Prepare o seu bolso. As novas tarifas dos ônibus entram em vigor nesta quinta-feira, dia 1º de junho, em toda a região

A má notícia: os bilhetes de ônibus das linhas metropolitanas — o que abrange os itinerários que ligam Montenegro com outras cidades da Região Metropolitana de Porto Alegre (RMPA) — serão reajustados amanhã, dia 1º. A boa notícia: o percentual será de 6,24%. Bem menos do que no ano passado, quando aumentou 14,87%, e 2015, quando o acréscimo foi de 10,51%, de acordo com a Fundação Estadual de Planejamento Metropolitano e Regional (Metroplan), órgão do governo estadual responsável por toda a gestão e a fiscalização do Sistema Estadual de Transporte Metropolitano Coletivo.
Anual, a correção vem em meio a um ambiente de crise e desemprego que empurra para baixo a demanda pelo serviço. As empresas não vivem uma fase próspera, admite o diretor-superintendente da Metroplan, engenheiro Pedro Bisch Neto. Conforme ele, o número de viagens caiu de 450 mil para 420 mil na RMPA, no ano passado.
Para entender melhor o panorama atual do transporte coletivo metropolitano, serviço que serviu de estopim para a onda de protestos que sacudiu o País em junho de 2013, o Ibiá conversou com Bisch Neto. Leia a entrevista exclusiva:

O que muda a partir de quinta-feira, dia 1º de junho, em relação às tarifas das linhas metropolitanas.
Bisch Beto – Com aval da Agergs, a Metroplan autorizou o aumento das passagens em 6,24%, que entra em vigor nesta quinta-feira. Trata-se da reposição da inflação do IPCA medido de junho de 2016 a junho de 2017 e, além disso, pouco mais de 1% relativo a ‘pendengas’ do ano passado. As empresas argumentaram que ficaram 48 dias no ano passado com tarifas congeladas devido a atrasos na negociação. O aumento vale para todas as linhas de 34 cidades da Região Metropolitana de Porto Alegre. O trecho de Montenegro a Porto Alegre, por exemplo, ficou em R$ 16,00. Devido à crise, o governo não autorizou que houvesse ganho real por parte das empresas, apesar de elas terem pedido que os contratos fossem revisados.
Cabe à Metroplan fazer os cálculos e definir o percentual de aumento das passagens. Quais os fatores que são levados em conta na hora de calcular o valor?
São diversas variáveis, que incluem até o aumento salarial concedido à categoria dos rodoviários, que foi de 5%. No cálculo entram os gastos em geral das empresas, o pedágio, a renovação da frota, a data-base da categoria, a idade dos ônibus, entre outros. Mas há fatores que neste ano não foram considerados, como a revisão dos contratos. Neste sentido, a Viação Montenegro pede há mais de dois anos uma correção mais justa, porque não teria havido o correto ajuste quando a responsabilidade pelas linhas metropolitanas passou do Daer para a Metroplan. Entendemos que alguns indicadores sofrem distorções ao longo dos anos, então a revisão dos contratos ficou adiada. A crise não permite fazermos maiores ajustes.

Qualquer cidadão tem acesso às planilhas dos cálculos?
Sim, porque o processo é público e tudo passa pela supervisão da Agergs. O processo inicia na Metroplan, que calcula o índice de reajuste e o encaminha à Agergs para aprovação. Quando a Agergs autoriza o percentual, a Metroplan o aplica em cima das tarifas vigentes e retorna à Agergs para registro. Tudo é público.

Mas essas planilhas não estão publicadas na internet para ampliar a transparência?
Não, não estão. Mas quem quiser ter acesso pode procurar a Metroplan [a fundação se situa em Porto Alegre].

As empresas são fiscalizadas pela Metroplan? Relatos de atrasos aparecem com alguma frequência.
Sim. Nossas equipes de fiscalização estão diariamente nas ruas. É de conhecimento geral que as empresas de transporte estão em dificuldade. Estamos permanentemente vistoriando os ônibus, que precisam de um laudo técnico, feito todos os anos, para circular. Esse documento atesta as condições de uso e de segurança. Os ônibus mais antigos precisam dessa vistoria duas vezes por ano. Tudo deve funcionar adequadamente.

Empresas, inclusive a Viação Montenegro, queixam-se de que a demanda vem caindo ano após ano? O que está havendo?
A queda tem sido muito forte nos últimos tempos. No último ano, 6% e, no anterior, também 6%. O fato é que nos últimos três anos tivemos um recuo de cerca de 20% na procura pelo transporte público metropolitano. Isto faz as empresas irem a seus limites. Tudo por conta da crise e do desemprego. O vale-transporte é fundamental para o negócio [de transporte], até porque são os empregadores que pagam. Sem emprego, o número de passageiros também cai. A expectativa é de que, superada a crise, os empregos voltem e, consequentemente, o número de passageiros suba.

