Leitos em alas específicas para pacientes com Covid-19 também são importantes no combate ao vírus. FOTO: Arquivo/Jornal Ibiá

Agrupamento conta com 10 hospitais distribuídos em sete cidades

A falta de leitos em hospitais – sejam em Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) ou para internação clínica – são sazonalmente notícia em jornais. Principalmente nas grandes cidades, é comum ver cenas de pacientes em macas nos corredores de casas de saúde ou, até mesmo, instituições fechando sua emergência para dar conta de tratar os pacientes já admitidos. Tal situação é ainda mais comum no Inverno gaúcho. Com a pandemia do novo coronavírus, a atenção para a taxa de ocupação de leitos aumentou. Ainda mais com o Distanciamento Controlado promovido pelo Governo do Estado, que tem no índice de leitos ocupados um dos seus fatores de cálculo.

Montenegro, bem como boa parte do Vale do Caí e Triunfo – de fato, do Vale do Caí, apenas Bom Princípio, Feliz, Vale Real, São Vendelino, Linha Nova, São José do Hortêncio, Alto Feliz e Portão não fazem parte desse agrupamento – está inserida na Região Covid 8, que tem Canoas como referência. A bandeira da Região Covid 8 é vermelha, mais restritiva quanto ao funcionamento de comércios e outros estabelecimentos. No entanto, o Estado permitiu que cidades sem registro de hospitalização e óbito de morador por Covid-19 nos últimos 14 dias adotem protocolos previstos na classificação laranja.

Na Região Covid 8, segundo dados divulgados pelo Governo do Estado, existem 143 leitos de UTI. A taxa de ocupação desses espaços era, às 14h de quinta-feira, dia 2, de 86,7%. Dos 124 pacientes em UTI adulta 33 eram confirmados com Covid-19, 15 apresentavam Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) ou suspeita de Covid-19 e 76 estavam internados por outros motivos. Além disso, a Região Covid 8 conta com 300 leitos para o atendimento de pacientes com Covid-19. Desses, 101 estavam ocupados às 14h de quinta-feira.

Nessa quinta-feira, 2, a Prefeitura de Canoas comunicou a impossibilidade de receber novas internações em leitos de UTI do município, devido ao baixo estoque de medicamentos analgésicos essenciais. Os oito leitos que ainda restam não poderão ser usados por novos pacientes, e não há previsão por liberação no momento.

Todos esses leitos estão distribuídos em 10 hospitais localizados em sete das 18 cidades que integram a Região 8. Confira no gráfico a capacidade e a ocupação das UTIs desses hospitais independente da causa de internação e a disponibilidade e ocupação de leitos fora de UTI preparados especialmente para atendimento de pacientes infectados pelo novo coronavírus. Os dados completos podem ser conferidos em https://covid.saude.rs.gov.br/.

Leitos UTI: número de leitos de UTI do hospital;
Ocup.: número de leitos de UTI ocupados por pacientes com Covid-19, suspeita ou outras doenças;
Fora UTI Covid: leitos específicos para pacientes ou suspeitos de Covid-19 fora da UTI;
Ocup.: leitos fora da UTI específicos ocupados por pacientes com Covid-19 ou suspeita. Os dados foram levantados às 14h, quando os hospitais de Sapucaia do Sul e Esteio tinha mais pacientes internados em sua ala Covid-19 do que a capacidade.
Fonte: covid.saude.rs.gov.br

Transferência de paciente não impacta na definição da bandeira
Como são apenas alguns hospitais gaúchos que servem de referência para o tratamento de pacientes com Covid-19 – sendo o da Região Covid 8 o Hospital Universitário de Canoas -, é comum internados na UTI infectados pelo novo coronavírus residentes de uma Região Covid sejam transferidos para alguma casa de saúde de outra Região Covid. Isso impacta diretamente na ocupação de leitos do agrupamento que o recebeu. No entanto, de acordo com secretaria estadual de Saúde, a transferência não entra na conta da Região Covid que recebe o paciente para fins de definição de bandeira. “A Central de Regulação de Leitos trabalha para garantir acesso dos pacientes aos leitos de UTI de acordo com critérios médicos e clínicos do paciente, conforme a disponibilidade de vagas das instituições”, reforça a pasta.

: Eduardo Leite ressaltou que população desempenha papel importante para evitar colapso do sistema de saúde. FOTO: Felipe Dalla Valle/Palácio Piratini

Governador alerta a população
Na manhã de quinta-feira, o governador Eduardo Leite fez um pronunciamento em vídeo divulgado nas redes sociais. Nele, o chefe do Executivo estadual alerta a população de que as próximas duas semanas serão o período mais crítico do enfrentamento à pandemia no Rio Grande do Sul. Tal chamado de atenção se dá porque a chegada do frio, que pode sobrecarregar o sistema de saúde, coincide com quase metade do Rio Grande do Sul sob bandeira vermelha no modelo de Distanciamento Controlado, ou seja, com risco epidemiológico alto por estar com elevada ocupação hospitalar e propagação do vírus.

“É fundamental que, nos próximos 15 dias, retomemos os níveis de isolamento intenso que observamos no início de abril”, apelou o governador. “Agora, eu sei, estamos todos cansados, pois somos todos humanos, mas não é hora de desistir! Pelo contrário: diante do momento mais crítico, a nossa melhor resposta ainda é a persistência”, reforçou Leite.

O governador salientou, ainda, que a população desempenha um papel importante para que o sistema de saúde não fique sobrecarregado. “Julho chegou com a pior das notícias: estamos com o sinal de alerta ligado pelo ritmo de ocupação das nossas UTIs. Confiamos nos efeitos de contenção do nosso modelo de Distanciamento Controlado, mas o modelo só se concretiza a partir do comportamento das pessoas”, apontou.

No pronunciamento, Leite também destacou os esforços realizados pelo Governo do Estado para enfrentar a pandemia até aqui, como a ampliação em 75% da capacidade de hospitalar. De 933 leitos de UTI adulto do Sistema Único de Saúde (SUS) antes da pandemia, o total no Rio Grande do Sul deve chegar a 1.630 nos próximos dias, contando os novos pedidos de habilitação. Também foi realizada a distribuição de respiradores e equipamentos de proteção e a transferência de recursos financeiros, inclusive com o apoio de outros Poderes, da União e de parlamentares.

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