Frase “Não é por vingança, é por amor”, marcou o sentimento da manifestação

Amigos e entes queridos manifestam a sua indignação

Família e amigos de Jean Lucas Martins, de 28 anos, morto vítima de acidente de trânsito no último domingo, 9, na ERS-124 divisa entre São Sebastião do Caí e Pareci Novo realizaram uma manifestação pacífica na manhã deste sábado, 15. Quase uma semana depois do fatídico dia, dezenas de pessoas estiveram presentes pedindo por sinalização no trecho.

Como forma também de homenagear Jean, mudas de suculentas estavam sendo entregues as mães que por ali passavam. O clima era de comoção e tristeza, por uma vida tão jovem ter ido tão abruptamente. Dentre as diversas frases dos cartazes uma se destacava: “Não é por vingança, é por amor!”.

A mãe de Jean, Mari Isabela, conversou com mães que passavam e entregou mudas de planta

Amor é um sentimento que Jean prezava, e que deixou em todos aqueles que conheceu. Entregando suculentas e conversando com motoristas que por ali passavam estava a sua irmã, Júlia Caroline Martins, de 22 anos. “Dinheiro nenhum no mundo vai trazer o meu irmão de volta, mas pra cada mãe que está passando aqui eu estou prometendo que com o filho dela não vai acontecer isso, o que a minha mãe está sofrendo outra mãe não vai sofrer, porque a gente vai lutar, por ele e por todos”, diz.

Apesar de ser um momento difícil, Júlia relata que o irmão iria adorar a ação. “É por ele que estamos fazendo isso, por amor. A dor é muito grande, a gente sente muito a perda dele, os meus pais estão destroçados, mas a gente vai lutar por ele, isso não vai ficar assim”, fala.

O cruzamento é considerado bem perigoso e no local já ocorreram vários acidentes anteriormente. O Daer, que é o responsável pelo trecho da ERS-124, prometeu providências, mas depende da licitação de um novo contrato de sinalização para a área de abrangência da Superintendência Regional de Esteio para a contratação de uma empresa para fazer o serviço.

Ernani Martins, advogado da família, também esteve presente e relatou que medidas serão tomadas para que isso não aconteça com outra pessoa. “Nós vamos entrar com uma ação judicial contra os responsáveis, seja os públicos ou privados. É uma ação de responsabilidade, não com o intento de produzir vantagens financeiras nem tampouco vingança, mas sim buscarmos através da vontade da família uma lição pedagógica nos responsáveis”.

“A gente vai lutar, vamos ter força”

Completando 29 anos de casados neste sábado, 15, os pais de Jean não passaram do jeito que esperavam.  Mari Isabela Martins, mãe do jovem, relata que o filho era motoqueiro há muito tempo, e que estava dentro do limite de velocidade. “Ele era um guri prudente que sabia o quanto a gente amava ele, então de forma alguma ele andaria voando e faria uma coisa que não deveria ser feito”, fala.

Ao final uma oração foi realizada entre os presentes

Isabela desabafa, e diz que não culpa a motorista que atropelou seu filho, mas que não acha justo que um órgão que cobra tanto do Estado não tenha condições de sinalizar o trecho. “Eu estou responsabilizando o Daer por isso, ninguém mais, porque as Prefeituras se prontificaram a vir fazer a pintura, mas eles não deixam”, diz.

Com a irmã casada, Jean era o único filho morando com os pais, mas agora o quarto está vazio e Isabela relembra dos momentos bons. “Ele era inocente e tinha muito amor, eu estou dando essas lembrancinhas pra essas mães hoje, porque ele foi comigo há duas semanas atrás em uma floricultura e ele olhava uma por uma e dizia ‘Mãe, olha a riqueza de detalhes que Deus fez nessas flores’, ele era puro”.

Morador de Harmonia, Jean morava em Harmonia faz cerca de 7 anos e trabalhava na Móveis Kappesberg de Tupandi. Trabalhador, a mãe conta que ele não devia nada a ninguém e vivia cada dia como se fosse o último, sempre muito bem. “Nenhum dinheiro, nada vai trazer de novo o sorriso dele, o barulinho que ele fazia na nossa casa que incomodava nós, mas eu queria aquilo lá hoje”, diz.

Ao final da manifestação família e amigos fizeram uma roda e oraram pelo jovem. A família de Jean tomou a decisão de doar os seus órgãos, podendo salvar ainda à vida de oito pessoas. Segundo eles, essa é uma ação importante e que Jean iria gostar. A Brigada Militar e os Bombeiros Voluntários de Harmonia deram o apoio no ato.

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