O Rio Caí segue subindo e já atingiu a cota de inundação em Montenegro. Hoje, às 13h30min, a medição marcava 6,28m no Passo do Montenegro. A estimativa é de enchente de médio porte no município. Segundo Elton José Santos da Silva, coordenador da Defesa Civil de Montenegro, o rio já transbordou em suas partes mais baixas. Nenhuma família foi removida de sua residência ainda, mas três locais estão em preparação para receber as pessoas desabrigadas pela cheia do rio: ginásio da escola Walter Belian, ginásio do bairro Esperança e o ginásio Azulão, no Parque Centenário.

Daiane Grasel, 32, mora à beira do Caí em Montenegro há cerca de 20 anos e mesmo já adaptada às enchentes, afirma que sempre dá dor de cabeça. Ela conta que quando a cheia é de médio porte, como a que está prevista para a cidade, a preocupação é menor. “Se é assim a gente não se apavora muito porque não entra em casa, mas de qualquer forma, fica alagado, com lodo e traz bichos, né?”, afirma.

Já quando é das maiores, Daiane explica que as enchentes complicam e a preocupam muito. Ela salienta que toda vez que sua casa foi alagada, nunca precisou ir para ginásios, por exemplo, e que recorre aos familiares e seus lares.

Ainda, ela relembra outro problema: os furtos em dias de cheia. “Quando a enchente é grande, meu marido e minha filha já saem de casa e vão para os nossos familiares, até porque o trabalho do meu marido não para. Mas eu preciso ficar aqui, sempre fico até a água alcançar um ponto que não dá mais para caminhar, porque é comum furto por aqui nesse momento. As pessoas se aproveitam da situação, então não dá para deixar sozinho. Depois disso sim eu saio”, detalha.

Esse ano, em função da pandemia, as instituições de ensino estão funcionando apenas de forma remota, o que para Daiane, em momento de cheia, é um ponto positivo. “Não está tendo aula, então minha filha não perde. Se fossem dias normais, ela teria que faltar e perder conteúdo”.

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