Vídeo gravado com apoio de colegas e professores pode render prêmio de renome nacional à escola estadual. FOTOs: Arquivo Pessoal

Lei Maria da Penha. Produção é uma das finalistas da Região Sul e trata de relacionamentos abusivos

Tendo como tema relacionamentos abusivos, um vídeo feito por alunos do 1º ano da Escola Estadual de Ensino Médio (EEEM) São Francisco de Assis está entre os finalistas da Região Sul no Concurso de Vídeos Curtos Lei Maria da Penha, promovido pela Secretaria da Mulher e Câmara dos Deputados com co-realização do Instituto Avon, Grupo Banco Mundial e Facebook. O vídeo de um minuto foi produzido pela aluna Sofia Rambo com o apoio das colegas Camile Fell e Jordana Soares e de toda a turma 101 e contou com orientação da professora Maria Eduarda Götz Nunes.

Nesta etapa do concurso foram escolhidos cinco vídeos por região. Agora, as produções estão disponíveis na página do Facebook do concurso (https://www.facebook.com/concursoleimariadapenha/) para votação até as 18h do dia 7 de fevereiro. O vídeo de cada região que receber o maior número de curtidas até essa data será considerado o vencedor na sua região. Os vencedores serão oficialmente anunciados em 10 de fevereiro. A entrega da premiação – um tablet para o aluno autor e outro para o professor orientador, troféu e diploma de menção honrosa – ocorrerá em março na Câmara de Deputados, em Brasília. Todas as despesas para receber o prêmio serão pagas pelos organizadores do concurso.

Trabalho sobre feminicídio apresentado na Mostratem deu origem ao vídeo e é um dos finalistas da Região Sul

O vídeo teve origem na pesquisa de Sofia, Camile e Jordana inicialmente apresentada na Mostratem, onde as estudantes falaram sobre feminicídio. Por o tema de o seu trabalho ir ao encontro do proposto no concurso, ocorreu o convite da escola para que elas participassem dele. “Quando a diretora apresentou a proposta do concurso fiquei motivada, pois me preocupo também com questões das culturas juvenis”, destaca a professora de matemática e orientadora do vídeo, Maria Eduarda.

“Optamos pela escolha deste assunto devido à grande quantidade de casos de violências contra as mulheres e também por se tratar de um problema que já acompanha a humanidade há muito tempo”, diz Sofia, que tem 16 anos. “Achamos importante, como adolescentes que buscam pelos direitos das mulheres e de todos, trazer esse assunto à tona, como também dados e informações sobre ele”, reforça.

“A produção do vídeo foi muito legal, porque conseguimos envolver a turma toda no projeto, além de que pudemos contar com a ajuda e apoio de muitos professores, e esse trabalho em equipe com toda certeza traz muitos resultados”, destaca Sofia. Primeiro, foram pensadas ideias para o vídeo e, após, foi combinado um dia para se fazer as filmagens. “Depois fizemos a edição e nos inscrevemos na página, mandando o vídeo. Foi uma relação de dedicação e diversão!”, diz. A aluna salienta que estar entre os finalistas da Região Sul é bastante gratificante e que a participação no concurso é uma conclusão perfeita ao tema da pesquisa desenvolvida por ela e as colegas.

“É importante que ocorra debates, reflexões e projetos”
Para a professora Maria Eduarda, como a escola é um espaço no qual os alunos têm a oportunidade de aprender, é fundamental que este também seja um local para abordar direitos humanos, como é o caso da violência contra a mulher. “Além disso, deve-se levar em consideração que os índices no Brasil (de violência contra a mulher) continuam altos. Por isso é importante que ocorra debates, reflexões e projetos que objetivam a educação no combate à violência contra a mulher”, afirma a professora.

A docente ressalta que a produção do vídeo permitiu o uso da tecnologia, que está muito inserida na vida dos jovens, mas mais do que isso: reforçou o espaço que eles têm na escola par dialogar, cooperar e trabalhar em equipe. “É importante que os alunos dentro da escola possam se expressar de diferentes formas e para isso, nós enquanto docentes, temos que pensar em diferentes estratégias para abordar situações que estão presentes no cotidiano deles”, reforça Maria Eduarda.

Para Sofia, abordar a violência contra a mulher na escola é importante. “Às vezes não temos nem noção de como esta violência está presente na sociedade, justamente porque faz parte de uma cultura misógina em meio a qual crescemos e nos acostumamos, então a violência torna-se algo comum na visão das pessoas”, avalia. “É nesta hora que se faz importante falar sobre o assunto, mostrando que isto não pode ser algo comum ou aceito quando, na verdade, é errado e a justiça deve se fazer presente aplicando as devidas punições aos responsáveis e apoiando as vítimas”.

Deixe seu comentário