Acidente fatal ocorrido em outubro de 2019, no KM 41 da ERS-124, em Montenegro. Foto: arquivo Jornal Ibiá

MÁS condições das pistas de rodagem são apontadas entre causas mais comuns para desastres

Conforme o Pelotão Rodoviário de Montenegro (PRE), o número de acidentes de trânsito registrados no primeiro semestre de 2020 aumentou, em relação aos casos registrados no mesmo período do ano passado. Os dados são relativos às quatro vias cobertas pela unidade: ERS -124, ERS-411, ERS-240 e RSC-287. Para quem dirige, buracos e más condições das pistas estão entre os principais motivos que elevam esses registros.

No período de janeiro a julho do ano passado, quatro pessoas morreram em acidentes nestes trechos. Este ano, o número de óbitos chegou a sete, elevando em três os registros trágicos atendidos pela Polícia Rodoviária Estadual.

Acidentes com lesões corporais também chamam a atenção nos registros policiais. Nos seis primeiros meses de 2019 foram registrados 33 casos; contra 45 em 2020. Os casos que tiveram apenas danos matérias triplicaram; com 22 registros, 15 a mais que os sete do primeiro semestre do ano passado.
A jornalista Juciele Paz utiliza com frequência o trecho da RSC- 287 que passa pela localidade de Muda Boi até a BR-386. “Sempre que preciso ir até o Vale do Rio Pardo, para visitar minha família, uso a RSC-287”, explica à condutora. Para ela, a falta de conservação dessa e de outras rodovias do Estado favorece a ocorrência de acidentes.

“A situação da rodovia é bem ruim. Em alguns trechos não têm acostamento, o que dificulta ainda mais se tu precisa desviar de um buraco, por exemplo. Ou invade a pista contrária, arriscando um choque com outro veículo, ou passa pelo buraco. É bem complicado por que tu desvia de um buraco e logo em seguida tem outro”, comenta Juciele. Em dias de chuva a situação fica ainda pior.

Autoridades apontam para a imprudência
Para o comandante do Grupo Rodoviário, sargento Aldo Vinícius dos Santos Lisboa, é difícil tentar explicar as causas que motivaram a elevação de casos. Ele assinala, no entanto, que ações preventivas, de fiscalização e autuações, também aumentaram. Mas ainda assim, as perdas acabam se sobrepondo no atual cenário. Para Lisboa, os casos não têm relação com a condição das rodovias. “Acredito que não. Temos poucos casos de rodovia com problemas”, argumenta o comandante.

A chefe da Divisão de Educação do Detran/RS, e pedagoga Laís Silveira, salienta a importância de os motoristas tomarem atitudes conscientes ao dirigir. Ela argumenta que trânsito seguro passa por ter um comportamento adequado, visando o autocuidado e o cuidado de terceiros. “O excesso de velocidade é uma causa comportamental, assim como a embriaguez ao volante, a ultrapassagem em local proibido, o uso do celular, não usar o cinto de segurança. Tudo isso é culpa do condutor”, enumera. Laís frisa, ainda, a necessidade de se ter atenção redobrada durante todo o trajeto.

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