Mães temem que a Bello Faustino seja tão enfraquecida ao ponto de fechar totalmente

Educação. Por economia, Prefeitura de Montenegro fechou a pré-escola na Bello Faustino dos Santos, em Fortaleza

Em nome da economia, a Prefeitura de Montenegro irá extinguir a pré-escola na Bello Faustino dos Santos. A decisão acontece após três anos consecutivos de ameaça enfrentada pela comunidade interiorana de Fortaleza, e inclusive um período letivo de fato suspenso. As matrículas já não são realizadas e a direção encaminha os pais à Escola Municipal Manoel José da Motta, em Muda Boi.

E mesmo que a ameaça tenha sido concretizada para o ano-letivo de 2019, os pais não irão desistir. Através da Câmara de Vereadores pediram uma reunião com o prefeito Carlos Eduardo Müller no intuito de dissuadi-lo da ideia. Os principais argumentos são a distância, pois para alguns moradores da Fortaleza somam 8 quilômetros de distância; e o enfraquecimento cultural devido ao afastamento das crianças de sua comunidade.

Elisandra Kehl tem um filho no 3º ano, mas como presidente do Circulo de Pais e Mestres (CPM) está engajada em prol do fortalecimento da instituição de ensino. Ela recorda que assim que assumiu, em 2018, a atual secretária de Educação e Cultura, Rita Carneiro Fleck, teria negado intenção de fechar aquele ciclo escolar. “Mas chegou o final de ano e mudou de ideia outra vez”, comenta a presidente.

Agora o Município exigirá um mínimo de 12 alunos para manter uma pré-escola nas instituições. Hoje a Bello Faustino teria 10 crianças em lista, além de uma que já foi matriculada em Muda Boi. Elisandra assinala ainda que o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) garante acesso na escola mais próxima de casa. Como algumas famílias moram a 50 metros da Bello Faustino, isso seria um claro desrespeito ao estabelecido na legislação.

Escola perto de casa dá tranquilidade
Mesmo que a Smec tenha prometido transporte escolar, o pai Jocimar de Azevedo Kuhn salienta o transtorno devido à distância quando os filhos precisarão ser pegos no horário de aula. “Muitos não têm condição para ir lá naquela escola”, aponta, ao observar que moradores mais humildes precisariam caminhar.

Elisandra argumenta que isso estimula o êxodo rural

Além da participação em eventos lúdicos, como Dia das Mães, ele se preocupa com a hipótese do filho Braian ficar doente. “Aqui é mais perto para nós. Se der um problema a gente vem”, avalia. Inclusive, o menino de 4 anos já havia sido matriculado, para depois os pais serem avisados por WhatsApp sobre o cancelamento.

O transporte escolar causa temor, pois, segundo essas mães, as empresas contratadas optam em ir pelo asfalto das RS’s 124 e 287, expondo seus filhos desnecessariamente a um trânsito intenso. Elisandra Kehl atribui toda essa situação ao sistema de zoneamento. Antes a Bello Faustino tinha 100 alunos, e agora apenas 15 (sem o pré) em sistema Multiseriado onde um professor atende simultaneamente alunos do 1º ao 5º ano.

Alunos vão para a aula a pé
Essa situação de Bianca Andrea Azevedo Cheron, que mora ao lado da escola e vive a expectativa de em 2019 ver seu filho ingressar na pré-escola em outra comunidade. Uma opção é matriculá-lo em Triunfo, onde vive a família do pai dele. Uma escola na divisa acaba sendo mais perto, todavia precisarão levar a criança até a parada de ônibus distante um quilômetro.

Jocimar e Andréia não querem no futuro os filhos em escolas separadas

Já Emile Elisa dos Santos tem um filho totalmente ambientado no Pré A da Faustino, sendo que no próximo ano terá que mudá-lo, contra a vontade, para um novo ambiente na Manoel José da Motta. O que esses pais também questionam é o fim do vínculo com suas raízes, pois na nova escola os projetos transversais irão abordar a história e peculiaridades de Muda Boi.

O cenário tem ainda outra consequência que pode ser evitada. O zoneamento obrigará que essas crianças retornem à Bello Faustino quando ingressarem no 1º ano das Séries Iniciais, causando outro impacto em sua convivência social. E para famílias que têm dois ou mais filhos, um em cada ciclo, será mais prático deixar os irmãos na mesma instituição, enfraquecendo definitivamente a escola na Fortaleza.

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