O medo de assalto é companheiro dos taxistas

Motoristas. De táxi, caminhão ou aplicativos, eles convivem com o medo constante ao desempenhar suas atividades

Diariamente são divulgadas notícias sobre motoristas que foram assaltados, sequestrados e, muitas vezes, assassinados enquanto trabalhavam. A vida dos profissionais do volante há tempos deixou de ser tranquila. Para evitar ataques de bandidos, os condutores devem estar com um olho no volante e o outro atento a tudo que ocorre sua volta. Quem já sentiu na pele a tensão de ser assaltado dá dicas de como se agir na “mira” dos bandidos. E quem ainda não viveu a experiência conta como convive com o medo de ser a próxima vítima.

Há alguns dias, Montenegro registrou nova vítima. O homem de 65 anos, que não quer ser identificado por medo de uma possível reação do assaltante, conta que um sujeito chegou no ponto de táxi e perguntou a um colega quanto custaria uma corrida até Pareci Velho. Ao ter a informação o suposto passageiro disse que daria uma volta e retornaria mais tarde. E realmente retornou.

Por volta das 12h50min o assaltante chegou no ponto, mas como o motorista com quem havia conversado não estava no local, embarcou em outro veículo. “Ele chegou perguntando onde estava o cara com quem tinha combinado a corrida. Eu disse que ele havia ido levar um passageiro e depois ia pra casa almoçar. Ele ficou por aqui conversando e depois de um tempo disse que iria fazer a corrida comigo”, conta a vítima.

Durante o deslocamento, o homem, que vestia uma farda militar, sacou uma pistola e comunicou o assalto. “Ele disse para eu não reagir porque não queria me matar”, conta. O taxista entrou na estrada de acesso à localidade do Paquete e ficou andando com o meliante por aproximadamente 20 quilômetros. “Ele estava drogado, perguntou se eu estava nervoso e me deu um cigarro. Quando eu disse que não poderia fumar dentro do carro ele falou que ia tocar fogo no veículo”, quando a situação ficou ainda mais tensa, o motorista apelou para o lado emocional do criminoso. “Disse que se ele colocasse fogo ou levasse o carro, não teria como sustentar meus netos. Aí ele me mandou calar a boca”. O assaltante foi embora apenas com o celular da empresa e R$50,00.

Esse foi o segundo assalto sofrido pelo cidadão. O primeiro ocorreu quando ele trabalhava em Porto Alegre, ao sair do ponto da rodoviária para fazer uma corrida até Viamão. Durante o deslocamento ele percebeu a intenção dos passageiros e foi direto para uma delegacia e tudo acabou bem.

“Era pra mim. Graças a Deus ele desistiu”, diz profissional
O meliante vestido de militar também esteve no ponto de táxi em frente à rodoviária de Montenegro. Ailton Lima, 48, conta que viu a arma e desconfiou do sujeito. “Ele falou comigo, olhou para mim e para o carro e desistiu. Era para mim. Graças a Deus ele desistiu”, desabafa.

Há 13 anos Ailton atua no ramo e ao longo desse tempo já viu vários de seus funcionários serem feitos vítimas. Da última vez, em 2018, após um assalto ele teve perda total de um veículos. O funcionário foi abordado em frente a um clube, no Centro, e levado até o bairro Senai, lá ele saltou do veículo e conseguiu avisar a Polícia. A BM localizou o ladrão e deu início a uma perseguição. O bandido perdeu o controle da direção e bateu o automóvel contra o muro de uma residência.

Ailton orienta os colegas e funcionários a não reagir em caso de assalto

Ailton não lamenta a perda material. “O mais importante é a família, os bens materiais têm seguro. Sempre oriento meus funcionários a não reagirem. Em 2010 um colega acabou morto ao reagir a um assalto”, comenta. “A insegurança está sempre junto com a gente”, afirma.

Como forma de prevenção, Ailton está sempre de olho em quem vai embarcar no veículo. “Quando a corrida é longe aviso os colegas para onde estou indo e peço para o passageiro pagar a corrida adiantada”, conta.

Luciano Pasinato tem, entre outras funções, a de motorista de aplicativo. Ele, assim com grande parte dos condutores que transportam pessoas, mostra receio em relação a determinados locais solicitados pelos clientes. Para evitar problemas para si próprio, Luciano adotou um método simples. “Procuro sempre fazer corridas aqui dentro da cidade e para pessoas conhecidas”, comenta.

Perigo que ronda as estradas
Os caminhoneiros também passam pelo desafio diário de conseguir chegar aos seus destinos sem serem

Para Eduardo nas BRs o perigo de assaltos é ainda maior. Foto: Arquivo pessoal de Eduardo Garcia

assaltados. Eduardo Garcia é motorista há 14 anos e sempre que precisa sair do Estado leva consigo a insegurança na carona.

Para ele, um dos trechos de maior risco é a BR-115, a Rodovia Régis Bittencout, local onde passa com frequencia nos deslocamentos de Lajeado até São Paulo. Em 2014 ele viveu a traumática experiência de ser assaltado. O fato ocorreu quando passava por Curitiba, no Paraná. “Precisamos de mais fiscalização da PRF, mais segurança em postos e mais pontos de apoio ao motorista”, conclui.

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