Para muitos, o casamento é um sonho, como foi o caso da Luisa e do Ariel que, como narrou o Jornal Ibiá na época, casaram-se em fevereiro com a noiva usando o vestido da mãe, que fora guardado por 36 anos para a ocasião. Momento bonito e de muita emoção, mas que, como demonstra a pesquisa do IBGE, por ‘N’ razões, acaba não sendo a opção de todos. FOTO: ARQUIVO/JORNAL IBIÁ

Levantamento do IBGE traz os dados de Registro Civil dos municípios brasileiros

No mês passado, o Ibiá contou a história do casamento coletivo organizado pelo Cejusc de Montenegro, que oficializou o matrimônio de 58 casais. Dentre eles, dos jovens Geisa dos Santos e Marcos da Silva, que, com 18 e 19 anos de idade, aproveitaram a oportunidade para selarem sua união no papel. Lá também conhecemos dona Eloisa, 59, e seu Vanir, 63, que moravam juntos há mais de duas décadas e, só então, resolveram que era hora do casamento.

Um mostra que, independentemente da realidade, o “casório” ainda é, sim, a opção de muitos. Mas dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) evidenciam que a procura pela oficialização está diminuindo. Nas Estatísticas do Registro Civil 2018 divulgadas recentemente, a entidade mostra que, em Montenegro, foram 238 casamentos registrados no ano passado: uma queda de mais de 2% na comparação com 2017.

O fenômeno, aliás, é pouco acima da média nacional. Olhando o Brasil todo, o IBGE apontou uma redução de 1,6% nos casamentos, fato que vem se acentuando ano após ano. No cartório montenegrino foram 275 casamentos em 2015, 248 em 2016 e 243 em 2017. A diminuição é explicada por uma série de fenômenos: desde o cultural, de pessoas que já não dão tanta importância como no passado ao matrimônio; até a situação da economia, que pouco cresceu nos últimos anos.

Quase um divórcio para cada três casamentos
O IBGE também calcula a quantidade de divórcios registrados no período. Em Montenegro, foram 90 em 2018, o que equivale a pouco menos de um terço do total de casamentos.

Na média, portanto, pode-se apontar que, a cada três casamentos, um acaba terminando em divórcio por aqui. O que os dados também indicam é que a média de divorciados vem se mantendo parelha no município ano após ano. Foram 92 em 2016, 89 em 2017 e, então, os 90 em 2018.

As coisas estão diferentes a nível nacional. Segundo as Estatísticas do Registro Civil, a opção pelo divórcio cresceu 3,2% de 2017 para 2018: cerca de 12 mil a mais. Já o tempo entre a formalização do casamento e o fim dele diminuiu, chegando a média de 14 anos (em 2008, era 17). Dos divorciados no ano passado, 8% dos casamentos desfeitos não chegou nem a passar dos dois anos.

Ainda pelos dados nacionais, a gerente da pesquisa, Klívia Oliveira, chama a atenção para o fato de que, do total de divórcios, 54,4% foram entre casais com filhos menores de idade. “Isso mostra que filho realmente não segura casamento”, aponta a pesquisadora. Embora o índice esteja baixando, na grande maioria das situações, é a mãe que fica com a guarda da criança.

Casamento homoafetivo ainda é pouco buscado
Nacionalmente, houve um crescimento considerável, de 61,7%, nos casamentos homoafetivos, entre pessoas do mesmo sexo. 9,5 mil casais formados por dois homens ou duas mulheres oficializarão sua união no país em 2018. A incerteza em relação às eleições presidenciais foi um dos fatores citados por quem decidiu casar no período, incentivados por um receio de que a união, autorizada somente a partir de 2013, voltasse a ser irregular.

Mas em Montenegro, a procura pela união homoafetiva ainda é baixa. Mesmo após a autorização, o primeiro casamento do tipo só foi oficializado em 2015, com o casal Angélia e Fátima Moretti. Desde então, foram só mais três: dois em 2016 e um em 2018. Destes quatro, dois são casais de homens e dois são casais de mulheres.

“O número da morte”
A pesquisa do IBGE, ao analisar os registros feitos, também olha para as relações de nascimentos e óbitos. Em Montenegro, foram 1.352 bebês montenegrinos registrados; em 2017, 1.418; e, em 2018, 1.427. Mas o que chama mesmo a atenção é nos dados das mortes. Tanto em 2016 quanto em 2017 morreu a mesma quantidade de montenegrinos (pessoas registradas como de Montenegro na certidão de nascimento). Foram 668 óbitos em cada ano: 668 em 2016 e 668 em 2017. Só o que muda, mesmo, é a situação da morte. Em 2016, foram 553 no hospital, 96 em casa e o restante de morte não natural. Já em 2017, foram 562 no hospital e 90 em casa. Curioso, não!? Em 2018, foram 499 montenegrinos mortos (412 em hospital, 77 em casa e o restante em acidentes, mortes violentas, etc).

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