Abaixo assinado contrário ao corte de recursos, no site www.change.org, com o título “Não ao retrocesso educacional e científico brasileiro!”

Capes alerta para o risco de a verba prevista no orçamento de 2019 acabar no primeiro semestre, deixando estudantes sem a remuneração que recebem]

A previsão de redução nos recursos para pesquisa, cursos de pós-graduação e do Programa de Bolsas de Iniciação à Docência (Pibid) preocupa a comunidade acadêmica. Em Montenegro, alunos da Uergs criticam a medida e observam a importância das bolsas, que proporcionam experiência e auxiliam na manutenção dos universitários.

Camila Pasa, acadêmica de Dança. FOTO: ARQUIVO PESSOAL

A estudante do curso de Dança, Camila Pasa, observa que as bolsas do Pibib oportunizam a aproximação dos acadêmicos com a comunidade, através das escolas. Esse contato contribui para a formação dos acadêmicos das licenciaturas, além de favorecer os estudantes com as atividades desenvolvidas nessas instituições. Camila observa ainda que muitos dos alunos da Uergs são de outros municípios e o auxilio financeiro é um incentivo, pois contribui para se manterem a cidade. Ela concluirá o curso de licenciatura em Dança neste ano e não é bolsista, mas acredita que o corte de recursos para o programa poderá levar a desistência de universitários que precisam da bolsa.

Ezequiel Souza, acadêmico de Artes Visuais. FOTO: ARQUIVO PESSOAL

Para o acadêmico de Artes Visuais, Ezequiel Souza, a redução de recursos prevista para 2019 representa uma grande perda à educação, com menos investimentos em pesquisas e verbas para bolsistas. O assunto foi destaque na última quinta e sexta-feira no país, período em que os acadêmicos ainda estão em recesso pelas férias de inverno. Nesta segunda-feira, as aulas recomeçam na Uergs. E, para quinta-feira, já está agendada uma assembleia do Diretório Acadêmico, da unidade de Montenegro, às 19h, no Teatro Therezinha Petry Cardona, e a tendência é que esse assunto seja incluído na pauta.

Na semana passada, o Conselho Superior da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) enviou nota, ao Ministério da Educação, alertando que, se for mantido o orçamento previsto para o órgão em 2019, haverá recursos somente para o primeiro semestre. Por isso, em agosto do próximo ano, ocorreria a suspensão das bolsas de mestrado, doutorado e pós doutorado e de programas de formação de professores. A medida afeta 93 mil estudantes e pesquisadores dos cursos de pós, além de 105 mil bolsistas do Pibid, e de Residência Pedagógica e de Formação de Professores da Educação Básica (Parfor).

“A ciência no Brasil é feita nas universidades”

Gelson Weschenfelder realiza pesquisa com bolsa do Capes

O pesquisador Gelson Weschenfelder, que cursa pós-doutorado na La Salle, em Canoas, observa a importância do financiamento do Capes a bolsas de mestrado, doutorado, pós- doutorado e o Pibid. Ele salienta o impacto dessa redução de recursos prevista para o próximo ano. “É o fim da ciência no Brasil”, resume.

Ele reforça que o avanço na ciência depende das universidades, onde existem as pesquisas realizadas com recursos do Capes. “Não temos empresas que investem nisso”, acrescenta. Weschenfelder observa que há alunos que dependem desse financiamento. “Pesquisador não é reconhecido como profissão, e não há outro tipo de auxílio à pesquisa no país”, afirma. Ele é bolsista e em sua pesquisa realiza trabalho de intervenções educacionais, usando super-heróis para trabalhar resiliência, com crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade social de 15 escolas.

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