No ambiente das bromélias, o solo é todo revestido com uma lona e o local é coberto para o desenvolvimento das plantas. A irrigação é automatizada.

Forte, o mercado local floresceu com a produção de folhagens e demais plantas utilizadas para adornar jardins e enfeitar ambientes interiores

Pareci Novo pode até ser conhecida como a Cidade das Flores, mas Montenegro também não fica atrás na produção. E é no Porto dos Pereira – o último pedaço de território montenegrino antes da divisa com o município vizinho – que se concentra a maior parte dos floricultores locais.

A principal característica deste mercado é que as flores aqui plantadas são voltadas à área de paisagismo, com belas folhagens que embelezam jardins e ambientes internos por todo o estado do Rio Grande do Sul. Quem nos mostra essa rica alternativa é o floricultor Pedro Kleinschmitt que, junto da esposa, Liane Maria Loef Kleinschmitt, conduz um estabelecimento do tipo desde o ano 2000.

No caminho contrário da maioria das histórias que se vê por aí, o casal morava na Região Metropolitana – trabalhando ela num banco e ele numa indústria – até que resolveu se mudar para o interior, começando o florido empreendimento do zero. E demandou muita pesquisa e testes de adaptação das espécies ao clima, ao solo e ao comportamento dos consumidores da região até que eles chegassem ao patamar em que estão atualmente.

Hoje, a propriedade que tem quatro hectares é toda dividida em diferentes lotes (ou ambientes), com mais de 200 variedades de plantas sendo produzidas. Os nomes estranhos – como nolina, fênix, podocarpo, ráfia, chamaedórea e filondendro – acabam que pouco fazem jus à beleza de cada uma delas.
Mesmo sem comprar, só andar pela produção montenegrina já é uma experiência e tanto. “Nós fomos construindo aqui aos pouquinhos. Mas é uma realização”, destaca Pedro, orgulhoso. demais plantas utilizadas para adornar jardins e enfeitar ambientes interiores

Variedade que demanda muito trabalho
A rotina é puxada. Das 7h às 7h. “Eu sempre digo: uma planta dá mais serviço do que um animal. Tem que levar água, tem a mão de obra, tem que estar bonita, fazer adubação”, exemplifica o floricultor. Cada variedade tem condições específicas de manejo e definição da terra, com os substratos necessários para o seu desenvolvimento, o que demanda bastante atenção.

A maior parte das plantas é plantada no chão, o que diminui o custo, segundo Pedro, para a aplicação do adubo e o cuidado com os inços. A terra é preparada com substâncias – como o pó de mármore – que regulam a acidez e facilitam o enraizamento.

casal Liane e Pedro Kleinschmitt começou o empreendimento em 2000

Uma mesma espécie, por vezes, é plantada em locais e tempos diferentes na propriedade, visando atender a demanda dos compradores que precisam das folhagens com tamanhos e preços variados. Algumas chegam a ter 21 variedades diferentes sendo oferecidas. Cada uma com o seu valor.

Os Kleinschmitt contam com o apoio de dois funcionários no trabalho. Moderna, quase toda a propriedade tem sistema de irrigação automatizado. Nem todas as espécies permitem a tirada de muda. Algumas sementes são híbridas, compradas, e o replantar não garante a qualidade e a beleza da planta original.

Dos cinco reais aos quatro mil
O floricultor relata que, em seu leque de clientes, tem gente de todo o Estado. Em sua maioria, paisagistas contratados para prestar serviço em alguma residência ou empresa. O que não é absorvido por essa fatia – sobra apenas cerca de 10% da produção – é comprado pelo consumidor final de Montenegro. Com o foco local nas folhagens, Pedro explica que a maioria das lojas daqui, voltadas às flores para presentes de Dia das Mães ou dos Namorados, importam o item de fora do Rio Grande do Sul.

No Porto dos Pereira, são 4 hectares, tudo dividido em sessões de acordo com a particularidade das plantas

O valor da planta vendida no estabelecimento dos Kleinschmitt varia bastante, de acordo com tamanhos, espécies, o tempo de desenvolvimento e a beleza do item. A faixa de preço começa nos R$ 5,00 e vai até os R$ 4 mil, atendendo a todos os gostos e condições. A alta nas vendas, claro, é na estação de Primavera, que costuma animar os compradores. O consumidor sai da propriedade já com várias dicas de cuidado e aplicação da sua compra. Alguns até ligam depois, para pedir instruções posteriores.

Agricultura Mais
O Ibiá está viajando pelos quatro cantos do município para conhecer mais sobre a diversificação da agricultura e da pecuária montenegrina. Com o projeto “Agricultura Mais”, conhecemos diferentes atividades e também muita gente bacana. Tudo será mostrado aqui – na edição impressa e no portal do jornal. E um aviso: em função do feriado de Natal, a reportagem da próxima semana sairá da terça para a edição de quinta-feira. Não perca! E vem conhecer com a gente um pouco mais da nossa Montenegro!

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