Moradores reclamam que, durante as interrupções, geladeiras, tanques de leite, câmaras frias, máquinas de ordenha e trituradores de pasto ficam desligados

Problema Rede elétrica antiga e fraca desliga com qualquer vento

Em 5 de outubro de 2017, o Ibiá conversava com o morador de Serra Velha Jorge Diego de Oliveira. O industriário tinha 44 anos e relatava o drama vivido pela localidade de Montenegro, que fica sem luz cada vez que venta forte. Naquela data, haviam ficado quatro dias desabastecidos. Passados dois aniversários, seu testemunho é uma reprise da novela: o problema continua.

Na última quarta-feira, Jorge conseguiu reunir 25 vizinhos, que podiam se afastar do trabalho, para mostrar ao Ibiá que a indignação é de todos. E houve unanimidade na descrição deste novo capítulo inserido no roteiro escrito ao longo de 44 anos. As cerca de 300 famílias, incluindo parte de Sobrado e de Bom Jardim, ficaram sem energia elétrica por cinco noites e quatro dias.

O corte ocorreu no dia 29 de outubro (terça-feira) durante um temporal; e a luz só retornou no dia 2 de novembro (sábado). Na tarde de 31 de outubro (quinta-feira) houve um religamento, mas foi interrompido após quatro horas. Jorge soube que o corte seria para realizar a troca de um poste danificado, o que, segundo ele, não foi feito.

A crise é consequência da rede instalada há quatro décadas ainda estar sustentada nos mesmos postes de madeira. “Quando começa a armar chuva, a gente já começa a estocar água”, relatou Josiane Vomnuchen, 31 anos. O agravante está no fato da comunidade não ter água encanada e depender dos poços com motor elétrico. Josiane precisou pegar água da chuva para banhar os filhos. “Com duas crianças pequenas, é desumano”, reclama.

Comunidade quer poda e postes de concreto
No pavilhão comunitário, os cidadãos se disseram abandonados. Afirmaram que, se faltar luz na região “o último lugar que terá novamente é Serra Velha”. A indignação cresce quando veem vizinhos de poucos metros, mas no lado de Triunfo, atendido pela Certaja, não ficar nem duas horas sem luz. Realidade que obrigou Pedro Weizenmann, 49, a carregar dois freezers de seu armazém em um trator para ligá-los na casa de um morador a menos de 600 metros.

Também a rede monofásica é um problema. Se é possível perceber em casa o enfraquecimento quando chuveiro e secador são ligados juntos, a instalação de uma empresa é impossível. Inclusive, isso levou um empreendedor da comunidade a abrir sua serraria em Triunfo.
A falta de podas na vegetação sob os fios é outra queixa. Além disso, grandes extensões da rede passam dentro de propriedades, o que dificulta o conserto. Clédio Pedro da Silva, 64, lembrou de quando um destes postes foi substituído e os trabalhadores precisaram levar o novo, de concreto, nas costas. “Caminhão não chega ali”.

Os moradores fizeram um abaixo-assinado com mais de 200 adesões e abriram processo na Comissão de Defesa do Consumidor (Condecon). Foram informados então que a RGE teria um ‘plano de ação’ para substituição da rede, mas que ainda não foi implementado.

Linhas por dentro das propriedades dificultam o acesso para manutenção

RGE responde
A concessionária RGE Sul respondeu ao Ibiá, mas não apresentou um plano de ação específico para Serra Velha. Afirmou que as interrupções de energia na última semana foram causadas pelos temporais no Vale do Caí; onde fortes ventos e descargas atmosféricas causaram danos por todo o estado.

A empresa confirma que vegetação próxima à rede é uma das principais causas de interrupção. “Contudo, a rede dispõe de sistemas de proteção que são acionados automaticamente sempre que houver alguma interferência em qualquer componente, seja um cabo, transformador, isolador”, diz o texto.

A distribuidora garante manter um ciclo de podas de galhos, inclusive tendo sido realizadas na Serra Velha neste ano. “Nesta região, temos histórico de interrupções para obras de melhoria e adequação da rede elétrica nos meses de maio, junho e setembro”.

A concessionária reiterou que, só nos primeiros seis meses deste ano, a rede de Montenegro recebeu, entre outros, investimentos de R$ 1 milhão em manutenção preventiva e R$ 800 mil em fortalecimento do sistema.

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