Sindicato organiza atos públicos em Porto Alegre e nas regionais para quarta-feira Fotos: Carol Ferraz

Desmobilizado. No Vale do Caí, o Sindicato constata baixa adesão ao movimento nacional marcado para quarta-feira

Em assembleia na semana passada, professores e funcionários de escola decidiram aderir à Greve Nacional Unificada, a partir de quarta-feira, por tempo indeterminado. Contudo, o movimento não terá forte adesão nas cidades de cobertura do 5º Núcleo do Cpers Sindicato (Montenegro, Maratá, Harmonia, Brochier, Pareci Novo, São Jose do Sul). Assim, as escolas não irão paralisar as atividades.

“Como sindicalista, não posso não dizer que estou decepcionado”, declarou o diretor-geral do Núcleo, Marcos Eloi Rambor. Na quinta e sexta-feira ele já havia visitado educandários estaduais e dialogado com colegas, quando percebeu a indisposição da classe em aderir ao movimento. Nesta segunda-feira, o diretor segue seus contatos, mas já definiu que, se houver adesão, serão atitudes individuais.

Rambor lamenta essa postura, pois participou na semana passada do Conselho Geral, em Porto Alegre, quando percebeu o descontentamento da categoria. O Cpers acredita que é momento de mobilização geral. “Ainda falta união dos servidores e professores”, comentou.
Rambor repudiou as informações passadas pelo Governo do Estado em nota oficial. Segundo ele, a classe não recebeu nenhum reajuste real, a não ser uma reposição da inflação dos anos anteriores na ordem de 3%. O Piso Nacional não é cumprido como básico salarial, sendo aplicado como reposição, o que está em desacordo com a legislação. O vale-refeição, de R$ 165,00, está em enorme defasagem.

Eixos temáticos da greve
Contra a Reforma da Previdência, a Reforma Trabalhista, a Reforma do Ensino Médio, Pelo Cumprimento da Lei do Piso Salarial Nacional, contra as medidas do Governo Sartori e a retirada de direitos, pelo pagamento integral do 13º Salário, contra o parcelamento e arrocho salarial, pela manutenção do IPE público e de qualidade, pela manutenção dos direitos dos trabalhadores e contra a terceirização.

Governo apresenta reajustes que concedeu
O Governo do Estado respondeu ao movimento dos professores em nota oficial na qual classifica a postura neste início de ano letivo com inoportuna e define a assembleia como “ato de um grupo de sindicalistas”. A Secretaria da Educação argumenta que uma greve afetará diretamente a comunidade escolar e os mais de 900 mil estudantes.

“O país enfrenta uma recessão econômica sem precedentes, o que impacta diretamente o Rio Grande do Sul, que atravessa a maior crise econômica de sua história”, diz o texto. O Governo argumenta ainda que, mesmo neste cenário, pagou o completivo do piso do magistério referente ao período de 2015 a 2017. O impacto foi de R$ 200 milhões ao ano.
Lembrou ainda que, nos últimos meses de 2016, fez outro esforço para pagar a alteração de nível dos professores, resultando novo aumento de R$ 25 milhões/ano na folha de pagamento. “A Secretaria da Educação confia que os nossos professores estaduais permanecerão em sala de aula, em respeito aos alunos e à comunidade escolar.”

Movimento agora é nacional
O movimento gaúcho soma-se à Greve Nacional da Educação, chamada pela Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação. Nesta quarta-feira estão previstas paralisações e atos por todo país. Na assembleia do Cpers também foi aprovado um calendário de ações com o objetivo de pressionar os deputados federais e estaduais a votar contra a Reforma da Previdência e projetos que estão na Assembleia como parte do pacote de equilíbrio da economia do governo Sartori. “Vamos conversar com os colegas, implementar as propostas de mobilização aprovadas, para construir com mais força a greve”, declarou a presidente Helenir Aguiar Schürer.

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