Candidatos ao governo do Estado pelo PSDB, Eduardo Leite, e pelo MDB, José Ivo Sartori, respondem a perguntas de interesse dos eleitores da região

Apesar de ser uma região relativamernte desenvolvida, onde a indústria convive em harmonia com a produção agropecuária dos minifúndios, o Vale do Caí possui uma série de problemas, cuja solução depende, em muito, do governo do Estado. Mas quando se dirigem ao eleitor, de modo geral, Eduardo Leite e José Ivo Sartori, que disputam o Palácio Piratini no segundo turno destas eleições, não se referem diretamente a Montenegro e às cidades vizinhas, o que deixa as comunidades em dúvida sobre o que podem esperar deles caso eleitos.
Para que a população possa fazer uma escolha consciente, o Jornal Ibiá encaminhou às coordenações de campanha dos dois candidatos uma lista com oito perguntas. São questão relacionadas à infraestrutura, saúde, educação e segurança pública que interessam diretamente aos montenegrinos e aos moradores das cidades próximas. Assim, lado a lado, as respostas permitam uma comparação e servem de subsídio para escolher qual deles merece a sua confiança domingo.

SAÚDE PÚBLICA
Todos os meses, o Hospital Montenegro, 100% SUS, acumula déficit da ordem de R$ 300 mil porque o Estado não remunera adequadamente os serviços que contrata. Além disso, seguidamente, ocorrem atrasos nos repasses. Como a instituição é referência para as 19 cidades do Vale do Caí, mais de 100 mil pessoas são afetadas pela incerteza. De que forma este problema será resolvido?

EDUARDO LEITE – PSDB
Não é apenas o Hospital Montenegro que pena com a falta de repasses. Os atrasos são gerais, fruto da instabilidade econômica e da desorganização do Estado, que gasta mais do que arrecada. Mas, além do desarranjo financeiro, há uma questão de prioridade. Nós iremos enxugar o Estado para um tamanho possível de o cidadão suportar, rever os incentivos fiscais e agir fortemente contra a sonegação. E vamos fazer da saúde prioridade (assim como a educação e a segurança pública). Nós vamos regularizar a situação dos hospitais, colocar em dia os repasses e executar um plano para recuperar o passivo. Sabemos das dificuldades dos hospitais gaúchos, da profunda dependência que têm dessas verbas e consideramos não ser aceitável o governo não cumprir com as suas obrigações.

JOSÉ IVO SARTORI – MDB
O Estado vem tentando ao máximo manter a regularidade nos pagamentos. Também tem disposição para renegociar periodicamente os contratos, dentro das normas e tabelas do SUS.

SEGURANÇA PÚBLICA
Na maior parte das pequenas cidades da região, não existe sequer um brigadiano em serviço nas 24h do dia. No posto da Polícia Rodoviária Estadual situado na ERS-240, há turnos em que temos apenas um agente. Quando precisa atender a uma ocorrência, a unidade fica abandonada. O que o seu governo fará?

JOSÉ IVO SARTORI – MDB
Estamos qualificando o atendimento com a ampliação do efetivo. Chamamos 2 mil concursados, que se somarão aos que ingressaram nos últimos dois anos para reforçar o quadro do CRBM, com a formação destes novos soldados. Nunca abandonamos o posto do Comando Rodoviário Estadual (CRBM) e sempre há pelo menos um policial 24 horas. O sistema de atendimento se dá por meio de Patrulhas Intermunicipais, não havendo o deslocamento de efetivo do posto policial para este fim. Quando acontece uma ocorrência, o comando mais próximo é acionado. Sobre a denúncia de abandono na unidade, seria importante termos a fonte desta informação. A fiscalização feita pela sociedade é incentivada pela Segurança Pública.

