Jéssica dos Santos observa de longe a sua casa, bastante atingida pela cheia

Pedido de ajuda. Jéssica dos Santos só conseguiu salvar geladeira e máquina de lavar

Apesar do tempo seco na segunda-feira, 13, e a previsão de sol para esta terça e também para a quarta-feira, a situação da cheia ainda preocupa muitos moradores de Montenegro. Como choveu durante todo o final de semana no Estado, mesmo que não tenha sido em grande intensidade, o nível do Rio Caí voltou a subir e atingiu cota de inundação em São Sebastião do Caí e Montenegro nesta segunda.

Parede da garagem do seu Tristão desmoronou no último sábado

Porém, a preocupação maior da população é em relação à enchente que atingiu a região durante a última semana, entre quarta e quinta-feira passada (o pico da cheia em Montenegro foi registrado no início da tarde de quinta, quando atingiu 8,18m). Dezenas de famílias precisaram deixar suas casas e se alojar em ginásios e na casa de familiares e amigos. É o caso da cuidadora Jéssica dos Santos, 28 anos, que mora com o marido e com os quatro filhos em uma residência do bairro Municipal.

Ela e a família tiveram que sair às pressas de casa na madrugada de quarta para quinta-feira, pois a água já estava na área da residência. “Eu estava dormindo, aí meu esposo levantou e me avisou. Conseguimos salvar a geladeira e a máquina de levar. O cenário é de destruição. Estava tudo organizado e agora está puro lodo dentro de casa. Dá vontade de desistir de tudo”, lamenta.

Casa de madeira no Industrial desabou parcialmente. Foto: Defesa Civil

Há três anos no local, a cuidadora relata que nunca havia passado por isso, e nem imaginava que a inundação seria nessa proporção. “Subiu muito rápido. Não tinha noção que ia entrar na casa. O assoalho chegou a subir, a gente teme que desabe tudo”, declara Jéssica, que perdeu o roupeiro, a cozinha e os colchões na enchente da última quinta-feira, dia do seu aniversário.

Inclusive, ela pede à comunidade a doação de colchões para poder voltar a dormir em casa. Nesses últimos dias, a casa da sogra tem sido o abrigo para Jéssica e sua família. “O mais importante neste momento é o colchão. Mas não tenho roupas para usar, porque molhou tudo. Os calçados também. Temos que lavar e secar tudo. Estamos aceitando qualquer doação”, complementa. Para ajudar a família, basta entrar em contato através do número (51) 98030-9757.

Muitas famílias estão enfrentando as mesmas dificuldades que Jéssica desde a última quarta-feira na região. Seu Tristão de Azeredo Ferreira, que mora às margens do Rio Caí em Montenegro, viu a parede de sua garagem desabar na noite de sábado devido à enchente. A Defesa Civil Municipal forneceu uma lona para Tristão ‘tapar o buraco’ provocado pela queda. “Sinceramente, eu já esperava que desabasse um dia, pois já estava danificada. Quando tudo normalizar, vou desmanchar a parede”, afirma.

Apesar disso, o desmoronamento da parede não gera preocupação para ele, que está morando no seu barco desde que o nível do rio começou a subir. “Moro dentro do meu barco. Comprei há cinco ou seis anos, era um sonho de criança. Tem até internet e carregador de celular no barco”, salienta Tristão, que é pescador, músico e motorista.

Também no sábado, uma residência de madeira localizada na rua Adelmo Boos, no bairro Industrial, desabou parcialmente. De acordo com informações fornecidas pela Defesa Civil, a família de moradores estava retornando para casa quando o imóvel começou a apresentar problemas.

Em São Sebastião do Caí, são 42 famílias desabrigadas em virtude da enchente – 39 desde a semana passada. Três famílias foram removidas preventivamente no último domingo. Todas estão alojadas nos abrigos do ginásio Rio Branco e no salão da Igreja Católica do bairro. De acordo com a Defesa Civil Municipal e a Prefeitura de São Sebastião do Caí, o retorno dessas famílias para suas casas deve ocorrer apenas na quinta-feira, 15.

Chuva volta quinta
O sol e o frio devem predominar no Estado até esta quarta-feira. De acordo com a previsão do Climatempo, só deve chover na quinta-feira no Vale do Caí e também em Caxias do Sul. No entanto, não está prevista uma nova cheia na região para o final desta semana, já que até a quinta-feira, o nível do Rio Caí deve baixar consideravelmente.
Na tarde de ontem (dia 13), o nível da água na Barca do Caí, no município de São Sebastião do Caí, marcava 10,54m, com redução de 8 centímetros por hora.

Já em Montenegro, o nível do rio atingiu 6,54m no mesmo horário, subindo aproximadamente 2cm por hora. Entretanto, como a água começou a baixar ainda pela manhã no Caí, a previsão da Defesa Civil é que em Montenegro o nível estabilizasse ainda durante a noite de ontem.

Defesa Civil prorroga emissão de atestados
Para ajudar outras famílias atingidas pela enchente é possível doar roupas, móveis e eletrodomésticos na Secretaria Municipal de Habitação, Desenvolvimento Social e Cidadania de Montenegro, que fica na rua Cel. Apolinário de Moraes, 1705. De acordo com o diretor de Habitação, João Marcelino da Rosa, não haverá nenhuma ação específica em relação às cheias, porém, aqueles que tiverem interesse podem ir ao endereço citado. Todas as doações serão encaminhas para famílias que estejam precisando.

Além disso, a Defesa Civil de Montenegro prorrogou o prazo para retirada de atestados para os moradores das regiões afetadas pela enchente. O serviço seguirá até esta terça-feira, 14, das 8h ao meio-dia e das 13h30min às 16h30min. Vale lembrar que o documento é para as pessoas que precisam comprovar a ausência em seus empregos durante o período em que a enchente atingiu a cidade. A Defesa Civil fica localizada no interior do Parque Centenário.

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