No sábado, 7, primeiro dia de evento, uma oficina de forja foi realizada no CTG Estância do Montenegro

Exposição. Cuteleiros, apreciadores da tradição e comunidade montenegrina participaram do evento, realizado no CTG Estância, no último final de semana

No fim de semana, dias 7 e 8, o 1º Encontro de Cutelaria do Vale do Caí foi realizado no CTG Estância do Montenegro. Reunindo aproximadamente 30 expositores no sábado, ele aproximou cuteleiros, mantendo viva a tradição. A organização foi do CTG, em parceria com a Prefeitura Municipal, e contou com o apoio da Associação Gaúcha de Cutelaria. Expositores de diferentes partes do Estado marcaram presença, com diversos modelos de facas, adagas e acessórios, além de atrações como oficina de forja, esclarecimentos sobre as produções e afiação correta.

Moradores de Estância Velha, Tânia Mara Becker e José Márcio Pereira participaram do Encontro de Cutelaria

Moradores de Estância Velha, Tânia Mara Becker e José Márcio Pereira participaram do encontro. Com expositor e venda de facas artesanais no local, contam que trabalham no ramo há aproximadamente 10 anos. “Mas para mim é um hobbie, não faço profissionalmente. A cutelaria é muito tradicional no Estado, e o Rio Grande do Sul está se tornando um pólo de referência. E os eventos, feiras, são bons para as pessoas conhecerem toda a arte e tradição envolvida”, salienta José.

“É uma profissão antiga, quase esquecida, porque hoje em dia é tudo industrializado. As pessoas não sabem quanto suor e batidas de ferro custam para fazer uma faca artesanal, por exemplo, quando vão ao mercado comprar”, complementa Tânia.

Sobre o tempo de produção, o casal informa que depende muito do processo. Uma faca com dois aços envolvidos na fundição tem um custo mais elevado pela complexidade para gerá-la. “Durante a produção, é preciso respeitar os prazos, deixar o aço descansando por certo tempo. Mas uma faca simples, leva em torno de 12h para ficar pronta”, pontua José.

O presidente da Associação Gaúcha de Cutelaria, Marco Borchardt, 37 anos, salienta que o Estado é o “celeiro” da cutelaria nacional. “De uns três anos para cá, a cutelaria deu um “boom” e tem crescido bastante no Brasil. E há, atualmente, sete eventos fixos do tipo no país”, explica.
Marco também destaca a importância de promover eventos, tanto para cuteleiros quanto para a comunidade. “Ajuda a divulgar os trabalhos realizados e proporciona o entendimento da cultura ao público. Ajuda a esclarecer, divulgar e dar continuidade à tradição”, conclui.

Objetivo é tornar evento tradicional na cidade e referência no Vale
Michele e Renato Westhauser prestigiaram o evento no sábado. Renato é cuteleiro montenegrino há um ano, porém não participou expondo por ter poucas peças produzidas. Segundo ele, há poucos cuteleiros em Montenegro, aproximadamente três. “Tudo muito organizado, os cutelereiros bem informativos, esclarecendo”, diz Michele.

Para a diretora municipal de Cultura, Priscila Nunes, o objetivo é tornar o encontro tradicional na cidade e referência no Vale do Caí. “Torná-lo anual dentro do calendário de eventos. E a previsão é de que seja realizado sempre em maio, mês de aniversário do município”, termina.

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