Da esquerda para a direita, Felipe, Gabriel Vinícius de Souza e Andrei, do recém-inaugurado restaurante

No mês passado, cerca de 80% das vagas geradas em todo o País foram provenientes de negócios de pequeno porte

Andrei Luis Kraemer comemora o emprego formal como forma d e custear os estudos

Andrei Luis Kraemer saiu de um trabalho informal que realizava para um emprego fixo no mês passado, quando foi contratado por um restaurante de massas recém inaugurado. Universitário de 18 anos, ele usa o atual salário para ajudar em casa e, principalmente, custear a faculdade, onde cursa Agronomia. “É muito bom ter o emprego”, comemora. A situação do montenegrino ilustra muito bem um dado divulgado recentemente pelo Sebrae: as pequenas empresas tem sido as principais responsáveis pela geração de empregos no país.

Somente no mês passado, 60,5 mil postos de trabalho foram abertos por negócios desta categoria. Eles representam quase 80% do total de empregos gerados no Brasil neste período, de acordo com o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged).

Ao longo do ano, com exceção do mês de março, o segmento apresentou índice de contratação superior ao de demissões, acumulando um saldo positivo de 463 mil novos empregos para os brasileiros. Em um comparativo, as empresas de maior porte têm índice negativo, com 178,8 mil postos de trabalho fechados em 2017.

Inaugurado no início de novembro, o restaurante Muy Tomazza, que contratou Andrei, também tem mais um funcionário. Empreendedor, o dono do negócio, Felipe Brand, prioriza uma boa relação com os empregados. “Acho que, além de gerar empregos, é importante reconhecer o pessoal de dentro e valorizar”, comenta. Tendo trabalhado em quatro empregos anteriores, o empresário considera que as grandes empresas não têm como foco esta valorização de pessoal. Com essa constatação, ele tenta fazer diferente em seu restaurante.

Mesmo em tempos de crise, Felipe optou por abrir o empreendimento para ser seu próprio chefe. “São vários os pequenos negócios que acabam tendo mais receita e gerando mais empregos do que empresas maiores”, coloca. “Acho que o pequeno negócio precisa de menos para dar certo e acaba ficando mais blindado em relação à crise, dependendo do ramo. Aqui a gente procurou pensar em um negócio com valores acessíveis e com praticidade, para ser atrativo.”

Em nota à imprensa, o presidente do Sebrae, Guilherme Afif Domingos, celebrou os dados divulgados, trazendo uma constatação parecida com a do empresário montenegrino. “São os pequenos negócios que puxam a retomada do mercado de trabalho. Eles blindam o desemprego, mesmo na crise, porque aproveitam as oportunidades”, comentou.

Em âmbito nacional, o seguimento comercial foi o que mais abriu vagas de trabalho dentre as pequenas empresas.

Região constata o mesmo fenômeno
Um levantamento informal da Associação Montenegrina das Micro e Pequenas Empresas apontou que existem cerca de 4.500 negócios do segmento no município. Em sua maioria, estes são do setor de serviços. “Considerando que, normalmente estas são empresas familiares, com até três pessoas envolvidas, se multiplicarmos, teríamos mais empregos gerados por elas do que qualquer grande empresa”, aponta o Secretário Executivo da Associação, Gelson Alves. “Nós somos a maioria.”

De sua experiência com o grupo, Gelson também percebe a força do segmento diante da crise econômica. “A Microempresa tem essa capacidade de camaleão. Até por necessidade de sobreviver, pois, se não se adaptar rapidamente, vai enfrentar problemas”, opina. Segundo ele, a adaptação de uma empresa grande a um período de dificuldade é muito mais lenta, justificando o levantamento quanto à abertura de vagas do segmento.

 

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