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Reportagem especial da Revista Expressão de Março fala dos animais que ajudam no tratamento de pessoas hospitalizadas

Que os animais, principalmente de estimação, trazem alegria e bem-estar às pessoas é incontestável. Qual dono de cachorro nunca teve uma recepção calorosa ao chegar em casa após um dia cansativo? Ou, quem tem gatinhos na residência e nunca foi surpreendido com um ronronar e roçar nas pernas? Saiba que o benefício trazido pela convivência com animais perpassa as dependências domiciliares. Eles também são importantes aliados quando o assunto é combate às doenças.

Pensando nesse bem-estar e em cultivar sentimentos de alegria, felicidade, autoestima e superação nos pacientes, o Hospital de Clinicas, em Porto Alegre, implantou a Pet Terapia. O parceiro, que visita e interage com os pacientes da ala de oncologia infantil, é o cachorrinho Bus. O pet, que não tem raça definida, de acordo com o médico Mario Corrêa Evangelista Junior, Chefe do Serviço de Oncologia Pediátrica do hospital, traz sua alegria mensalmente aos pequenos em tratamento.

“A pet Terapia, ou Terapia Assistida por Animais, não é nova. Os primeiros relatos remontam o ano de 1792, na Inglaterra. Um homem chamado Willian Tuke foi o percussor. Ele analisou o progresso de pacientes levados para cuidar de animais em uma fazenda. Eram principalmente doentes mentais. Essas pessoas melhoraram significativamente sua coordenação motora e autoestima”, afirma.

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Pet auxilia na reabilitação de crianças com câncer. FOTO: Instituto do Câncer Infantil

O processo terapêutico, de acordo com Mario, tem estudos que comprovam sua eficácia. O aumento da concentração plasmática de alguns hormônios como a endorfina e dopamina – os chamados hormônios da felicidade é apenas um dos benefícios. “O aumento desses hormônios diminui a depressão. Isso é muito significativo, pois ela está associada principalmente a diminuição da resposta do enfermo ao tratamento”, destaca.

Em relação a possíveis infecções trazidas pelos animais, principalmente aos pacientes com a imunidade baixa, o médico garante que não há com o que se preocupar. “O aumento de infecções não está associada à visita dos animais. Por incrível que pareça, o transmissor maior é humano. E tem um controle sobre a saúde do animal. Antes das visitas ele é higienizado e deve estar livre de parasitas. A carteira de vacinação sempre é apresentada comprovando a regularidade das doses” salienta.

A participação na Pet Terapia é voluntária. Vai quem quer. Os pais ou responsáveis assinam um termo para que as crianças possam partilhar da experiência. “Eles me perguntam quando o Bus vem novamente. A distração das crianças em processos tão dolorosos é essencial. Contribui para diminuir o hospitalismo, que é o mal-estar de estar confinado em um ambiente de dor. E a melhora desses pacientes é fantástica” diz Mario.

A escolha de um cachorro no processo é principalmente pela afeição e docilidade que tem com os humanos. De acordo com o médico, a relação auxilia, e muito, na comunicação entre as crianças e a equipe de saúde, nas relações interpessoais e na autoestima.

Ajuda especial

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Monique Ribeiro Gomes. FOTO: Arquivo pessoal

Monique Ribeiro Gomes, 20 anos, tem um relato bonito sobre ajuda de animais de estimação. Ela tem alergia alimentar, respiratória e é asmática desde os dois anos, atualmente controlada. “Quando mais nova, consultei inúmeros médicos. Ouvi que teríamos que tirar da nossa casa e pedir que os parentes também removessem cortinas e tapetes. Outra orientação era de que não tivéssemos bichinhos de estimação”, afirma.

 

Porém, a história tomou um rumo diferente. Pouco tempo depois, quando veraneava na praia, uma gatinha Siamês adotou a família. “Trouxemos ela para Montenegro, receosos, principalmente sobre o laudo médico”, enfatiza. A amizade entre o pet e a humana teve um papel essencial no processo de melhora. “Sempre que eu tinha crises de asma ou chiado no peito, ela vinha para perto, dormia comigo até eu ficar melhor. Desde então, nunca mais deixamos de ter animais de estimação. E, juntamente com o tratamento médico, eu melhorei muito”, conclui.

Então, não há mais motivos para não ter um gato, cachorro, cavalo ou peixe. Com condições adequadas para cuidar, claro. Adote o seu. Todos ganham com essa bonita relação: humanos e bichanos.

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