Estávamos de boa, curtindo um filme em uma noite chuvosa na cidade de Perito Moreno, quando deu aquela vontade incontrolável de ir ao banheiro. Ok, estávamos em um camping bem legal, com banheiro quentinho e tudo. Nem seria tão missão impossível assim (sim, muitas vezes têm sido um desafio). Levantei, coloquei os tênis e quando fui abrir a porta lateral, o susto: ela simplesmente caiu. Inteira, como um pedaço solto de lata e vidro que se estatelou no barro. Deu até uma balançadinha, como uma moeda, sabe?

Ela é de correr, e já vinha descarrilando, saindo do trilho. Mas nada comparado ao que aconteceu na última terça, por volta da meia-noite. E daí, no meio da noite, com 0°C nos fazendo companhia, nos vimos sem porta. Fazer o quê? Tem que colocar no lugar. Daria certo, se uma das peças que a segura, e por sinal a mais importante delas, não tivesse quebrado. Resumindo, encaixamos, daquele jeito, e chaveamos na tentativa de evitar uma nova queda.

Mas estávamos presos. Sim, porque sem essa peça-suporte a porta não corre. Se destrancar, ela cai. Fomos obrigados a eleger a portinha traseira como nosso novo acesso e treinar o contorcionismo para conseguir entrar e sair. Tudo isso seria motivo suficiente pra nos deixar pê-da-vida e destruir nosso humor, certo? ERRADO! Depois que conseguimos recolocar a porta (daquele jeito, bem na gambiarra), nos deu um acesso de riso sem fim.

Parece clichê, mas se desesperar, brigar, se estressar não faz diferença alguma, e não coloca a peça de volta ao lugar. E aqui, sozinhos, em um país que não tem Kombi ou peças para reposição, perder a cabeça não pode ser uma opção. Deitamos, meditamos, dormimos e acordamos cheios de ânimo de ideias para consertar o problema. Quarta-feira de manhã já sabíamos exatamente o que fazer.

Mandamos mensagem para nossas famílias aí em Montenegro para que soubessem do ocorrido e nos ajudassem a resolver. A ideia era comprar uma peça aí e enviar para a gente (aí não rola problema em achar Kombi, aposto que tu conhece alguém que tem uma). Ao mesmo tempo, avisamos o Luís Jaeger e a Bruna Peixoto, casal que viaja de Kombi também e que está na Argentina. Eles, por coincidência, têm essa peça sobressalente porque a porta deles também já deu problema e ficaram com medo de quebrar.

O casal está em Mendoza, no norte argentino, e já nos enviou a peça pelo Correio. Deve chegar em Perito Moreno na próxima semana. Até lá, vamos ficar aqui ou nas redondezas.

Muito “ripio” para chegar aqui
Talvez o motivo da porta estar saindo do lugar é a frequência que estamos rodando em chão batido. Algumas vezes, por ser a única opção. Outras, por preferir andar por estradas mais bonitas. Outras ainda, por errar o caminho, mesmo. E as estradas de “ripio” por aqui são bem ruins, mesmo.

Inclusive, uma delas, na Ruta 40, é fechada em dias de chuva. Passamos por ela em um dia de muito sol e deu pra entender porque ela não pode ter trânsito em outras condições climáticas: mesmo com o sol, alguns trechos não estavam secos e a Analuz dançou bastante no lodo. É um caminho sem manutenção, com bastante pedras soltas e aquelas “costelinhas”, que fazem o carro pular muito.

Enfim, tanta estrada ruim pode ter causado esse problema na porta. Tomara que seja só esse mesmo.

Uma noite de imersão cultural na Argentina
Dia 9 de julho, a Argentina comemorou 203 anos de independência e fomos espectadores de uma festa linda em Perito Moreno. Em todo país foram promovidas apresentações artísticas, intervenções culturais e ações especiais, e na cidade não foi diferente. A “Municipalidad” (prefeitura) local organizou um evento no Ginásio Municipal, que ficou lotado.

Artistas locais e regionais abrilhantaram a noite e deixaram os brasileiros encantados e com saudade de casa. Nossas culturas são tão parecidas, que por alguns momentos nos sentimos dentro de um galpão de interior, ouvindo um chamamé bem gaudério na gaita e no violão. Pajada, Chacarera, Malambo, folclore típico e riquíssimo, tradição e gerações diferentes reunidas. Quase um CTG, né? Foi uma noite incrível.

Além de uma cultura forte e pulsante na comunidade, outra coisa nos chamou muito a atenção: pela fala dos apresentadores, dos artistas e pela força com que o povo cantou o hino argentino, é possível perceber que existe aquele patriotismo que um dia existiu no Brasil também. Orgulho de ser daqui, do que o país já conquistou e do que buscam diariamente.

Em meio a uma das maiores crises políticas e econômicas da Argentina, e há poucos meses das eleições regionais, a população não hesita em defender sua nação e gritar um “Viva la Patria” no final do ato oficial. Lindo de ver.

Deixe seu comentário