11 regiões estão em bandeira preta

Apesar da classificação de risco altíssimo para a Covid-19, o sistema de cogestão foi mantido pelo governo, e Montenegro segue protocolos da bandeira vermelha

No momento mais grave da pandemia da Covid-19 no Rio Grande do Sul, 11 regiões ficaram em bandeira preta no mapa da 42ª rodada modelo de Distanciamento Controlado do governo do Estado. Dentre elas está a Região 8, da qual fazem parte Montenegro, Pareci Novo, Maratá, Brochier etc. Essa foi a primeira vez que a R8 entrou em bandeira preta desde o início do modelo. Nesta segunda-feira, 22, o Gabinete de Crise decidiu indeferir os pedidos regionais de reconsideração. Com isso, o mapa definitivo permanece com 11 regiões em bandeira preta, que somam 68,4% da população gaúcha em situação de risco altíssimo para esgotamento da estrutura hospitalar e velocidade de propagação de coronavírus.

Além da Região 08, Canoas, as que também entraram na bandeira preta são: Caxias do Sul, Capão da Canoa, Taquara, Novo Hamburgo, Porto Alegre, Palmeira das Missões, Erechim, Passo Fundo, Santa Cruz do Sul e Lajeado. Até então, o RS só havia tido duas rodadas com bandeira preta: na 32ª semana (de 15 a 21 de dezembro), com duas regiões, e a última, na 35ª rodada (de 5 a 11 de janeiro), com uma bandeira preta.

Na sua live de atualizações desta segunda, o governador Eduardo Leite, relatou estar preocupado com a propagação da Covid-19 em solo gaúcho e pediu pela colaboração da população para que o vírus circule menos. “A taxa de ocupação das UTI’s é de 86% no Rio Grande do Sul. É o maior nível que a gente registra desde que teve início a pandemia”, diz.

Em julho, o RS tinha em média um aumento de 64 pacientes por dia em leitos clínicos e de UTI. Na segunda onda, eram em média 67, na mesma base. Agora, já são 170 pacientes sendo internados em média por dia, nos últimos 10 dias.

Cogestão é mantida

Uma opção para frear a propagação do vírus no Estado era a suspensão do sistema de cogestão do Distanciamento Controlado – na qual as regiões que decidirem aderir podem adotar protocolos próprios desde que não menos restritos que os protocolos da bandeira anterior (por exemplo, regiões em bandeira preta podem adotar protocolos de bandeira vermelha). Entretanto, em reunião com a Famurs e associações regionais, realizada nessa segunda-feira, os representantes pediram pela manutenção da cogestão e o pedido foi acatado pelo Gabinete de Crise.

Desse modo, as regiões que estiverem em bandeira preta, fizerem parte da cogestão e tiverem os protocolos da bandeira vermelha podem aderir à classificação mais branda, como é o exemplo da Região 8. Ao todo, 17 municípios desta região podem adotar os protocolos regionais e poderão seguir as regras da bandeira vermelha. Dentre eles estão: Montenegro, Brochier, Maratá e Pareci Novo.

A decisão deixou o prefeito Gustavo Zanatta satisfeito. Ele se mobilizou junto com os demais chefes de Executivo da Região 8 para manter o sistema de cogestão e assegurar a manutenção das atividades do setor produtivo. Mesmo assim, chama a atenção para a gravidade do momento. “Os nossos hospitais estão cheios e a capacidade de atendimento na Secretaria da Saúde alcançou o limite. Se todos tivessem colaborado um pouco mais, o quadro provavelmente seria outro”, ressalta.

De acordo com o governador, Eduardo Leite, a cogestão foi mantida mediante algumas alterações e maiores restrições. Uma delas foi a ampliação do horário da suspensão geral de atividades, que havia sido anunciada na sexta-feira, 19, com início a partir das 22h. Agora, o horário passa a ser desde as 20h, incluindo as mesmas atividades.

A outra medida anunciada pelo governador é a necessidade de as associações regionais e prefeituras atualizarem seus planos regionais de cogestão, incluindo um detalhamento de como se dará a fiscalização nos municípios. A intenção é coibir aglomerações, o descumprimento da suspensão geral de atividades e outras medidas necessárias para conter a disseminação do vírus. “Ser governador do Estado não significa impor unilateralmente, mas também liderar esse processo chamando todos os outros agentes”, explica Leite.

Ainda nesta semana, o governo do Estado convocou uma nova reunião, para quinta-feira, 25, com a Famurs e as associações regionais para reavaliar a situação e o cumprimento das medidas.

Ensino presencial na bandeira preta

O governo do Estado acatou pedido dos prefeitos para a manutenção das aulas presenciais na bandeira preta para a Educação Infantil e os 1º e 2º anos do Ensino Fundamental. Para os demais níveis de ensino, as atividades presenciais seguem proibidas em regiões com bandeira preta, ressaltando que as atividades de ensino presencial não podem ser definidas pelo sistema de cogestão regional. Ou seja, mesmo que a Região 8 siga protocolos da bandeira vermelha, na educação essa flexibilização não existe.

