Passageiros em pé são uma realidade nas linhas urbanas e intermunicipais. Situação é preocupante. Fotos: Arquivo pessoal

COLETIVOS circulam lotados, quando deveriam transportar apenas metade de sua capacidade

Quando a Prefeitura e o governo do Estado publicaram os primeiros decretos impondo o isolamento social à população por conta da pandemia de coronavírus, as empresas que atuam no transporte coletivo reduziram a oferta de serviços. Nos bairros e para outros centros urbanos, várias linhas foram suspensas. No interior, algumas comunidades estão sem ônibus desde março. Num primeiro momento, com o comércio fechado, as medidas se justificavam, mas os usuários esperavam que, a partir desta semana, com a reabertura das lojas, os cortes seriam suspensos. Isso não ocorreu.

Com menos coletivos circulando, tanto nas linhas urbanas quanto nas intermunicipais, a primeira consequência foi a superlotação. Embora os decretos estabeleçam que os veículos não podem andar com mais de 50% de sua capacidade, para garantir a distância mínima entre os passageiros, o que se vê é justamente o contrário. “Eu voltei a trabalhar na segunda-feira e todas as vezes em que me desloco entre a Timbaúva e o Centro, de manhã e no fim da tarde, os ônibus estão cheios, inclusive, com passageiros em pé”, denuncia a faxineira Lurdes Machado de Souza.

A montenegrina Claudete Oliveira ainda tem evitado sair de casa, mas nessa segunda-feira, 4, precisou utilizar os serviços da Viação Montenegro e também relatou superlotação. “Tive que sair segunda-feira e fiquei sem internet para pedir um Uber para voltar para casa. Peguei a linha Germano Henke e fiquei muito preocupada. Todos estavam usando máscara, mas havia muita gente em pé, o corredor estava lotado”, salienta.

As redes sociais estão cheias de relatos semelhantes, que chamaram a atenção do vereador Talis Ferreira (Progressistas). Na manhã desta terça, ele encaminhou um ofício à Administração Municipal solicitando providências. “O que está ocorrendo é um absurdo. Com essa lotação, os próprios ônibus se tornam um ambiente propício para a transmissão do coronavírus”, reclama. “As pessoas voltaram ao trabalho, então o transporte deve ser retomado em sua integralidade”, acrescenta.

No documento encaminhado ao governo, Talis cobra a fiscalização das linhas de ônibus urbanas da Viação Montenegro, para que os veículos não trafeguem lotados e a empresa atenda às medidas de prevenção e controle previstas em decreto. “Também pedimos à Prefeitura Municipal providências para a retomada dos horários normais das linhas do interior, já que algumas foram suspensas, prejudicando as pessoas que precisam delas porque trabalham no perímetro urbano”, reforça.

O prefeito Kadu Müller já conhece a situação e marcou uma reunião com a direção da Vimsa para buscar alternativas. “Sabemos das dificuldades que a empresa enfrenta, mas não podemos permitir que os usuários sejam submetidos a tamanho risco”, ressalta. Ele observa a gravidade da situação, considerando que é época de pagamento dos aposentados e dos auxílios emergenciais a quem ficou sem renda. “A Viação sempre foi uma parceira da comunidade e tenho certeza de que encontraremos uma solução”, anima-se.

Nos horários de pico, a lotação é maior

Viação Montenegro divulga nota com esclarecimentos
A direção da Viação Montenegro, em resposta às críticas pela lotação dos ônibus, divulgou uma nota com esclarecimentos sobre o tema. A empresa informa que o transporte coletivo funcionará em regime de medida de adaptação até o dia 3 de junho, para que possa avaliar, em conjunto com o Município e o Estado, as melhores alternativas para o enfrentamento da grave situação financeira que assola o setor com vistas à manutenção dos serviços.

Segundo o documento, é de conhecimento geral a precária situação do transporte coletivo em todo o País, não sendo diferente em Montenegro. “O retorno à normalidade, no entanto, passa pelo aporte financeiro do setor público para viabilização das operações, bem como o uso de outras soluções já encaminhadas para o Município e Estado, cujos estudos estão sendo realizados”, explica.

A Vimsa pede a colaboração dos passageiros para que, na medida do possível, organizem-se em relação aos horários das viagens, evitando maior concentração de lotação e aglomerações nas paradas. Também pede que todos usem máscaras. “Estamos seguindo todas as normatizações e orientações quanto aos cuidados necessários durante a operação e desinfecção do veículo”, assegura o documento. Dúvidas, sugestões ou reclamações podem ser encaminhadas ao Serviço de Atendimento ao Cliente, através do número e WhatsApp 3632 0893.

A falta de máscara facilita a disseminação do vírus

Nas linhas intermunicipais, as máscaras são ignoradas
Nos deslocamentos entre Montenegro e outras cidades, as queixas são semelhantes. A montenegrina Maria Helena Machado utiliza os serviços da Viação Montenegro de segunda a sexta-feira e reclama da superlotação dos veículos. “Pego o ônibus na rodoviária de Montenegro sempre às 6h40min, pois trabalho em Portão, e já faz uma semana que tem muita gente de pé”, observa a passageira.

Neste itinerário, segundo ela, nem todos utilizam máscara. O uso é obrigatório, de acordo com o Decreto Municipal nº 8.040/2020 e conforme determinação do Estado, sob pena de configuração de crime previsto no artigo 268, do Código Penal. Os motoristas reforçam o pedido a cada parada, porém, mesmo assim, há pessoas que embarcam sem. “Tem um cartaz no ônibus pedindo para que os passageiros usem máscaras. Também ouvi o motorista falando que, sem o equipamento, não pode embarcar, mas ainda tem gente que entra no ônibus sem máscara”, revela Maria Helena.

Ela ainda alega que, mesmo com a capacidade no limite, os motoristas continuam parando em todos os pontos de ônibus para o embarque de novos passageiros. “Eles (motoristas) seguem parando e deixando outras pessoas entrarem. Até teve uma passageira que entrou e falou: Nossa!”, complementa a usuária.

A suspensão de linhas intermunicipais e no interior também está gerando problemas para algumas empresas, cujos funcionários estão tendo dificuldades de chegar ao trabalho. Uma delas é o Hospital Montenegro, que precisou colocar um veículo próprio para fazer o serviço. “São mais de 15 pessoas afetadas diariamente por estes cortes. Algumas vêm de carona, os pais e maridos trazem e, quando isso não é possível, a gente busca e leva”, revela o diretor administrativo, Carlos Batista da Silveira. Ele espera que a situação se resolva o quanto antes. Até porque, em meio à pandemia, o trabalho dessas pessoas é ainda mais essencial à saúde pública.

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