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Mesmo com prédio abandonado, ainda há uma servidora que atende no IPE

Apesar da má aparência, ainda há uma funcionária que vem Porto Alegre

Embora não pareça, a agência do Instituto de Previdência do Estado (Ipe) de Montenegro, localizada na rua José Luiz, está com atendimento normalizado. Encaminhamentos e autorizações de procedimentos em saúde são alguns dos serviços prestados no local. Apesar de parecer abandonado, pelo mato que tomou conta da entrada e pelo estado deteriorado, o prédio ainda tem serventia. Uma servidora, Silvia Rosane de Oliveira, 61 anos, que há 43 trabalha para o Instituto, presta seus serviços ali.

Há alguns dias, talvez por estar com portões trancados ou pela aparência degradada, usuários acreditavam não haver expediente no local. Contudo, segundo a assessoria de comunicação do Ipergs, sempre houve funcionários trabalhando. No período de férias da colaboradora que atende na cidade, outro assistente previdenciário foi deslocado de Lajeado para o posto montenegrino. Silvia alega que, há algum tempo, no governo passado, o local realmente esteve sem atendimento e por um bom período, mas que ultimamente não. “Sempre esteve em funcionamento”, enfatiza.

O horário de atendimento, a partir da semana que vem, será de segunda a sexta-feira das 9h às 12h, no período da manhã. No turno da tarde, das 13h30min às 17h. O suporte via telefone também é realizado, mas a assistência é prioritária às pessoas que se deslocam até o local. “As ligações podem esperar. Essa é a orientação, já que apenas eu atendo aqui”, destaca.

Antigamente, o quadro de colaboradores para suprir a demanda de usuários era bem maior. A redução, acredita Silvia, é porque não há novas contratações para o setor e muitos trabalhadores que contribuíam com o órgão se aposentaram, debandada que deve continuar. “Na minha visão das coisas, isso gerou o déficit que reflete no quadro de hoje”, explica.

A falta de manutenção no gramado e na estrutura do Ipergs é resultado da falta de repasse de verbas por parte do Estado. Ou pagamento “parcelado”, conforme explica a assistente previdenciária.

Precariedade causa revolta
Dentro do prédio do IPE, a situação não está muito diferente da fachada. O forro inexiste em algumas partes da recepção, deixando muitos fios expostos. O balcão, onde os clientes devem aproximar-se para buscar informações, está desmontando. A sustentação do móvel é duvidosa.

Isolete Witt Krausen da Silva, 48 anos, busca o IPE de Montenegro para a assistência médica da sogra, de 81 anos. Ela diz que o atendimento sempre foi muito bom, e que todos os procedimentos de saúde solicitados pela família foram encaminhados. “Não sei o que seria da minha sogra sem o IPE.
Porém, é uma pena a má conservação. Espero que, da próxima vez que eu volte, esteja tudo bonito”, diz.

Miguel Ivan Leite Nascimento e Pedra Eloi de Souza Nascimento são moradores de Tabaí. Quando chegaram ao prédio do IPE, na rua José Luiz, ficaram em dúvida se realmente era o local que procuravam. “Parece abandonado, né?”, diz Miguel.

Ambos observam que, como clientes, pagam pelo serviço e merecem instalações melhores de atendimento. “Não tem um ar-condicionado e o balcão está caindo. É até perigoso, além de ser uma vergonha”, queixam-se.

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Dentro do prédio, falta até forro

Prejuízos
De acordo com Marcos Eloi Rambor, diretor geral do 5º Núcleo do Sindicato dos Professores do Rio Grande do Sul (Cpers) em Montenegro, aproximadamente 500 sócios do núcleo têm algum contato direto ou indireto com a agência do IPE na cidade.

Quando há falta de atendimento aos usuários, o diretor explica que um ofício é encaminhado para Porto Alegre, para a diretoria administrativa especializada nesse tipo de protocolo. O pedido é de solução, o que geralmente funciona, segundo Marcos, pois alguém sempre é deslocado para atendimento no município.

Quando não há expediente, para não haver prejuízos aos que precisam dos serviços e buscam por informações, ele orienta a procura das agências em São Sebastião do Caí ou em Porto Alegre. “Infelizmente, essa situação no posto de Montenegro é reflexo das dificuldades que o Estado vem enfrentado”, conclui.

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