A proximidade da área com o Polo Petroquímico de Triunfo é uma das potencialidades do projeto. Aproxima a matéria prima e diminui custos. FOTO: VITOR KALSING

AS SETE que assinaram protocolo de intenções no ano passado optaram por esperar mais

A fábrica de cimento da Hipermix é o primeiro resultado concreto do projeto do Polo da Química de Montenegro. Está com lote garantido e já se preparando para instalação. Mas antes dela, ainda em setembro do ano passado, sete outras empresas haviam assinado protocolo de intenções para iniciar operação no Município. O cronograma previa elaboração e execução de projetos neste ano para funcionamento em 2021. Mas agora, em função de impactos da pandemia do coronavírus, as tratativas destas estão sendo adiadas em, pelo menos, um ano.

“Esse ano, para investimentos, morreu. O faturamento da maioria das indústrias caiu muito”, informa o presidente do Sindicato das Indústrias Químicas do Rio Grande do Sul (Sindiquim), Newton Battastini. Ele é proprietário da indústria de tintas Tecpon, uma das sete que assinou o protocolo de intenções. “Nenhuma delas desistiu (da vinda), mas, hoje, a prioridade das empresas é manter o caixa para não fazer demissões.”

Battastini esclarece que a instalação de qualquer empresa da área química envolve projetos detalhados e tempo. “Não podemos comparar com um comércio, em que o empreendedor planeja e inicia no mês seguinte”, explica. Todo o detalhamento demanda autorizações de agências reguladoras para, então, passar pela aprovação do governo do estado, que é o dono da área de 700 hectares que compõem o Polo da Química. Só com esse aval que é feita a aquisição do lote.

Além da Tecpon, de Cachoeirinha, estão nessa etapa a Botanik, de Campo Bom; a Kresil e a Rochadel, de Porto Alegre; e a Crivella e a Quimicamar, também de Cachoeirinha. Todas de produção de cosméticos, produtos de limpeza e afins. A Memphis, de Porto Alegre, sétima a assinar o protocolo, abandonou o projeto do Polo, mas para investir na construção de uma unidade em terreno já de sua propriedade em Montenegro.

CAUSA E CONSEQUÊNCIA
A razão dessa espera maior para migração é clara. Segundo o presidente do Sindiquim, a redução de circulação e a queda de consumo em função da pandemia afetaram diretamente a fabricação de tintas e cosméticos. Sem colocação de produto, com o comércio fechado, a redução da atividade ficou entre 40 e 50%.

Mas há esforços pelo movimento contrário. A secretária municipal de Indústria e Comércio de Montenegro, Cristiane Gehrke, informou que, junto da comissão de entidades que integram o projeto do Polo, deve procurar as empresas para oferecer apoio e possibilidades de financiamentos para garantir o investimento. “Esse um ano a mais que eles sinalizaram (para a vinda), nós ainda estamos querendo puxar de volta”, adiantou.

Há tratativas avançadas para a confirmação de mais empreendimentos

Cristiane Gehrke

Secretária de Indústria e Comércio de Montenegro, Cristiane Gehrke garante que o movimento para captação de novas empresas para o Polo da Química não parou. Pelo contrário. “Agora, mais do que antes, por conta de tudo o que está acontecendo, o foco em gerar mais empregos é ainda mais latente do que em qualquer outro momento”, destaca. No fim de maio, já com a pandemia, ela conta que acompanhou mais dois empresários, donos de organizações interessadas no projeto, até o Distrito Industrial para apresentar o espaço e suas potencialidades.

O Polo é uma iniciativa concebida através de parceria entre o governo estadual, o Sindiquim, a Braskem e as prefeituras de Montenegro e Triunfo. Busca aproveitar as potencialidades do complexo formado pelos distritos industriais dos dois municípios, o Polo Petroquímico de Triunfo e o Terminal Santa Clara em um pacote para incentivar a instalação de empreendimentos de terceira geração da área química por aqui.

“Tem toda uma estrutura logística, seja portuária, rodoviária e ferroviária; e já é uma área química. Tem todo aquele cluster e, para obter as regularizações é mais viável”, destaca o presidente do Sindiquim, Newton Battastini. Também foi construído um Centro Integrado de Treinamento na área, onde, em parceria com o Sistema S, são oferecidas qualificações de mão de obra.

Dentre as empresas que foram conhecer o espaço junto da secretária municipal está uma de São Paulo e outra de Canoas. A pedido dos responsáveis, os nomes não foram divulgados, pois a negociação ainda está em fase de análise.

Mas não para nelas. No início da semana passada, Cristiane e o prefeito Kadu Müller se reuniram em Porto Alegre com outros dois empresários de indústrias baseadas no Rio Grande do Sul: a Sulboro, empresa da área química com produto a base de boro voltado ao setor agrícola; e a Pinussul, do ramo de madeiras. Essas já haviam conhecido o distrito anteriormente e, na reunião, confirmaram o interesse na vinda para Montenegro. Seguem, agora, para as etapas de elaboração de projetos e aprovação.

São trâmites que tendem a levar tempo, mas, junto da indústria de cimento e argamassa da Hipermix, que é o primeiro retorno concreto do Polo da Química, a secretária municipal adianta que há uma segunda organização com tratativas bastante avançadas neste sentido. Desta, faltam poucos passos para confirmação e divulgação da instalação.

Trata-se de uma empresa com base na Suiça, mas com matriz brasileira em São Paulo, que deu início ao processo quase junto da Hipermix, mas teve atraso na aprovação junto ao comitê avaliador do governo do estado por falta de documentos. “Em geral, é bastante documentação que precisa ser apresentada. Precisa o projeto ambiental, o projeto de construção e isso não é do dia para a noite. Normalmente, só os trâmites burocráticos levam mais de um ano”, explica Cristiane.

Não é regra. “Ainda assim, com a Hipermix, nós começamos as conversas em dezembro e, em abril, já foi batido o martelo. Em termos de instalação de uma indústria, é um tempo rápido”, salienta a secretária. A expectativa é que o empreendimento em questão seja o segundo oficialmente confirmado do Polo.

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