Paulo é montenegrino e, até então, era o vice-presidente da entidade

Empresário abraça o desafio de seguir fomentando o comércio local em tempos de crise

A cada três anos, a Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) de Montenegro reorganiza a sua diretoria. Neste mês, sai Tiago Feron da presidência da entidade e entra o empresário Paulo Vitor Menezes Ingracio, que, até então, era vice-presidente. Metade dos doze nomes que integravam a gestão anterior mudou, mas o novo presidente garante que a linha de trabalho deve se manter a mesma, focando no desenvolvimento de nosso comércio. Feron segue na CDL, agora na vice-presidência.

Aos 34 anos, Menezes é montenegrino e proprietário das lojas Mesclata e Desce do Salto. Ele é formado em Engenharia da Produção, mas, desde 2011, vive como comerciante. A mudança, ele conta, foi uma influência da esposa, sua sócia nos dois empreendimentos.

O envolvimento dele com a CDL começou a convite de seu antecessor na presidência, assim que este assumiu o cargo, há três anos. “O Tiago me procurou e ele estava bem empolgado em tentar fazer alguma coisa diferente pela cidade”, recorda. “A entidade estava um pouco adormecida, digamos assim, então a gente foi buscar reunir pessoas que queriam se envolver, sempre pensando em fomentar e desenvolver o comércio.”

Foram três anos de trabalho, onde o foco foi arrumar a casa até que fosse possível dar início àquele que se tornou o principal projeto da Câmara: a volta das antigas campanhas de prêmios das lojas da cidade. Conseguiram! Assumindo a presidência neste mês, Menezes já pega o “Compra Premiada” em andamento e abraça, agora mais de frente, o desafio de seguir impulsionando a campanha e movimentar ainda mais a economia local.

O Ibiá conversou com o novo presidente para saber o que ele pensa sobre a conjuntura atual do comércio e o que os empresários ligados à CDL podem esperar dessa mudança de representatividade. Confira os principais momentos dessa conversa:

