Valores têm apertado o orçamento dos motoristas

Impostos e cotação internacional do petróleo seguem pressionando os preços

Desde o final de semana, o montenegrino já encontra a gasolina comum por mais de R$ 5,00 nos postos da cidade. A ultrapassagem da marca simbólica ainda não chegou a todos os estabelecimentos, mas não está passando longe. Em levantamento da reportagem feito na manhã dessa terça-feira, dia 16, o valor mais baixo encontrado dentre os 13 estabelecimentos visitados foi R$ 4,92. O mais caro já chega a R$ 5,09. A média está em exatos R$ 5,00.

“Tem que o governo criar vergonha na cara”, desabafa o taxista Roberto Santos, que tem visto as recentes altas impactarem diretamente em sua rotina de trabalho. “E reduzir o consumo não tem como, porque isso vai do nosso cliente. Tem que dançar conforme a música”. O motorista gasta cerca de R$ 250,00 por semana com o combustível.

O principal fator da disparada no preço está na sequência de reajustes feitas pela Petrobras no preço de saída das refinarias. Estamos em fevereiro e, só neste ano, já foram três – o último na segunda-feira passada, dia 8, com um aumento de R$ 0,17 por litro de gasolina. Em nota, a estatal explicou que os preços praticados têm como referência a paridade de importação do petróleo e, assim, acompanham as variações de valores no mercado internacional e a taxa de câmbio, para cima e para baixo.

E o petróleo tem só ido pra cima. Não bastasse o câmbio, com o dólar em alta em relação ao real, a nível mundial, o commodity tem tido seu preço pressionado por tensões no Oriente Médio, onde ficam algumas das principais reservas do planeta. Por lá, tem ocorrido disputas entre forças da Arábia Saudita e aliadas a um grupo de rebeldes iranianos; que vem alimentando o temor no mercado e alavancando os preços. Pode até subir mais. O barril do tipo Brent, que é a referência de preço global, passou dos 63 dólares em Londres nessa segunda-feira, o valor mais alto em treze meses e o quarto mais alto em cinco anos.

Ainda que com menos força, outro fator que está influenciando o preço é o avanço da vacinação contra a Covid-19. Sim! É que, com ela, há uma projeção de aumento no consumo dos combustíveis, com mais pessoas se deslocando e aumentando a demanda. Também faz o preço subir. Aí é alta nas refinarias, alta pras distribuidoras, alta pros postos e, por fim, ao consumidor final. Em nível estadual, segundo a Agência Nacional do Petróleo, o aumento médio da gasolina foi de R$ 0,29 entre os dias 7 e 13 de fevereiro.

Impostos em pauta

Com os fatores externos fazendo o preço subir e a pressão de uma possível greve dos caminhoneiros – o fenômeno também afeta o diesel – o governo federal editou e enviou para o Congresso um projeto de lei que mexe num dos maiores custos que estão agregados ao preço cobrado pelo combustível do consumidor final: o ICMS.

Hoje, esse imposto estadual é cobrado no sistema de substituição tributária. Incide em 30% no Rio Grande do Sul sobre um valor de pauta, que é um preço médio estimado de venda ao consumidor e atualizado quinzenalmente pelas receitas estaduais. A nova proposta é recolher o ICMS uma única vez, nas refinarias, num valor que seria fixado em reais e cobrado por litro – em montante padrão para todo o País – com atualizações trimestrais. A alteração ainda tende a enfrentar certa resistência dos governadores; que terão sua arrecadação tributária afetada.

Em paralelo, a equipe econômica do governo Bolsonaro informou que também estuda uma forma de reduzir o PIS e o Cofins – esses sim, tributos federais – da gasolina. Eles representam cerca de 17% do custo final do produto. Ambas as mudanças no cálculo dos tributos são discussões antigas, mas que ainda não tiveram um resultado efetivo.

Impacto também no gás
Assim como os outros combustíveis, o gás de cozinha também é um commodity que tem seus preços determinados no mercado global pelos movimentos de oferta e demanda. E esse produto tão importante para as famílias vem tendo seu preço impactado pelo mesmos fatores que estão encarecendo a gasolina: o câmbio e a cotação internacional do petróleo.

Também no início da semana passada, eles passaram por reajuste vindo da Petrobras para a sua saída das refinarias: uma alta de R$ 0,14 a mais pelo quilo que refletiu nas distribuidoras e vem chegando nas revendas. Em Montenegro, o preço médio do gás de 13 quilos já está em torno dos R$ 80,00 para quem retira direto nos depósitos.

Alta também vem sendo sentida nas revendas do gás de cozinha

“Desde maio do ano passado, a gente vem sofrendo reajustes todos os meses”, conta o revendedor Cauê Vargas. “Já subiu em torno de R$ 22,00 o preço de custo e todas as revendas estão perdendo margem para não repassar tudo isso para o consumidor. Cada vez está diminuindo mais a nossa fatia; e os nossos custos, por trás, só aumentam.”

O empresário diz que, além de tentar absorver parte dos reajustes, há três anos não repassa em seu preço os aumentos com gasolina, folha de pagamento e demais despesas da operação da revenda. “Com esses reajustes, os revendedores estão, cada vez mais, prejudicando o seu fluxo de caixa e a sua estrutura em si”, lamenta. A nível nacional, o gás de cozinha encerrou o ano passado com alta de 9,24%, segundo o IBGE. O índice é mais que o dobro da inflação do período (4,52%).

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