Os usuários se perguntam por que as empresas não adquirem novos ônibus. Existe algum incentivo do poder público neste sentido? O valor da passagem que pagamos todos os dias já não destina um percentual para esta finalidade?
Primeiro que existe uma idade-limite para as empresas usarem seus ônibus. Não pode ser mais do que 18 anos. Nossa fiscalização está atenta a esse detalhe e não permite a circulação de veículos com mais de 18 anos. Incentivo do poder público não há, mas uma parte do valor da tarifa, de 6% a 10%, é destinada à renovação das frotas. À medida que as trocas ocorrem, as frotas incorporam ônibus menos poluentes, mais silenciosos, com bancos mais confortáveis, com novas tecnologias.

O senhor mencionou sucessivas quedas no número de usuários. Um serviço mais qualificado não seria capaz de atrair mais passageiros? Numa viagem de Montenegro a São Leopoldo, que leva mais de uma hora para percorrer 40 quilômetros, os passageiros não têm nem sinal de celular em muitos pontos. Não se pode pensar em redes de internet wi-fi? Onde estão os avanços tecnológicos, como aplicativos com os horários das linhas e a localização do ônibus que estou esperando? As empresas têm investido nisso?
Já existem algumas empresas com iniciativas neste sentido. Você pode, por exemplo, adquirir o cartão TEU [bilhete metropolitano] pelo celular entrando no site das empresas ou do próprio TEU. Existe projeto piloto nas linhas transversais metropolitanas operadas pela ATM (Associação dos Transportadores Intermunicipais Metropolitanos de Passageiros), mas em alguns pontos há problema por não ter sinal de internet. Com ele, se pode ver o horário do seu ônibus, onde ele está vindo. É um sistema ainda em desenvolvimento.

E quanto ao uso de câmeras para dar mais segurança aos passageiros?
A maior parte dos ônibus já possui essa tecnologia. Acredito que 70% das linhas que atendem a Região Metropolitana. Quando as empresas compram ônibus para renovar as frotas, eles já vêm com câmeras. Sem dúvida, é um elemento que contribui com a segurança, pois inibe os roubos e muitas vezes ajuda na identificação dos criminosos.

O que já se fez e o que se projeta fazer para tornar os usuários menos vulneráveis a crimes durante as viagens?
O foco das empresas é estimular o usuário a utilizar cartões como o TEU e o TRI e, assim, reduzir muito a circulação de dinheiro dentro do ônibus, porque esse é o atrativo para os criminosos. O próprio sistema de roleta é ultrapassado. Com o cartão se usa a roleta eletrônica. O uso do cartão é o futuro dentro dos ônibus. É mais segurança para todo mundo. Tudo fica mais simples e se torna possível ter controles mais rigorosos. Onde tem a mão humana pode haver erro ou fraude, então a automatização é o futuro. Nosso sonho é que os cobradores se tornem vendedores de passagem on-line. Até porque esse trabalho — andar de lado no ônibus o dia todo —, é desumano. Hoje, a metade dos passageiros já utiliza o cartão, mas é preciso ampliar ainda mais esse costume. Além disso, a bilhetagem eletrônica permite a integração entre linhas de ônibus e dessas com o Trensurb e o Catamarã.

Linhas e valores*
— Montenegro-Novo Hamburgo (comum, via Capela): R$ 11,05
— Montenegro-Novo Hamburgo (comum, via Scharlau): R$ 8,25
— Porto Alegre-Montenegro (semidireto, via Nova Santa Rita): R$ 19,10
— Porto Alegre-Montenegro (semidireto, via São Leopoldo): R$ 22,50
— Porto Alegre-Montenegro (comum, via Vendinha): R$ 15,45
— Porto Alegre-Montenegro (comum, via Capão Alto): R$ 14,35
— Porto Alegre-Montenegro (comum, via Pesqueiro): R$ 14,85
— Porto Alegre-Passo da Serra (comum, via São Leopoldo): R$ 15,75
— Porto Alegre-Polo Petroquímico (comum, via BR-386): R$ 13,60
— Porto Alegre-Vendinha (comum, via BR-386): R$ 11,05
— Porto Alegre-Montenegro (direto, via BR-386): R$ 19,10
— São Leopoldo-Montenegro (comum, via Rincão do Cascalho): R$ 8,75
— São Leopoldo-Montenegro (comum, via Capela): R$ 10,40
— Unisinos-Montenegro (comum, via Rincão do Cascalho): R$ 8,75
— Montenegro-Porto Alegre/Praia de Belas (semidireto, ônibus seletivo, via BR-386 e Rua Nova): R$ 29,25
— Montenegro-São Leopoldo/Estação Trensurb (comum, via ERS-240): R$ 8,90
— Montenegro-Canoas/Ulbra (comum, via BR-386): R$ 10,65
— Montenegro-Novo Hamburgo/Feevale: R$ 9,85
* Principais itinerários que têm Montenegro como ponto de partida ou de destino

A estrutura dos custos 
Item Índice
Pessoal 35,69%
Diesel 17,78%
Chassi 16,18%
Carroceria 17,98%
Outros 12,37%
Total 100,00%
Fonte: AGERGS

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