A falta estrutura do Parque Centenário não é novidade para os montenegrinos. Às instalações elétricas precárias e aos ginásios esperando reforma, soma-se outro problema agora: o sumiço de mais de uma dúzia de patos e gansos que habitavam o local. Pode parecer um assunto de menor importância, mas não é. Primeiro, porque as aves eram uma atração a mais na área de lazer. Com frequência, famílias iam ao local com seus filhos, que se divertiam alimentando os bichinhos nas imediações dos lagos. Acostumados à presença do público, os patos e gansos davam vida ao parque. Além disso, o episódio coloca em dúvida a capacidade do poder público em proteger as suas instalações.

Mágica – As cercas em torno do Parque estão completamente danificadas e, embora funcione em seu interior o QG da Guarda Municipal, não há servidores em número suficiente para evitar a ocorrência de furtos e outros crimes no local. Finalmente, há quem suspeite da coincidência entre o sumiço e a presença de um circo no local. Não há provas da relação entre as duas situações, mas talvez o Centenário não seja mesmo um espaço adequado a picadeiros. Especialmente se o circo tiver “mágicos”, que sabem fazer as coisas desaparecerem.

Boicote – Obviamente que o sumiço dos patos e gansos não pode ser atribuído a um cochilo da Guarda, mas, no imaginário popular, fica a ideia de que, se os agentes não conseguem preservar as aves do Centenário, não estão preparados para assumir a fiscalização do trânsito. Aliás, dentro da cúpula do governo Kadu, também tem gente que pensa exatamente desta forma. E é por isso que a bagunça nas ruas continua.

Façam suas apostas – Como nesse país tudo é motivo para piadas, a coluna selecionou, entre as manifestações de leitores, algumas “teorias” sobre o que pode ter ocorrido com os patos e gansos. Marque com um “X” aquelas com que você concorda.

( ) Foram para a panela. Nada melhor do que pato ou ganso com arroz e bastante tempero;
( ) na falta de peru para Natal, viraram ceia;
( ) os gansos foram afogados;
( ) ficaram com medo de a Corsan cobrar pela água em que eles se banhavam e se mudaram da cidade;
( ) tiveram medo de também ficar sem água e fugiram;
( ) foram vendidos para reformar o ginásio Domingão;
( ) num truque, o mágico do circo os fez desaparecer;
( ) cansaram da falta de opções de lazer no Centenário e se mudaram para o Baixio. Não, péra…
( ) perderam a guerra com as tartarugas ninja do parque e foram exilados;
( ) migraram para uma região mais fria, porque o calorão anda insuportável;
( ) como não aguentam mais comer pão, foram atrás de um buffet a quilo;
( ) apavorados com a flexibilização da compra de armas, migraram para a Argentina;
( ) foram comprar maconha no Uruguai;
( ) assumiram cargos de confiança nos governos Leite e Bolsonaro;
( ) foram encontrar a Jenifer no Tinder.

Quando o salário é uma tentação
A poucos dias do fim do recesso na Câmara de Vereadores, a temperatura subiu esta semana. A “treta” envolveu os integrantes da mesa diretora em torno da ocupação do cargo de secretário-geral da casa. Desde o começo da legislatura, quem responde pela função é Felipe Diego da Silva e já havia uma sinalização do presidente Cristiano Braatz (MDB) pela sua permanência por mais um ano. Contudo, o vereador Felipe Kinn da Silva pretendia emplacar uma “afilhada” no cargo, cujo salário é suculento: R$ 8.362,42. A discussão foi pesada, a tal ponto de nem as grossas paredes da Usina abafarem o som.

Cólera divina – O mais indignado com o assédio sobre o cargo foi o vice-presidente da Câmara, Juarez Vieira da Silva (PTB). Normalmente calmo e centrado, fruto de sua vivência no movimento evangélico, foi tomado por uma ira bíblica que faria tremer as muralhas de Jericó. “Enquadrado” pelo colega, Kinn recuou e fica tudo como está.

Cobiça – Aliás, o vereador Juarez, por sua postura conciliadora e pelo profundo conhecimento acerca das escrituras, poderia iniciar um movimento para a redação de uma tábua de mandamentos para os homens públicos não arderem no inferno. E um deles deveria ser “não cobiçarás o salário dos assessores”. Basta ver o noticiário para entender a importância disso.

Rapidinhas
* Mais alguém ouviu falar na ideia de criar uma secretaria municipal para cuidar da segurança pública? Se for verdade, é bom ter em mente que a chance de um projeto assim passar na Câmara de Vereadores é zero. Puro desgaste para o governo.

* E se o médico Waldir João Kleber (MDB) concorresse a prefeito tendo como vice o vereador Talis Ferreira (PR), o que aconteceria? Hein?

* Coordenador da Defesa Civil na gestão Aldana e presidente do PSB, Amoreti Tavares abandonou a legenda. Vai curtir a aposentadoria, longe dos “aproveitadores que buscam vantagens pessoais em cargos, funções públicas e políticas”.

Se não pode com ele…
Mal visto no governo Kadu por sua relação com o ex-prefeito Aldana e, principalmente, pelas duras críticas à gestão da Saúde no município, Luiz Carlos Azeredo quase voltou ao centro do poder. Ele retornou ontem ao cargo de diretor do Serviço de Remoções da Secretaria Municipal de Saúde, função que o tornou conhecido e lhe rendeu a alcunha de “Luiz das Remoções”. A política é muito dinâmica, mas, ao que tudo indica, Kadu resolveu transformar o crítico feroz em aliado, no melhor estilo “se não pode com ele, junte-se a ele”. Só que durou apenas algumas horas.

Remanejamento – De acordo com a secretária municipal da Saúde, Cristina Reinheimer, o antigo diretor, Pedro Portela, foi remanejado para outra função na mesma pasta. “Ele passou a ocupar um cargo que estava vago e segue recebendo a mesma remuneração”, esclarece, acrescentando que a modificação vai qualificar os serviços. A Secretaria prepara a implantação de um Plantão 24 horas.

Superação – Na Câmara de Vereadores, a nomeação de Luiz produziu reações distintas. De um lado, alguns edis acreditam que a experiência dele vai qualificar os atendimentos no setor. De outro, há quem lembre que, por conta de divergências políticas, o diretor atacou fortemente vários integrantes do Legislativo nas redes sociais, abrindo feridas que ainda não cicatrizaram. A tarde, os insatisfeitos foram ao prefeito Kadu que decidiu “desconvidar” Luiz.

EM 18 de março de 2016, Luiz (D) e colegas de governo durante uma sessão da Câmara, quando todos estavam juntos e eram “amigos”

Cargo – O primeiro a manifestar sua indignação foi Talis Ferreira (PR). “Esse indivíduo, nas redes sociais, detonava o prefeito de Montenegro, falando mal e criticando com toda sua força. Esse mesmo indivíduo, na realidade, nada mais é do que uma pessoa sem personalidade, pois criticava e agora correu atrás de um cargo e ganhou”, disparou. Talis diz que não cumprimenta e nem aperta a mão. E, pelo visto, convenceu Kadu.

Deixe seu comentário