Operação Iceberg é fruto de mais de seis meses de investigações. Foto: Divulgação/Polícia Civil

Uma grande operação policial contra o crime organizado e lavagem de dinheiro foi deflagrada na manhã desta quarta-feira, dia 2, pela Polícia Civil (PC) com o apoio da Brigada Militar (BM) e da Superintendência dos Serviços Penitenciários (Susepe). Ao todo, 300 servidores das forças de segurança pública executam 97 ordens judiciais em oito cidades do Rio Grande do Sul, entre elas Montenegro.

300 policiais civis e militares e agentes da Susepe participam da ação. Foto: Divulgação/PC

Na maior cidade do Vale do Caí, foi efetuada ação de busca na Penitenciária Modulada Estadual de Montenegro, onde encontra-se preso preventivamente uma das lideranças da organização criminosa alvo da Operação Iceberg. Há, ainda, mandados sendo cumpridos em Porto Alegre, Canoas, Sapucaia do Sul, Esteio, Imbé, São Leopoldo e Novo Hamburgo.

A investigação que deu início à operação começou em maio de 2020, quando dois indivíduos foram presos em flagrante em Sapucaia do Sul por tráfico de drogas e porte ilegal de arma de fogo. Com os suspeitos,  foram apreendidos telefones celulares, documentos e diversos comprovantes de depósitos bancários.

Através da investigação, a PC conseguiu apontar um grande esquema de ocultação e mascaramento de bens e valores oriundos do tráfico ilícito de entorpecentes. Foi possível apurar que havia um forte esquema de remessa de dinheiro proveniente do tráfico ilícito de drogas a diversas contas bancárias de “laranjas”. Além disso, comprovou-se que diversas empresas de fachada foram criadas para auxiliar no esquema de lavagem de dinheiro.

Grupo alvo da ação movimentou mais de R$ 2 milhões em três dias. Foto: Divulgação/PC

Os policiais constataram movimentações financeiras superiores a R$ 2 milhões num período de três dias. A investigação também conseguiu apurar que algumas empresas que recebiam valores eram sediadas em cidades limítrofes com o Paraguai. De acordo com a PC, esses recursos eram transferidos a estes locais justamente para subsidiarem a compra de mais entorpecentes oriundos do país vizinho.

Além da movimentação financeira, o grupo utilizava dezenas de imóveis e veículos como forma de transformar o patrimônio obtido por meio do tráfico de drogas e dar a ele aparência lícita. Ao todo, a PC identificou oito empresas de fachadas, sendo um delas com sede em Sapucaia do Sul, duas em Franca (SP), duas em Ponta Porã (MS), duas em Curitiba (PR) e uma em Campo Grande (MS).

O objetivo da Operação Iceberg é desarticular o esquema de lavagem de capitais por meio do bloqueio de diversas contas bancárias de pessoas físicas e jurídicas, sequestro de bens móveis e imóveis e prisão das lideranças da organização criminosa que são responsáveis pela movimentação financeira do grupo.

A investigação, que teve duração de mais de seis meses, resultou em 27 mandados de busca e apreensão em residências; três ordens de prisão preventiva; 26 quebras de sigilo fiscal, bancário e financeiro; oito indisponibilidade de imóveis; 16 contas bancárias bloqueadas; e 17 sequestros de veículos. Estima-se, pelo menos, o valor de R$ 8 milhões em imóveis sequestrados e R$ 1 milhão em veículos sequestrados.

Deixe seu comentário