Rio grande do sul tem mais de 11 milhões de habitantes e menos de cinco mil policiais civis

Preocupante. Essa é a palavra certa para definir a situação da Polícia Civil no Estado do Rio Grande do Sul. Por aqui, o déficit no policiamento chega a 50%, conforme dados da Secretaria de Segurança Pública. Delegacias de cidades pequenas chegam a dispor de apenas um servidor. Na regional do Vale do Caí, a falta de efetivo é driblada com ações de inteligência e parcerias.

A instituição tem previsão de 9,6 mil servidores e, hoje, conta com apenas 4.851 policiais. Um número bem abaixo do que já contou, por exemplo, em 1980, quando a Polícia Civil contava com um quadro de 6,5 mil policiais e o estado tinha 7,5 milhões de habitantes. Hoje, o Estado tem mais de 11 milhões de habitantes e menos de 5.000 policiais.

Com tamanho déficit, a finalidade primeira da Polícia Civil, que é a investigação, muitas vezes, fica em segundo plano. O trabalho de investigação disputa tempo com o atendimento de ocorrências, intimações e outros. A sobrecarga também impacta na escala de trabalho dos policiais, o déficit de pessoal já dá sinais de que pode afetar a escala de 12/24, 12/72.

Com a redução do quadro de servidores, também a prática do sobreaviso tem retornado com força em várias delegacias. O quadro em algumas delegacias é de quase inviabilização do funcionamento. As Delegacias com apenas um policial já são comuns no interior do Estado. O último levantamento, da Secretaria de Segurança Pública, apontava no início desse ano um total de 87 municípios com apenas um (a) policial civil.

Marcelo Pereira Farias é o titular da Delegacia Regional do Vale do Caí. Foto: Arquivo Jornal Ibiá

Por uma questão estratégica, o delegado titular da Delegacia Regional do Vale do Caí, Marcelo Pereira Farias, não revela o número que envolve o déficit por aqui, mas confirma que há semelhança com a falta de profissionais vista em grande parte do RS. “Esta é uma realidade que tem se mantido mais ou menos estável, pelo menos nos últimos 14 anos. Desde 2014 a variação de efetivo tem variado em torno desses cinco mil agentes. É obvio que a Chefia tem trabalhado para melhorar isso, mas não é uma tarefa simples”, relata o delegado.

Para o delegado, fica claro que os servidores tentam “fazer mais com menos”. “Existe o esforço extra por arte de todos os servidores”, comenta. Em muitos casos, como durante o período de férias, e durante o deslocamento de presos para as penitenciárias, agentes de outras delegacias são designados a prestar serviço e garantir o atendimento na DPPA (Delegacia de Polícia de Pronto Atendimento). Já em ações contra a criminalidade, também é visto o movimento conjunto das forças policiais para assegurar o cumprimento das atividades. “Eu entendo como gestor que há necessidade de novos concursos para que ocorra o acréscimo de pessoal. Mas, além disso, devemos usar o serviço de inteligência. Um trabalho integrado com Brigada Militar, Guarda Municipal e Conselho Tutelar gera um resultado mais eficiente”, defende Marcelo.

Contudo, ter mais policiais daria andamento a uma série de inquéritos que, hoje, encontram-se parados nas delegacias. A previsão da formatura dos novos agentes, no mês de junho, traz esperança do aumento do quadro de servidores na Regional. Porém, algumas questões colocam essa possibilidade em risco. “Uma das características do Vale do Caí é que o servidor que sai da Acadepol não quer ficar aqui, ele busca outras regiões”, explica. O fato ocorre por que, em geral, são pessoas de outras regiões do Estado que vem para cá por não conseguirem vagas para atuar na área próxima às suas cidades de origem.

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