Parada LGBTT, diversidade, Montenegro, lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais

O Parque Centenário ficou pequeno para a festa que enalteceu a alegria, o respeito, as cores e a liberdade

Respeito. Essa foi a palavra de ordem na primeira parada LGBTT — sigla para lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais — de Montenegro. O evento que teve como tema “Juntos somos iguais, sem diferenças”, contou com a participação de representantes de diversas cidades e celebrou a diversidade e o amor.

Anfitriã, Paula Kerber não deixou por menos e sambou ao som da Escola de São Sebastião do Caí

Para a transexual e organizadora da parada LGBTT, Paula Kerber, o evento buscou dar visibilidade e igualdade entre as pessoas. “O Brasil está em primeiro lugar no mundo em mortandade de LGBT’s, então, essa causa é muito importante para nós nos reunirmos aqui em Montenegro. Estou muito feliz com a comunidade que veio e nos apoiou”, destacou Paula.

Segundo ela, o público LGBT, em Montenegro, há quatro anos era de cerca de 7 mil, dado de cresce mensalmente. “Acredito que hoje está bem avançado aqui na cidade”, projeta Paula. Esta foi a primeira parada LGBTT de Montenegro, mas, se depender da determinação de Paula, o município terá outras, e ainda mais animadas e abrangentes.

Durante o ato de abertura do evento, o prefeito Carlos Eduardo Müller, Kadu, enfatizou o respeito que deve existir. “Hoje (domingo) temos quatro festas aqui na nossa cidade. Cada uma com um público distinto. Isso prova que temos espaço para todos. Que somos a Cidade das Artes e, principalmente, da diversidade e do respeito”, argumentou.

Luta que ainda tem um longo caminho
Marcelly Malta, presidente da Ong Igualdade/RS de Porto Alegre e vice-presidente da TransBrasil, a parada LGBTT é um dia de festa, mas também de falar sobre a perda de direitos que a classe sofre constantemente.

Apenas neste ano, segundo Marcelly, 148 travestis foram assassinados e o que assusta é a brutalidade dos crimes. “Quando vemos uma travesti assassinada, ela não é assassinada com uma facada. É com 40. Em Porto Alegre aconteceram dois casos há pouco tempo em que duas travestis foram degoladas e os corpos ainda foram incendiados. Isso nos choca, nos deixa preocupadas.”

De acordo com Marcelly, quando se fala em travestis e transexuais, população que ela representa, ainda é preciso enfrentar muito. “Nós ainda estamos lá na ponta, somos as últimas. Não somos respeitadas pelo nome social e somos 24h por dia vistas como profissionais do sexo. Temos 95% das mulheres travestis e transexuais ainda nas esquinas se prostituindo porque não há oportunidades”, lamenta.

Festa do amor em todas formas, dizem amigos
Rosto pintado com as cores do arco-íris, corações representando o amor e a tradicional bandeira amarrada sobre os ombros. Foi assim que os amigos Geovana Barreto, 16, Roberta Stiehl, 23, Renata Stiehl, 28, e Anderson Machado, 21, foram até o Centenário para participar do evento pioneiro em Montenegro. Para eles, a festa representou a luta que a comunidade LGBT enfrenta diariamente. “Montenegro é pequena e temos uma dificuldade muito grande de representação”, pondera Anderson.

Mais do que defender um gênero, para os jovens, a festa é uma forma de espalhar amor e mostrar para o município que são todos humanos.
“Independentemente do gênero, aqui, hoje, são pessoas. São pessoas que estão celebrando o amor. Não é gay, não é hetero, não é homossexual. Não são rótulos. São pessoas”, afirma Roberta.

Para Renata, que é professora, a escola é a principal ferramenta de combate ao preconceito. “Na sala de aula trabalhamos na questão do amor e respeito à identidade do ser humano. Hoje se criam muitos rótulos, que, na verdade, não são. Precisamos nos libertar desses rótulos”, acrescenta.

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