Nos “amarelinhos”, o impacto é maior. De R$ 3,75, a passagem vai pular para R$ 4,20. O reajuste é de 12%

Reajuste médio no preço do transporte é de 9% e começa a valer em julho

Após o reajuste no preço das passagens intermunicipais, que passou a vigorar no último domingo (17) para as linhas concedidas pela Metroplan no Estado, em breve os montenegrinos terão um novo aumento na tarifa do transporte público. Com o novo contrato da Viação Montenegro S/A (Vimsa) – que começa em 1º de julho e vale por dez anos – a Prefeitura já anunciou novos valores para a linha urbana convencional, a seletiva e a interiorana.

Com o filho Fernando, Diva de Souza está indignada com os aumentos

Assim como o ajuste intermunicipal, a variação média nos valores é de 9%. A partir de julho, o ônibus urbano convencional passa de R$ 3,25 para R$ 3,50. O interiorano passa, também, de R$ 3,25 para R$ 3,50. E o seletivo (amarelinho), pula de R$ 3,75 para R$ 4,20. De acordo com o contrato firmado com a Administração Municipal, as revisões tarifárias têm como base a Planilha de Cálculo Tarifário do GEIPOT, sugerida pelo Ministério dos Transportes. A última vez em que as tarifas haviam sido ajustadas foi em novembro de 2017.

A comunidade, claro, não está feliz com a notícia. Aos 70 anos, a aposentada Diva Flores de Souza já não paga pela passagem. Mesmo assim, com parentes usuários e preocupada com os demais cidadãos, ela se diz indignada com a alta. “Não podiam fazer isso. O salário mínimo ajusta só uma vez por ano e já é uma mixaria. Tá tudo muito caro”, desabafa. Quando precisa levar o filho – com necessidades especiais – até o Centro, a moradora do bairro Olaria paga a tarifa do seu bolso.

Diretamente prejudicada, Alessandra Paixão reclama do serviço

Já a promotora de vendas Alessandra Paixão, por sua vez, vai sentir os dois aumentos – municipal e intermunicipal – interferindo diretamente em sua rotina diária. Ela mora no bairro Santa Rita e, todos os dias, vai para o Centro usando o ônibus urbano convencional para o trabalho. Como parte de suas atividades, no entanto, duas vezes por semana ela precisa ir para Portão. Contando as idas e as voltas, no final do mês, o impacto dos “centavos” reajustados é considerável.

“Foi um susto (receber a notícia do aumento). Todo ano aumenta, mas esse foi bastante”, comenta a usuária. Ela avalia, ainda, que a qualidade do serviço não vale o que se paga. “Alguns ônibus estão em péssimas condições. Às vezes, até o puxador de fechar a janela está quebrado”, coloca. “Tem muito o que melhorar.” Sobre os valores, Alessandra sugere que haja, ao menos, um sistema de integração, como o que existe em Porto Alegre. Nele, com uma passagem só, o passageiro pode fazer as trocas de ônibus necessárias até chegar ao seu destino.

Ao todo, Vimsa pagará R$ 383 mil pelo novo contrato
Novamente, a Vimsa – com a sua empresa Silas – foi a única transportadora de passageiros interessada na concessão do transporte público de Montenegro. Ao fim do processo licitatório do ano passado, o não cumprimento de algumas condições chegou a reprovar sua contratação em um primeiro momento e foram necessárias readequações para seguir com o processo. O novo contrato da Prefeitura com a empresa começa em julho e tem previsão de dez anos, com possibilidade de prorrogação por mais dez.

Por estimativa, o contrato estipula que, levando em conta o período de contratação e a média de passageiros, a arrecadação da empresa com as tarifas no período chegue a R$ 76,6 milhões. Esse cálculo é feito pois, contratualmente, 0,5% deste total deve ser pago pela Vimsa ao município em três vezes, com a última parcela sendo quitada um ano após a assinatura do contrato. No total, esse valor chega a R$ 383 mil pagos à Prefeitura.

Além disso, algumas regras precisam ser seguidas. Dentre outras, a Vimsa é obrigada a divulgar seus horários e serviços pela internet e através de uma central telefônica. Os ônibus, ainda, precisam seguir alguns critérios. A frota do sistema seletivo e convencional urbano não pode ter mais que doze anos de uso; e a do interiorano não pode ter mais de 15. Pelo menos 30% dos veículos, além disso, precisa ter dispositivo de acessibilidade para cadeirantes e todos devem ter sistema para validação eletrônica das passagens.

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