O prédio onde funcionava a creche foi demolido no início deste ano. Foto:arquivo Jornal Ibiá

SEM RESPOSTAS. Quase um ano após denúncias, não há informações sobre a apuração dos fatos

Em novembro de 2019 a suspeita de maus-tratos na Escola de Educação Infantil Jeito de Mãe indignou pais e, de modo geral, a comunidade de Montenegro. O local foi fechado, o Ministério Público fez buscas e apreendeu materiais para auxiliar na investigação dos fatos. Meses depois, o prédio, que era alugado, foi demolido por vontade do proprietário. Mas a destruição física da estrutura não apaga os questionamentos sobre o que, de fato, ocorreu no local.

O caso é investigado pela Promotoria de Justiça Especializada de Montenegro. Ao ser questionada pela reportagem do Ibiá sobre as denúncias, em novembro do ano passado, a promotora responsável, Rafaela Hias Moreira Huergo informou que “as investigações estão em andamento através de inquérito civil instaurado na Promotoria de Justiça Especializada, no qual já estão sendo realizadas diligências para apurar os fatos e tomar eventuais medidas de proteção em favor das crianças envolvidas. Da mesma forma, o caso já foi remetido às Promotorias de Justiça Criminais, para eventual responsabilização penal dos responsáveis. Por hora, é isso que podemos passar de informação, até mesmo para não frustrar as investigações”.

Novos questionamentos foram encaminhados pelo Ibiá nos meses seguintes. Em fevereiro deste ano, a última resposta dada pela promotora foi a seguinte: “As medidas judiciais cabíveis serão tomadas em breve. Contudo, por cautela, em razão do advento da Lei de Abuso de Autoridade, prefiro não me manifestar com mais profundidade quanto ao andamento das investigações”. No último dia 7, a reportagem voltou a encaminhar e-mails com o objetivo de responder aos questionamentos da comunidade sobre como ficou o caso, no entanto, não houve retorno.

Pais esperam ansiosos por respostas
Tarsis Froming e a esposa dele Aline Poliana Zarth  fazem parte do grupo de pais que ainda aguardam respostas. “A última notícia que tivemos é que por causa da pandemia alguns processos estavam parados. Mas ninguém nos procurou mais, como já era esperado pela maioria de nós”, comenta. “A falta de informação é um ponto que se soma à angústia de saber o que aconteceu com meu filho, porque pessoas ligadas à creche citaram coisas horríveis que aconteciam lá. Meu sentimento é de impotência, tristeza e falta de esperança na justiça brasileira”, desabafa Tarsis. “Tristeza resume o que sinto”, afirma.

Tarsis diz ainda que entende as dificuldades impostas pelo cenário de pandemia, mas espera que a situação não seja esquecida. “O Brasil tem a fama de ser o país da impunidade, mas espero de coração que não ocorra nesse caso onde envolveram crianças”, conclui.

Daniela Bilhari também confiou o filho aos cuidados da escolhinha e espera a elucidação do caso. “Vejo como se fosse algo que não tem importância aos órgãos competentes, ou como uma forma de negligenciar o que ocorreu, devido aos órgãos de fiscalização não terem interditado a escolinha desde que o seu alvará havia vencido”, diz.

Para Daniela, a falta de informação sobre o andamento do processo gera sensação de insegurança. “Parece que não vai dar em nada, e vai continuar sem solução, pois os principais envolvidos no caso continuam andando normalmente pela cidade, como se nada tivesse acontecido”, finaliza.
O Conselho Municipal de Educação foi contato, mas não se manifestou sobre os questionamentos encaminhados pela reportagem.

A creche foi interditada, após as denúncias, ainda no ano passado

Relembre o caso
Seis casais se mobilizaram para conseguir o fechamento da Escola Infantil Jeito de Mãe. Uma ex-professora da instituição afirmou que os pequenos eram submetidos a situações de maus-tratos, como castigo por não dormirem quando eram mandados, além de não receberem alimentação adequada.

A escola era particular, mas possuía convênio com a Prefeitura para venda de vagas. Desde que surgiram as suspeitas, a Administração retirou todas as crianças do local e as encaminhou para unidades do município.
Uma das mães foi atrás de informações e descobriu a existência de um registro de ocorrência feito contra a escolinha. A partir daí, outros pais começaram a se manifestar sobre fatos a que, até então, não haviam percebido.

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