Atividade com este tipo de artefato é comum na Esfes, com simulações de cerco e dispersão. Foto: Arquivo Jornal Ibiá

Manifestações fora de controle motivaram curso em Operações de Choque

Na manhã de ontem, uma fumaça preta próximo ao Cais do Porto chamou a atenção dos montenegrinos. Felizmente, não era incêndio. Assim como em 2014, a Brigada Militar promove, até o dia 14 de junho, o Curso de Especialização em Operações de Choque (CEOC), com a participação de 25 oficiais. O treinamento ocorreu na Escola de Formação e Especialização de Soldados (Esfes) de Montenegro, e o que foi visto era efeito das bombas de efeito moral, usadas para dar realismo.
A atividade tem como objetivo qualificar e especializar o efetivo para ações em controle de distúrbios, buscando o restabelecimento da ordem pública em casos de grandes manifestações. Mas, a técnica visa também preservar a integridade física das pessoas e patrimônio público e privado. Após as manifestações – algumas violentas – que se tornaram rotina no Brasil, a PM gaúcha sentiu a necessidade de qualificar sua corporação.
A instrução dura 45 dias em regime de dedicação exclusiva e com carga horária de 500 horas-aula. Novidade nesta quarta edição é a presença de agentes de outro país da América Latina, com representantes da Argentina, bem como outros quatro estados brasileiros: Amapá, Mato Grosso, Paraíba, Tocantins, além do Rio Grande do Sul. Ao todo, a corporação já formou mais de 100 oficiais em operações de choque.
O coordenador do CEOC, major Cesar Augusto Guindani, reiterou que “a doutrina de operações de choque tem se difundido em todo Brasil, principalmente a partir das manifestações de 2013”. Diante disso, a BM tem se preparado para dar uma resposta adequada, garantindo a segurança dos envolvidos e da sociedade em geral. “É um curso completo, realizado em diversos Estados do Brasil, e que unifica a doutrina na área”, concluiu.

alunos-soldados representaram confronto com realidade máxima

Visitantes elogiam o curso realizado em Montenegro
Para o capitão da Polícia da PM argentina, Marcos Mathias Linell, essa está sendo uma grande experiência. “Todas as atividades são muito satisfatórias e certamente os conhecimentos serão repassados, qualificando o efetivo em meu país”, ressaltou. Do extremo norte do Brasil, o representante da Polícia Militar do Amapá, tenente William Bastos, enfatizou que “a atividade choqueana exige muito preparo emocional por parte do comandante e do efetivo”.
Ele comentou que neste curso realizado no Rio Grande do Sul os participantes estão aprendendo a importância da técnica aliada a uma boa tática. Isso faz com que uma manifestação violenta seja dispersa de forma mais eficaz, restabelecendo a ordem pública. A formatura de conclusão será realizada dia 13 de junho, no 1º Batalhão de Operações Especiais, em Porto Alegre.

Disciplinas do curso
Direitos humanos e legislação, técnicas de confronto, simulações de operações, primeiros socorros e manobras integradas de tropas a pé, a cavalo e cães.

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