Crime ocorreu na Rua do Ministério, no bairro São Paulo

ARMA usada no crime estava na mão do suspeito de ter tirado a vida do próprio filho

A trágica morte do menino Marcelo David da Rosa de Campos, de apenas 7 anos, chocou a população gaúcha nessa quinta-feira, 13. O garoto e o pai dele, Márcio David Souza de Campos, de 38 anos, foram encontrados sem vida, por volta das 21h30min da quarta-feira, 12, na Rua do Ministério, no bairro São Paulo, em Montenegro. A principal suspeita sobre o crime é que o pai efetuou dois disparos contra o menino e depois acabou com a própria vida. Márcio estava separado da mãe de Marcelo, Eli Roseli Rosa, desde o final do ano passado.

Segundo informações do titular da 1ª Delegacia de Polícia de Montenegro, André Roese, um revólver calibre 38 com numeração raspada foi encontrado na mão de Márcio. Não há informações exatas sobre as causas do crime, tampouco sobre a hora exata em que ocorreu. Os disparos atingiram a nuca da criança e a cabeça do pai. Uma equipe de peritos esteve no local do crime. A Polícia Civil investiga o caso.

O aposentado João da Rosa, 69, era vizinho de Márcio. O idoso acredita que a tragédia tenha ocorrido ainda na madrugada da quarta-feira. “Era umas duas horas da madrugada quando ouvi um estampido abafado. Levantei, vim na garagem, olhei e não vi nada, aí voltei a dormir. Acho que foi a hora do tiro”, conta o morador.

Velório e sepultamento de Marcelinho ocorreram ontem

Os corpos só foram encontrados na noite da quarta-feira, por parentes da mãe do menino. “Ligaram e mandaram mensagem para o Márcio. Como não atendia e nem respondia, a Roseli pediu pra uma prima ver o que estava acontecendo. Quando ela e o marido chegaram ali, encontraram os dois mortos”, detalha seu João.

A perícia teria constatado que a última conversa de Márcio, via WhatsApp, ocorreu por volta das 7h do dia 12, o que aumenta a dúvida sobre o horário exato do crime. “A gente acha que ele matou o menino de madrugada e se matou de manhã”, diz seu João. Conforme o morador, Márcio foi encontrado abraçado ao corpo do filho. Ambos estavam cobertos por um edredom.

Marli da Rosa diz que Márcio era um vizinho tranquilo, acima de suspeitas. Ele trabalhava em uma distribuidora de bebidas na cidade, e nos dias de folga aproveitava para relaxar e brincar com o filho. “Ele ficava sentado na frente de casa tomando chimarrão. Não dá pra acreditar numa coisa dessas”, comenta a mulher.

A casa onde o crime ocorreu pertencia à família de Eli, mas há cerca de três meses era ocupada somente por Márcio. Segundo informações de conhecidos, o casal manteve um relacionamento de cerca de 12 anos e teria oficializado a separação na semana passada.

Márcio David Souza de Campos era considerado um bom pai por vizinhos, que o viam brincando com o filho

Procurada pela reportagem do Ibiá, a família materna de Marcelo não quis se manifestar sobre o caso. Parentes de Márcio não foram localizados. O sepultamento do menino ocorreu às 19h de ontem, no Cemitério Municipal de Montenegro.

Marcelinho será lembrado pelo sorriso “fácil”
“Quando a gente chamava o Marcelo, primeiro ele sorria pra depois responder ao chamado. Era um menino extrovertido, que se dava bem com todo mundo”, conta Simone Nunes, diretora da Escola Estadual Dr. Jorge Guilherme Moojen, onde ele estudava. Em 2020, o garoto cursaria o segundo ano do Ensino Fundamental.

Conforme a diretora, a notícia da morte do aluno abalou toda a comunidade escolar. “Foi um choque pra nós. É muito triste começar o ano com uma perda de um aluno de forma tão trágica”, comenta Simone.

Marcelinho, como era chamado pelos colegas, adorava jogar bola. Integrante da F-10 Escolinha de Futebol, o garoto já desperta saudades. No Facebook, várias homenagens foram prestadas ao pequeno nessa quinta-feira. “Nosso atleta, que estava sempre com sorriso no rosto e pronto para fazer uma arte. Aquela criança que é realmente iluminada.

Chegava sempre alegre aos treinos, e vinha apresentando uma evolução incrível. Como dói”, postou a direção da F-10.
Mateus Almeida lembra da principal característica de Marcelo ao lamentar a perda. “Um vizinho sempre sorridente, sempre alegre. Nunca vou esquecer de quando passava aqui em casa e falava ‘vamos jogar bola?’. Eu via o brilho nos olhos dele quando dizia sim, ele ficava feliz. Agora, o que resta é saudade eterna do Marcelinho”, afirma.

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