A comissão encarregada do impeachment do Prefeito Luiz Américo Aldana retomou os trabalhos às 13h. Como o chefe do executivo estava sem defesa, apresentou-se na Câmara a advogada Luzia Burin Coitinho, que então foi nomeada advogada do Prefeito durante essa audiência.

O primeiro depoimento, ouvido agora no começo da tarde, foi do ex-secretário de obras públicas Edar Borges Machado, que atualmente é Chefe de Gabinete do prefeito em exercício, Carlos Eduardo Müller.

Edar falou da sua experiência à frente da Secretaria de obras Públicas (Smop) durante 2016. Questionado, fez uma série de relatos graves a respeito do andamento dos processos dentro da administração municipal. Segundo ele, muitas vezes os processos, mesmo inerentes a obras públicas, ou de serviços que competiam à Smop, sequer passavam pela secretaria, sendo encaminhados diretamente entre o gabinete do prefeito e Secretaria Municipal de Gestão e Planejamento, a cargo de Evandro Machado e do departamento de Licitações da Prefeitura.

Ele disse também que, por várias, vezes alertou o executivo sobre irregularidades na Administração Municipal e que não tem conhecimento de que alguma providência tenha sido tomada em relação a estas denúncias. Também afirmou que no fim, em virtude dos encaminhamentos ao Prefeito relatando essas irregularidades, passou a ser considerado uma espécie de estorno no governo, a tal ponto de, no início desse ano, o próprio Aldana lhe solicitasse exoneração do cargo, o que fez mesmo contrariado.

O ex-secretário também afirmou que participou de reuniões a portas fechadas entre o senhor Valter Robalo e o representante de uma empreiteira do município, em que teria sido solicitado que agilizasse os pagamentos de valores que a prefeitura devia para essa empresa. Essa prática caracteriza, na opinião do secretário, tráfico de influências.

De acordo com o ex-secretário, grande parte dos processos envolvendo a secretaria de obras, eram gerenciados diretamente pelo engenheiro arquiteto Ricardo de Albuquerque Melo, que tinha confiança plena do chefe do executivo. Então, muitas vezes, nem passavam pela mesa do secretário as demandas que eram encaminhadas diretamente pelo Gabinete do Prefeito. Segundo Edar Borges Machado, Luiz Américo Aldana se cercou de um grupo muito fechado, constituído pelos assessores Gilson Hartmann, Adão Vargas Aloy, Valter Robalo e o próprio Evandro Machado. “Muitas vezes eu entrava na sala e o assunto simplesmente encerrava”, disse. Na opinião do ex-secretário de obras, o Prefeito tinha plena ciência de todas as irregularidades que estavam acontecendo no governo, uma vez que assinou os processos encaminhando as obras demandadas.

Na sequencia, a comissão ouvirá o depoimento do ex-procurador geral do município Marcelo Augusto Rodrigues. Em breve mais informações.

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