camisinha, preservativo, HIV, Aids, Carnaval, DSTs
Campanhas reforçam a importância do preservativo. Afinal, os mais jovens parecem resistir em utilizá-lo

Curtir o Carnaval faz parte da cultura do brasileiro. Em desfiles, blocos, festas ou à beira mar, essa é uma época marcada pela felicidade e por prazeres. São comemorações feitas de todas as formas e onde famílias se encontram, amizades se formam e amores de Carnaval surgem, mesmo que tenham sua data de término já marcada ao primeiro beijo. Toda essa felicidade é fantástica, desde que todos cheguem bem à Quarta-feira de Cinzas, quando a vida normal precisa ser retomada.

Segundo dados do Ministério da Saúde, os casos de HIV/aids em jovens de 15 a 24 anos cresceram 85% nos últimos 10 anos. Isso tem tudo a ver com Carnaval, afinal, essa é inegavelmente uma época de encontros casuais e sexo sem proteção. No intuito de sensibilizar o público mais jovem a se proteger, campanhas com esclarecimentos e distribuição de camisinhas ocorrem por todo o país.

Helena Maichrzak, Ana Paula Martins, Carnaval, DSTs, Programa DST/Aids
Ana Paula Martins, Assistente Social; e Helena Maichrzak, enfermeira; são coordenadoras do Programa DST/Aids da SMS de Montenegro

Em 2017, a campanha para proteção contra doenças sexualmente transmissíveis tem como slogan: “No Carnaval, use camisinha e viva essa grande festa!” Os jovens são o foco da campanha, já que essa é a faixa etária que menos usa camisinha. Pesquisa de Conhecimento, Atitudes e Práticas indica queda no uso regular do preservativo entre os que têm de 15 a 24 anos, tanto com parceiros eventuais – de 58,4% em 2004 para 56,6%, em 2013 – como com parceiros fixos – queda de 38,8% em 2004 para 34,2% em 2013.

Em Montenegro, segundo informações fornecidas pela Secretaria Municipal de Saúde, a distribuição de preservativos é contínua, em todos os postos de saúde onde existe disponível o preservativo feminino e masculino. Não haverá ações específicas ao Carnaval na cidade. O Programa DST/Aids, da Secretaria da Saúde, segue operando sob a coordenação da enfermeira Helena Maichrzak e Assistente Social Ana Paula Martins.

Elas defendem que as ações precisam ser contínuas, não somente no Carnaval. “O risco de exposição em uma relação sexual desprotegia pode ocorrer em qualquer relação sem o uso de preservativo”, reforça Helena. “Não iremos realizar ações diretas nos eventos de Carnaval, mas os clubes e locais que irão promover bailes poderão solicitar preservativos à Secretaria Municipal de Saúde”, complementa Ana Paula.

Nem só HIV assusta
Não é apenas pela Aids que todos deveriam se proteger durante a relação sexual, sobretudo quando essa ocorre entre pessoas que se conheceram há pouco tempo e desconhecem o passado do parceiro. Sífilis, herpes e hepatites. Nada disso é esperado por quem resolver curtir uma noite de sexo sem compromisso. Mas pode ocorrer se for sem proteção. Além disso, uma gravidez indesejada pode por fim a qualquer alegria de Carnaval.

O uso de preservativos masculino ou feminino nas relações sexuais – anal, oral ou vaginal – é a única forma de se prevenir contra as Doença Sexualmente Transmissível (DSTs) e de uma gravidez não planejada. Nem todas as DSTs são captadas pelo teste rápido. Portanto, em caso de dúvida, é indicado procurar o posto de saúde mais perto de casa, onde os profissionais da saúde poderão oferecer orientação e tratamento adequado. “Não efetue automedicação. Isto poderá agravar a situação”, finaliza Helena Maichrzak.

camisinha, preservativo, HIV, gravidez, Carnaval, DSTs
Além do HIV, o preservativo protege contra outras doenças e da gravidez não planejada

Não se preveniu? Teste rápido
A testagem oferece um diagnóstico rápido do HIV, realizado através da coleta de uma gota de sangue do dedo. Cerca de 30 minutos depois a pessoa tem o resultado. Além da testagem, é realizado um aconselhamento no posto, por parte das enfermeiras. Nos casos positivos a pessoa é automaticamente encaminhada para atendimento da equipe técnica do Programa DST/Aids.

Após a relação sexual desprotegida existe um período de tempo chamado de janela imunológica, que é o intervalo de tempo entre a infecção pelo vírus HIV e a produção de anticorpos anti-HIV no sangue. Ou seja, se a pessoa teve a relação sexual com alguém infectado pelo vírus HIV, ela poderá levar algum tempo para apresentar resultado positivo. Se o teste for feito durante o período da janela imunológica, há a possibilidade dele apresentar um falso resultado negativo.

Isso não significa que se deve aguardar para procurar auxílio. “Nossa orientação é de que se pessoa manteve relação sexual desprotegida procure o serviço de pronto atendimento o mais rápido possível”, explica Ana Paula Martins. A recomendação é fazer o teste o quanto antes e repeti-lo 30 dias depois. Para a Sífilis e as Hepatites Virais também existe testagem rápida.

