“Melhor Padeiro do Brasil” em 2016, Marcos Satiq participou de seletiva para a Copa do Mundo dos profissionais

No final do mês passado, o padeiro montenegrino Marcos Adriano Silva Satiq, de 32 anos, foi um dos doze profissionais do país a participar, em São Paulo, da seletiva para o “Mondial Du Pain” – a Copa do Mundo da panificação, que ocorre na França. Havia mais de 1.600 inscritos para a etapa, que foram filtrados a partir de suas técnicas e nível de excelência.

E essa não foi a primeira vez que Marcos recebeu reconhecimento nacional por seu trabalho. Em 2016, ele ganhou o título de “Melhor Padeiro do Brasil”, no concurso Gran Chef da revista Padaria 2000. Na ocasião, ele também ficou em segundo lugar na categoria “Confeiteiro” e, em quarto, na categoria “Chocolateiro”.

PROFISSIONAL tem se especializado na panificação com fermentação natural, que rende produto mais saudável. FOTOS – ACERVO PESSOAL DE MARCOS SATIQ

Filho e sobrinho de padeiros, o profissional cresceu no bairro Senai de Montenegro e, após morar alguns anos em Triunfo, voltou ao município para treinar nos estabelecimentos locais. Trabalhou nas padarias dos mercados Ritter e Centenário, na Kipão e na Casa do Pão. Ele também fez diferentes especializações.

“Eu só saí de Montenegro quando eu vi que já não poderia crescer mais profissionalmente”, lembra Marcos. Já se destacando, ele acabou convidado a fazer parte da equipe de chef’s que construiu o primeiro museu de chocolate das Américas: o Mundo de Chocolate Lugano, em Gramado. “Lá nós ficamos três meses esculpindo em blocos de chocolate”, conta. Foram mais de 200 peças diferentes, desde uma girafa até a Torre Eiffel. Tudo de chocolate.

Saindo do Rio Grande do Sul, ele passou a morar na cidade catarinense de Porto Belo. Sempre na área de alimentação, chegou a trabalhar pela região como padeiro em um hotel e, após, como gerente de qualidade em uma indústria. “Aí eu acabei largando a profissão, porque não me sobrava tempo para que eu me dedicasse a minha paixão”, recorda. O foco passou às competições.

Desafio entre os melhores da profissão

PADEIRO saiu de Montenegro para crescer profissionalmente. Dedicação tem dado frutos e levado Marcos a enfrentar novos desafios com sucesso

Marcos recorda que, para a inscrição na seletiva em São Paulo, precisou mandar vídeos, fotos e informações técnicas para a pré seleção. “É muito difícil chegar até ali. Os jurados são bem exigentes”, destaca. Já entre os doze selecionados, as atividades demandavam cálculos minuciosos, impondo até o peso que o pão deveria ter depois de assado. O trabalho de mais destaque, no entanto, foi o desafio da criação de uma escultura que tivesse censo artístico, considerável grau de dificuldade e que também contasse uma história.

O montenegrino usou sua cidade de Porto Belo como inspiração para a obra. Após dois dias de pesquisa no museu do município, desenvolveu sua comestível escultura narrando a história da colonização do local. A obra começa com uma base que representa o mapa de Porto; passa por uma “pedra” com inscrições indígenas; traz a baleia pescada com o arpão da colônia de pescadores que colonizou o lugar; e até a igreja, construída com uma argamassa feita à base de gordura de baleia.

O padeiro não chegou a ser selecionado para a Copa do Mundo da França – o vencedor foi um profissional paulista – mas recebeu uma menção honrosa na Câmara de Vereadores da cidade onde vive, por levar o nome dela ao país. Cheio de planos para o futuro, Marcos pretende abrir uma boulangerie (padaria, em francês) na região, fabricando pães com fermentação natural para distribuição em hotéis e restaurantes, além de seguir se dedicando às competições. Que venha o mundial!

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