma atitude do mercado em relação à bergamota Pareci, sendo que esta, em três semanas, já tem seu valor inicial por caixa diminuindo. “O preço dela vai lá embaixo”, salienta. O que traz indignação é o fato da safra ter sido qualificada, também entre os membros da Associação.

Mas os agricultores não se dão por vencidos e, através da entidade, têm buscado “excelência e qualidade”. A criação do Selo que identificará esta fruta é uma atitude desenvolvida com assistência do Sebrae, através do projeto Juntos para Competir, que já reúne 93 produtores rurais da região.

Preço médio
Caí – R$13,00
Pareci – R$20,00
Montenegrina – R$ 28,00

* Valor por caixa
Fonte: Emater/ Ascar

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