Foto: Divulgação/IGP

Os dados coletados revelam as características dos ferimentos das vítimas, os ambientes em que ocorreram os crimes e no modus operandi dos agressores.

A pesquisa foi respondida por 67 peritos criminais de vinte Estados, que atenderam locais de morte violenta durante o primeiro semestre de 2020. Uma das conclusões é que em 87% das vezes, o crime ocorreu na casa da vítima. A região da cabeça, face e pescoço é a mais atingida pelos golpes dos criminosos (59%), seguida pelo tronco (41%), seios (22%) e membros superiores. Na maioria (75%) dos feminicídios, os agressores provocaram ferimentos em mais de uma região corporal.

Armas utilizadas

Uma das principais revelações do estudo está no tipo de arma usada pelo agressor. As mais empregadas foram os instrumentos cortantes ou perfuro cortantes, como as facas, presentes em 76% dos casos. As armas de fogo foram usadas em 49% desses homicídios. Com percentual menor aparecem as asfixias (33%), os golpes físicos (31,3%) e o uso de fogo (8,9%). Na maioria dos casos (61,2%) os agressores utilizaram mais de um tipo de ataque na ação.

Conhecer as características do feminicídio pode ajudar os peritos a desvendar mais rapidamente a dinâmica do crime e qualificar o laudo entregue à autoridade policial. As características das lesões podem revelar a intenção em provocar dor e sofrimento prolongado, como manifestação de vingança, raiva, ou controle sobre a vítima.

O artigo “Feminicídio sob a ótica pericial – Modus operandi dos agressores” foi apresentado como finalização do curso de Especialista em Gestão da Investigação Criminal da Academia de Polícia do Rio Grande do Sul – Acadepol.

RS Seguro

Segundo dados do Observatório Estadual da Segurança Pública, em 2020 foram registrados 76 feminicídios no  Estado, 34,5% a menos do que em 2019. No ano passado foi lançado o Comitê Interinstitucional de Enfrentamento à Violência Contra a Mulher, para unir esforços no combate à violência de gênero.  A iniciativa, ligada ao Programa Transversal e Estruturante de Segurança Pública (RS SEGURO), tem por objetivo reduzir os indicadores de violência contra a mulher através de uma mudança cultural profunda na sociedade. Participam os três Poderes, nove secretarias de Estado e mais 15 instituições do poder público e da sociedade civil, como OAB e Ministério Público do RS. O IGP faz parte do Comitê, atuando no atendimento às vítimas de violência no Departamento Médico-Legal.

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