Material didático que seria entregue aos alunos está sendo buscado por pais

O anúncio de que a Região 08 estava em bandeira preta e a não possibilidade do retorno das aulas pegou de surpresa alguns gestores da educação. De acordo com o diretor do Colégio Sinodal Progresso de Montenegro, Lório Schrammel, 97% dos estudantes matriculados na escola participariam do retorno presencial das aulas programadas para segunda-feira, dia 22. “Tínhamos nos preparado (para o retorno presencial). Fomos surpreendidos e tivemos que mudar nossos planos”, contou Lório. Com isso, o início do ano letivo 2021 se deu como se encerrou o de 2020: de maneira remota. Além disso, a escola organizou um drive-thru para entrega do material didático.

Segundo o gestor escolar, a adaptação para o início do ano letivo com aulas remotas não foi difícil em razão da experiência adquirida no ano passado. Lório conta que os professores que trabalham na escola puderam optar por dar aula de casa ou usar a estrutura do colégio, que conta com 16 salas preparadas com câmera e microfone.

Diego Hepp diz que a tecnologia é uma forma alternativa de se haver interação entre aluno e professor, mas espera voltar a ter os estudantes junto na sala de aula

Um dos educadores que optou por ir até a escola para realizar as aulas remotas foi o professor de Biologia Diego Hepp. No intervalo entre aulas, ele comentou que a tecnologia disponível é uma via alternativa de ensino que possibilita a interação entre aluno e professor, mas que aguarda a volta aos encontros presenciais.

Sobre a mudança de última hora do início do ano letivo presencial para o remoto, o professor observou que as estruturas necessárias para as aulas à distância ocorrerem já estava preparada e, com isso, é possível desenvolver um bom trabalho. “Ano passado nos organizamos e aprendemos a forma de ensino remoto. Buscamos dar o nosso melhor”, reforçou.

Confira o que vale na bandeira vermelha:

Educação: As atividades de ensino presencial não podem ser definidas pelo sistema de cogestão regional. Aulas presenciais na bandeira preta só são permitidas para a Educação Infantil e os 1º e 2º anos do Ensino Fundamental. Para os demais níveis de ensino, as atividades presenciais seguem proibidas em regiões com bandeira preta.

Serviço público: No serviço público, apenas áreas da saúde, segurança, ordem pública e atividades de fiscalização atuam com 100% das equipes. Serviços de política e administração de trânsito atuam com 75% dos trabalhadores (ou normativa municipal). Os demais serviços atuam com no máximo 50% dos trabalhadores presencialmente.

Restaurantes: Nos serviços em geral, restaurantes a la carte ou com prato feito (em beira de estradas e rodovias) podem funcionar com 50% da equipe de trabalhadores e 50% da lotação. Em lanchonetes, lancherias e bares, estão permitidos 50% dos trabalhadores e 25% da lotação, assim como restaurantes a la carte, prato feito e buffet sem autosserviço. Já restaurantes apenas de autosserviço (self-service) devem permanecer fechados. Salões de cabeleireiro e barbeiro podem trabalhar com até 25% dos trabalhadores, com atendimento individualizado e distanciamento de 4m entre clientes;

Comércio: Comércios atacadista e varejista de itens essenciais e não essenciais, seja na rua ou em centros comerciais e shoppings, podem funcionar de forma presencial, mas com restrição de uma pessoa para cada 6m² – entre trabalhadores e clientes –, até às 20h.

Lazer: Parques temáticos, zoológicos, parques de diversão, parques aquáticos, museus, centros culturais ou similares podem atuar com 50% de trabalhadores e 25% de público. Teatros, casas de show, circos e simulares podem ter 50% de lotação, com distanciamento mínimo de 1m. Cinemas devem permanecer fechados, assim como ateliês, eventos sociais, reuniões corporativas, congressos e similares.

Academias: Academias, centros de treinamento, quadras, clubes sociais e esportivos podem funcionar com 25% de trabalhadores e 25% da lotação.

Locais públicos abertos: Parques, praças, faixa de areia e mar devem ser utilizados somente para circulação, respeitado o distanciamento interpessoal e o uso obrigatório e correto de máscaras. É proibida a permanência nesses locais;

Eventos religiosos: Missas e serviços religiosos podem operar com 20% do público ou no máximo 30 pessoas. Festejos e procissões religiosas estão vedados.

Bancos e lotéricas: Podem realizar atendimento individual com 50% dos funcionários;

Transporte coletivo: No transporte coletivo municipal de passageiros, é permitido 50% da capacidade total do veículo. Em serviços de transporte coletivo de passageiros metropolitano no tipo comum, é permitido 70% da capacidade total do veículo. Em relação ao transporte rodoviário interestadual de passageiros, está permitido 50% do uso dos assentos da janela e 25% no corredor.

TODO O PROTOCOLO PODE SER ACESSADO AQUI

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