Onde fazer o teste
– Secretaria Municipal de Saúde, no setor de ambulatório adulto;
– Vigilância Epidemiológica;
– Posto de Atendimento Médico ( PAM);
– Postos de Estratégia de Saúde da Família dos bairros Industrial e Germano Henke.

Escolha o sapato adequado
Os pés dos foliões costumam sofrer até o final do feriado. O que é natural, devido aos abusos suportados, principalmente por quem não abre mão de pular Carnaval em todas as noites do feriado. O ideal é, pelo menos, escolher o sapato adequado. E nesse caso as mulheres são as principais vítimas de acidentes. É que algumas teimam em pular Carnaval de salto alto.

Segundo o professor de Fisioterapia da Uniderp, Filipe Abdalla dos Reis, saltos altos e calçados apertados são o grande problema. “O risco se dá em virtude do posicionamento do pé da mulher. No Carnaval, o maior risco do uso do salto se dá em virtude das entorses – popularmente chamadas de torções – no tornozelo e joelho”, complementa o profissional que também é fisioterapeuta do esporte. O risco é ainda maior para quem não está acostumada a usar o salto diariamente, por conta do desequilíbrio.

Mas não pense que os chinelos de borracha e as rasteirinhas são melhores. Como não oferecem apoio ao calcanhar, ajudam a forçar o joelho e deixam o pé exposto. As festas de Carnaval exigem muito do corpo. Os foliões caminham, dançam e pulam, por isso, o calçado mais indicado é o tênis.

Carnaval, nutrição, Cíntia Eliana Rohr, sucos desintoxicantes, energia na folia
Cíntia Eliana Rohr, nutricionista Foto: arquivo pessoal

Capriche na nutrição e pegue leve no álcool
Para suportar os dias de folia, é necessário nutrir bem o corpo a fim de curtir as festas sem perder o pique. A nutricionista Cíntia Eliana Rohr sugere que as refeições contenham nutrientes fontes de energia, mas que não pesem no estômago. Carnes grelhadas, consumidas junto de saladas e macarrão, ou arroz são boas opções. Assim como purê de batata doce com peixe assado e molho branco. Na hora do lanche, é positivo optar por uma salada de frutas com pouco açúcar mascavo, que fornece energia e fibras, além de granola sem glúten. Também é importante lembrar-se da hidratação. Água deve ser companheira do folião, em especial porque são dias de muito calor. Além da água, os sucos naturais são opções saudáveis.

Infelizmente, os dias de Carnaval costumam levar muitas pessoas às emergências hospitalares devido a problemas estomacais. É que o excesso de bebidas alcoólicas, alimentação exagerada e calor não fazem bem. Para evitar intoxicação alimentar, é indicado evitar alimentos com ovos crus como maionese ou salpicão.

Nesse caso, é melhor substituir por maionese industrializada, que oferece menos risco de estragar com o calor. “As saladas cruas devem ser muito bem higienizadas, afastando o risco de toxoplasmose”, comenta Cíntia. Além disso, é necessário evitar excessos de farináceos com glúten, como derivados de trigo, centeio, cevada, e alguns tipos de aveia, pois estes alimentos podem gerar desconforto estomacal e sensação de mal-estar se consumidos em grandes quantidades, principalmente no período da noite.

Se o consumo do álcool for inevitável, o indicado é não fazer muitas misturas nem ficar em jejum prolongado. “Faça uma refeição leve ou um lanche para que o organismo não absorva de forma tão rápida o álcool, causando efeitos indesejados”, orienta a nutricionista.

Carnaval, nutrição, Cíntia Eliana Rohr, sucos desintoxicantes, energia na folia
Alguns saucos podem ajudar a fazer uma limpeza no organismo pós comemorações

O dia seguinte
A Quarta-feira de Cinzas chega e, com ela, para alguns, a ressaca vem junto. Assim como aquele cansaço intenso e a sensação de que passou do limite. Por isso, depois das festas, o indicado é investir em alimentos leves, afinal, o excesso de álcool diminui absorção de nutrientes. Consuma muitas frutas, como uva, melancia, morango e laranja, beba água, e, nas refeições, tenha saladas e proteínas como carne magra, carboidratos como arroz integral/parboilizado ou tapioca.

Vale também investir em alguns sucos desintoxicantes, para retirar as impurezas do organismo e fazer aquela “faxina” interna. Cíntia Eliana Rohr destaca a combinação de suco de laranja com maçã, misturado com chocolate 50% cacau derretido e congelado previamente. “Frutas são fonte de vitaminas e fibras, enquanto o chocolate fornece energia”, destaca Cíntia. Outra sugestão é o suco de abacaxi, pêra e hortelã. Ele é digestivo, fonte de vitaminas e minerais, além de ser refrescante.

Jejum nem pensar
Quem não quer ganhar alguns centímetros na cintura durante o feriadão tem de manter a dieta. Não adianta ficar sem comer durante o dia para beber e comer à noite, como alguns tentam e, em geral, só conseguem é um mal-estar.

O organismo não faz esse tipo de compensação calórica. Ele precisa de nutrição durante todo o dia. “O ideal é consumir em pouca quantidade durante o dia, em várias pequenas refeições e fazer uma refeição cerca de uma ou duas horas antes da folia para ter energia durante a festa” diz Cíntia.

Deixe seu comentário