O QUE ESPERAR DA NOVA GESTÃO DA ENTIDADE

  • Jornal Ibiá – Como está sendo essa mudança de diretoria na Câmara de Dirigentes Lojistas?
    Paulo Vitor Menezes Ingracio – Eu e o Tiago continuamos tomando a frente. Alguém tem que ‘puxar’ as coisas. O Tiago tem essa característica e eu também. Essa função de fazer a mudança na presidência até para a entidade é bom. Isso dá uma mexida. A chapa toda mudou bastante. Não é fácil achar pessoas que queiram se envolver e dedicar um tempo para algo que não te traz retorno financeiro, já que a entidade é sem fins lucrativos. A gente foi atrás de bastante gente, muitos não quiseram participar, mas conseguimos um grupo de pessoas, de novo, que quer se unir para ajudar.
  • JI – A principal iniciativa da entidade hoje é a campanha Compra Premiada, a volta das campanhas de prêmios do comércio após anos. Como tem sido essa experiência?
    Sim, mesmo sendo uma entidade pequena comparada às outras, como a ACI e o Sindilojas, a CDL conseguiu fazer esse movimento que não acontecia há muito tempo e isso nos motivou bastante. Ainda estamos bem no começo e eu acho que a campanha vai agitar mais em outubro, novembro e dezembro, que são meses em que as pessoas saem mais para a rua e vêm Dia das Crianças e Natal. Mas o resultado está bacana. Já tivemos o primeiro sorteio na Praça Rui Barbosa e as pessoas perguntam aqui na loja, querem saber quem ganhou, pedem os cupons. Gerou uma repercussão.
  • JI – Quando anunciada, a ideia era tornar o Compra Premiada uma campanha anual. Agora, com o projeto em andamento, essa é uma possibilidade concreta?
    Sim. No ano passado, a CDL havia tentado fazer a campanha e não conseguimos. Nesse ano, as coisas andaram e vale ressaltar que a gente teve um apoio muito importante do Sindilojas, da Unimed, da Unicred e da Comauto. Sem eles, nós não teríamos conseguido fazer a campanha, mesmo com todas as adesões que tiveram. Então neste ano é um primeiro movimento. É difícil tu sair da estaca zero, onde tu não tem nada e começa a ofertar algo que não existe há tempo. As pessoas ficam com um pouco de receio até de participar, já que tem um custo. Mas a ideia é, sim, que a gente consiga fazer anualmente e até ter outros movimentos. Para o ano que vem, a gente já ultrapassou essa barreira inicial e deve ser até mais fácil.
  • JI – Até o momento, a campanha teve 44 adesões entre os lojistas. Há essa questão de ser o primeiro ano, mas é um número que poderia ser maior. Isso é reflexo da falta de união entre os comerciantes da cidade?
    Por enquanto, talvez a nossa cultura não seja de união. Todo mundo é conhecido e amigo. Aqui na minha quadra mesmo, a gente se reúne, conversa, toma chimarrão. Mas, talvez até pela própria época em que a gente vive, em que está difícil para todas as áreas, e não só o comércio, as pessoas ficam um pouco mais contidas. Quem tem loja não quer gastar para investir ou fica esperando para ver o que vai acontecer. Então, poderia ter mais adesões, mas eu considero esse um número bom. Até pensando que a maioria são os pequenos e que as redes maiores não entram dentro desse nosso pacote, eu acho que é um número bacana e que, para o ano que vem, a tendência é aumentar.
  • JI – O Compra Premiada tem a parceria direta do Sindilojas e o apoio da ACI. Qual é a importância dessa união entre as entidades representativas?
    Com o Compra Premiada, todos apoiaram o projeto de alguma forma. Hoje, quando todo mundo é um pouco individualista, foi importante de nós conseguimos ter uma união das entidades que, daqui a pouco, poderiam ser vistas como concorrências. Todos se uniram, passaram para seus associados e se juntaram para fortalecer o local. Montenegro é uma cidade forte. A gente é um centro da região e, às vezes, a gente deixa de entender isso. Tem dois hospitais na cidade, as pessoas vêm para cá, de fora, naturalmente. E a gente precisa, juntos, explorar isso.
    Entre as entidades, cada uma busca um fim diferente. Não é todo mundo fazendo o mesmo serviço. A CDL está bem focada nessa questão da promoção, de tentar desenvolver o comércio, e também tem o serviço de análise de crédito. Foi, então, um caminho natural buscar as outras representatividades e não ficar oferecendo as mesmas coisas. Um exemplo foi a ACI que ofertou uma capacitação sobre vendas para quem estava na campanha.
  • JI – Uma demanda que a CDL repassou recentemente à Prefeitura, também em alinhamento junto às demais entidades, foi sobre o comércio irregular no centro da cidade, um tema que gera muitas reclamações, com comerciantes se queixando de práticas desleais entre os ambulantes. O Executivo até prometeu uma ação especial de fiscalização. Como isso vem sendo acompanhado?
    Nós estivemos em reunião com o secretário de Obras Públicas, Ronaldo Buss, que nos chamou para dar retorno dessas solicitações que havíamos feito. Eles fizeram essa ação e ele nos mostrou que foram apreendidos alguns produtos de pessoas que estavam sem o alvará, porque tem a questão fiscal das mercadorias e também a questão da licença. Mas a grande maioria dos ambulantes estavam dentro da legalidade.
    A ideia é repetir essa ação mais vezes para quem realmente tiver irregular; e ele também se colocou à disposição para destacar um fiscal para palestrar aos lojistas e explicar essas questões do MEI. Porque têm pessoas que, às vezes, não entendem que o ambulante está ali e que ele, de fato, pode estar ali.
    Mas o importante, mesmo, é fiscalizar. Já que não é só pela questão fiscal, mas também pela segurança. Daqui a pouco, está sendo vendida alguma mercadoria roubada e isso acaba sendo incentivado. Então é todo um contexto que se precisa pensar.
  • JI – Nas redes sociais, são comuns críticas em relação a preços e, principalmente, ao atendimento oferecido nas lojas da cidade. Como a entidade percebe e como trata essa questão?
    A gente já falou várias vezes entre nós de desenvolver cursos para precificação e neste sentido de atendimentos. Agora, com a campanha e a melhor relação entre as entidades, as coisas estão se desenvolvendo mais. Já tivemos uma primeira capacitação na ACI sobre vendas, que foi muito positiva.
    Mas essas críticas são muito relativas. Às vezes, a pessoa foi mal atendida por algum motivo particular e é uma coisa pontual. Se tu pegar uma amostragem de cinco mil pessoas, daqui a pouco, tu vai ver que cinco não foram bem atendidas. São pontos fora da curva e não dá para ficar generalizando. Até porque o nosso comércio é muito forte. Assim como saem muitas pessoas daqui para comprar fora, vêm muitas pessoas de fora comprar aqui. Eu sou lojista e vendo para gente de Triunfo, Taquari, Lajeado. Às vezes, é mais barato aqui do que em outro lugar, então é muito relativo.
    Sobre o preço, por vezes, a gente está comparando uma loja pequena com uma grande rede; ou algum item que foi comprado em uma promoção que outro estabelecimento não estava fazendo. Às vezes se está comparando roupas que não são do mesmo tecido. Tem ‘N’ questões.
  • JI – Qual o principal desafio do lojista hoje?
    É o desafio de todos. A gente vive em uma época que não é a melhor para o comércio, para indústria, para todos. O desafio é tentar entender a expectativa do cliente para conseguir vender e ter o produto que tu realmente precisa para vender. Para isso, todos estão se adaptando. Nós vamos adaptando os produtos, a loja, conforme a demanda dos clientes. É preço, atendimento e conseguir entender o público para efetivar as vendas.
  • JI – O que as empresas ligadas à CDL podem esperar do senhor na presidência?
    A gente vai seguir o trabalho que já viemos fazendo. Retomamos o andamento da entidade, mudamos de endereço e conseguimos, no terceiro ano, fazer a campanha, que era o nosso foco. Então vamos seguir nesse caminho. A gente vai sortear o carro em dezembro, quer fazer a campanha para o ano que vem, sempre tentando oferecer algo a mais para desenvolver o comércio que é daqui. Estamos procurando cursos, parcerias e, daqui a pouco, algum outro evento para tentar fomentar algumas coisas. Vamos continuar trabalhando!

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