No primeiro encontro, os detentos tiveram contato com a obra que permanecerá com eles nos próximos dias

começar uma nova história. Na Penitenciária Estadual de Montenegro, projeto já começou

Agora é pra valer! O projeto de Remição de Pena pela Leitura teve sua aula inaugural no Instituto Penal de Montenegro na tarde dessa quinta-feira, 3. Ao todo, 11 dos 72 apenados aderiram, voluntariamente, à iniciativa, que além de diminuir o tempo que passarão no regime, lhes dará uma visão diferente sobre o mundo e a forma de levar a vida daqui para a frente. Na Penitenciária Estadual Agente Jair Fiorin (Modulada), o projeto começou no dia 30 de setembro.

A remição pela leitura integra as ações de educação, voltadas a apenados, prevista na portaria 033/2019, publicada no dia 28 de março. A iniciativa de implementar o projeto, no Instituto Penal de Montenegro, surgiu da assistente social especializada em Segurança Pública, da 1ª Delegacia Penitenciária Regional, Iarani Augusta Galúcio Rocha. Já na Penitenciária Estadual de Montenegro, a proposta teve andamento graças ao setor técnico.

A responsável pelo desenvolvimento prático do projeto é a professora aposentada Ana Maria Antunes. Ela irá se reunir mensalmente com os detentos que aderiram ao projeto e indicar a obra que deve ser lida. Eles terão 21 dias para realizar a leitura e elaborar um material interpretativo. No término do período haverá um novo encontro onde será feita a mostra do que foi compreendido. O leitor poderá optar por fazer uma apresentação oral ou por escrito. “Vou me ater ao regulamento do projeto, mas quero fazer além. A literatura transforma para melhor e quero passar isso para eles”, diz a voluntária.

Depois que os “alunos” tiverem cumprido a tarefa, a orientadora fará um relatório a ser encaminhado à Vara Judicial, informando o resultado e as horas empregadas pelos detentos em relação aos livros. A partir disso, será arbitrada a remição do tempo da pena.

A primeira fonte de leitura é a obra A História de Fernão Capelo Gaivota, de Richard Bach. Conforme a educadora, o livro trata sobre crescimento pessoal e mostra que todos os limites podem ser superados, por aquele que tem um objetivo e lutam para alcançá-lo.

O diretor do Instituto Penal de Montenegro, Nairo Resta Ferreira, espera que, por meio da leitura, os apenados passem a ter um comportamento diferente em relação ao convívio social. “A gente tem que tentar fazer um trabalho diferente. Fazer com que saiam daqui diferentes”, destaca. “O ciclo de vida deles é bem complicado. Estamos tentando montar um ambiente diferenciado para que saiam daqui pensando de outra forma”, complementa o diretor.

Tanara Prado Machado, diretora da Modulada, ressalta que há tempos se buscava um professor voluntário. “A expectativa dos detentos era grande”, comenta. A mobilização de Florêncio Castilhos, através do Conselho da Comunidade, tornou possível o contato com Ana, que prontamente atendeu o chamado. Ela é responsável por ministrar os encontros nas duas instituições prisionais.

Ler para escrever um futuro com oportunidades diferentes
A esperança de que os livros tenham papel transformador em sua vida está presente nos sentimentos do apenado C.G.C., de 46 anos. Ao concluir o acerto de contas com a Justiça, ele pretende focar em um horizonte onde as oportunidades não lhe sejam negadas por conta do seu passado. Mas acelerar o processo de liberdade não foi o único motivo que o fez se inscrever no projeto. “Tenho o hábito da leitura. Já li 11 livros aqui dentro. Gosto de literatura que me dá esclarecimento e melhora como indivíduo”. M.F., de 38 anos, conta que não costumava ler com frequência, mas está aberto à experiência. “É bom ocupar a cabeça”, diz.

Para o diretor do Instituto Penal, Nairo Ferreira, O número de interessados no projeto é satisfatório, tendo em vista que é algo desconhecido por eles. “É um número baixo por ser novo. E muitos trabalham, chegam cansados. Então 11 é um bom número”, avalia.

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