A quantidade de lixo aumenta cada vez mais nos centros urbanos

Reduzir a produção de lixo e seprar os materiais orgânicos e recicláveis é tarefa de todos. A Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS) prevê que a destinação correta do lixo responsabilidade é compartilhada entre fabricantes, importadores, distribuidores, comerciantes, o cidadão e empresas de manejo dos resíduos sólidos.

“Todo lixo seco que é descartado no dia a dia dos moradores de Montenegro, se torna o alvo do trabalho dos catadores e recicladores, sendo a única fonte de subsistência para eles” afirma Ubirajara Pires, chefe do Serviço de Reciclagem de lixo de Montenegro.

A reciclagem de lixo é um dos maiores desafios a ser enfrentado pelas administrações públicas. Além dos problemas relacionados aos catadores dos lixões, recicladores, falta de espaço para disposição dos resíduos, existe a preocupação com o meio ambiente e sua preservação. Segundo Ubirajara “por dia são recolhidos mais 35 toneladas de lixo seco. O que não é reciclado vai para o transbordo”.

Reciclando vidas na cooperativa
A Recicladora Rosenir Almeida, presidente e fudadora da cooperativa Cooperlimp, conta que sobrevive há pelo menos 15 anos dessa atividade. “Sustento meus 8 filhos com a reciclagem. Eu era catadora a céu aberto quando comecei. Ficava embaixo de sol e chuva separando o lixo. Hoje temos um galpão com banheiros, refeitório e equipamentos necessários como as esteiras, prensadoras e empilhadeiras; a maioria cedido pela Prefeitura de Montenegro”.

Rose tira, da reciclagem, o sustento para toda a sua família

Rose, como é chamada pelos colegas, diz que isso é apenas o inicio. “Como a Cooperlimp é recente, gostaria de aumentar a produção.” Hoje a cooperativa tem espaço para 20 recicladores, mas só tem 13 pessoas. “Muitos deles, nessa época, vão para colheita da bergamota que rende mais. Mas é por poucos meses e acabam voltando para a reciclagem” afirma.

Esses homens e mulheres tiram dos materiais reciclados o sustento para toda a família. Eles são responsáveis pela coleta em todas suas etapas: triagem, classificação, processamento e comercialização dos resíduos.

Sonhos adiados
Muitos que estão na reciclagem almejam uma vida melhor, inclusive Rose. “Meu sonho era trabalhar em minha própria cozinha industrial, fazendo doces, salgados e marmitas. Enquanto isso não acontece, reciclo lixo sem parar”. Com tristeza, ela fala que o filho Rafael, de 18anos, parou os estudos para ajudar na renda. “Ele trabalha aqui comigo, mas quero um futuro melhor para o Rafa. Minha meta é que ano que vem ele comece os estudos. Como mãe, eu quero o melhor”.

A atividade dos catadores é reconhecida profissionalmente pelo Ministério do Trabalho e Emprego desde 2002, segundo a Classificação Brasileira de Ocupações (CBO). Segundo o chefe do Serviço de Reciclagem de Montenegro, “ações como esta contribuem para o aumento da vida útil dos aterros sanitários e para a diminuição da demanda por recursos naturais. É um bem para todos, e natureza agradece”.

A vida dura dos catadores de recicláveis nas ruas da cidade
Os catadores recolhem resíduos recicláveis em condomínios, residências e comércios. Eles separam os materiais, colocando o que pode ser vendido como reciclável em um carrinho que vão puxando duramente pelas ruas de Montenegro. Ao final da jornada, levam para as recicladoras o que foi recolhido. O próprio catador é quem separa os materiais para a pesagem e recebimento do pagamento.

Basta sair às ruas para encontrar um catador perto de sua casa. A figura mais conhecida pela população montenegrina é o Ezequiel Schneider de 38 anos, o “Mortadela”. Carismático, conquistou a simpatia de alguns comerciantes da cidade, que deixam várias caixas exclusivamente reservadas para ele. “Aqui no Centro eles guardam pra mim o papelão. Vou de loja em loja e pego. É mais fácil assim, isso me ajuda muito”, diz Mortadela. Com agilidade e destreza, ele empurra um carrinho de supermercado, facilitando sua locomoção pelas ruas e calçadas. Depois que o lota, leva até o carro maior de reciclagem. Mortadela faz isso inúmeras vezes ao lado do seu fiel escudeiro, um cachorro batizado de Marlon. Juntos, eles parecem incansáveis.

Mortadela faz seu trabalho nas ruas de Montenegro com seu fiel escudeiro Marlon

Mortadela é solteiro, mora com a mãe e seus três irmãos no bairro Senai. Todos os dias, levanta em torno das seis da manhã e se desloca até o Centro para começar a coleta. Em média, ele fatura R$ 30,00 por dia com a venda dos resíduos.

Com dedicação, o reciclador leva a sério seu trabalho. Ele chega asacrificar seu único dia de descanso para ficar acampado durante três a quatro dias em rodeios, com o intuito de pegar o maior número de latinhas possível. “Saio até em dias de chuva. Coloco minhas botas e capa e vou mesmo assim. Tem que trabalhar né!”, afirma pensativo. “Eu só não gosto que tem muita gente que põe comida misturada com os plásticos e papelão. Fica tudo sujo e fedorento”, diz ele.

Vai ai um alerta para o cidadão: separe seu lixo. Muita gente vive dele.

Os perigos dos lixões
A diferença entre os catadores de rua e os de lixões é que estes últimos permanecem no local onde o lixo é despejado. Geralmente, os lixões são localizados no interior dos municípios.

Eles acumulam o lixo coletado pelos caminhões mantidos pela prefeitura. Há todo o tipo de material. Esse amontoado de descartes, misturado, gera o chorume, uma substância líquida resultante do processo de degradação e solubilização de resíduos sólidos. O chorume é bem viscoso e perigoso a saúde, com cheiro extremamente forte, praticamente insuportável. Ele também é altamente poluente, já que é composto por substâncias diversas, incluindo matéria orgânica, metais pesados e outros produtos tóxicos, além de excrementos humanos e animais. Além disso, é um atrativo para vetores de doenças, como ratos, baratas, formigas, e insetos .

Os catadores ficavam expostos a esses perigos, fora objetos pontiagudos e cortantes, que são descartados inadequadamente pela população.

A Política Nacional de Resíduos Sólidos cria metas que contribuem para a eliminação dos lixões. Ela institui instrumentos de planejamento nos níveis nacional, estadual, microregional, intermunicipal e metropolitano e municipal; além de impor que particulares gerenciem seus resíduos.

Isso coloca o Brasil em patamar de igualdade com países desenvolvidos no que diz respeito ao gerenciamento de resíduos sólidos e à coleta seletiva.

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