EDUARDO LEITE – PSDB
Precisamos primeiro reconhecer a importância dos agentes de segurança pública, com justiça salarial. Investir na recuperação da defasagem de pessoal com mais contratações, na qualificação e em ferramentas de trabalho em número e qualidade adequadas, em inteligência e inovação com o uso de tecnologias modernas, no fortalecimento dos gabinetes de gestão integrada com participação dos diferentes órgãos e esferas de governo e na melhor gestão dos indicadores é fundamental para reduzir a criminalidade. Vamos atuar fortemente na prevenção, expandir e trabalhar nos níveis estadual e municipal de forma integrada. Construir presídios que realmente reabilitem, com no máximo 400 vagas para não fortalecer as organizações criminosas. Faremos o gaúcho reverter a sensação de medo em sensação de segurança.

SEGURANÇA PÚBLICA
Montenegro é sede de uma escola de formação de policiais militares. No entanto, apesar de todos os anos saírem de lá dezenas de novos agentes, nenhum deles fica na região, sob a alegação de que os índices de violência são baixos. Contudo, as autoridades admitem que estamos no meio de um ativo corredor do tráfico de drogas. Como o senhor vai aumentar o efetivo em nossas ruas?

EDUARDO LEITE – PSDB
– Os níveis de violência cresceram assustadoramente nos últimos dez anos no Rio Grande do Sul. O gaúcho não aceita mais essa realidade. Iremos ampliar o efetivo, mas apenas isso não resolverá o problema. Precisamos de ações que envolvam toda a sociedade, os governos municipal, estadual e federal agregados, políticas de prevenção, repressão qualificada, inteligência inovadora e reinserir o infrator na sociedade. O combate ao crime precisa atuar nas suas causas, valer-se da colaboração do setor privado e das entidades de assistência social, potencializar o uso de tecnologias modernas de identificação, monitoramento e controle da criminalidade, investir na ressocialização de quem infringe a lei e descartar modelos obsoletos.

JOSÉ IVO SARTORI – MDB
Estamos ampliando os efetivos da BM gradativamente em todo o Estado. Nos últimos anos, Montenegro recebeu 31 policiais militares, sendo que quatro são temporários. Os aprovados no último concurso estão se apresentando e deverão iniciar a formação em novembro. Montenegro receberá 210 soldados-alunos que, durante sua formação, vão às ruas para o estágio operacional e, assim, apoiarão o policiamento ostensivo local. Ser sede de uma escola pressupõe que a formação ocorrerá lá, o que torna normal a presença dos alunos, que sempre serão em número superior ao efetivo local, mas não quer dizer que o efetivo formado no município deva permanecer lá – temos que atender aos 497 municípios gaúchos.

EDUCAÇÃO
Montenegro possui uma unidade da Uergs. Há anos, a instituição busca uma sede própria. Quais são seus planos para o campus Vale do Caí?

JOSÉ IVO SARTORI – MDB
Em 2018, a Uergs deu um importante passo rumo à consolidação do seu campus central, em Porto Alegre. Até o final de novembro, a reitoria também estará no Campus Porto Alegre. Isto é um avanço na direção da otimização de recursos e gestão de insumos e despesas. O orçamento de 2019 já foi integrado ao orçamento geral do Estado, preservando os números de custeio e investimento da Universidade Estadual, num esforço de manutenção plena das suas atividades previstas.

EDUARDO LEITE – PSDB
O campus Vale do Caí se insere no processo de reforma pelo qual passará o ensino gaúcho, cuja prioridade é o aluno e que valorizará o professor e a estrutura necessária para colocar a educação do RS definitivamente no século 21. Nós iremos quebrar essa rotina de decadência de um sistema educacional que já foi referência no Brasil. E a Uergs tem um papel importante para cumprir nessa nova rotina, como instrutora do agente que vai realizar esse procedimento de mudança. O campus Vale do Caí estará entre os que receberão investimentos em tecnologia e infraestrutura para proporcionar a formação continuada dos mestres.

INFRAESTRUTURA
Montenegro e o Vale do Caí possuem sérios problemas de infraestrutura de rodovias, com estradas esburacadas, estreitas e sem acostamento. Caso eleito, como o senhor pretende ajudar as comunidades da região?

JOSÉ IVO SARTORI – MDB
Estamos trabalhando na elaboração do marco regulatório para darmos início às concessões para conservação e duplicação de rodovias ainda este ano, com uma modelagem em acordo com a legislação. No próximo mandato, vamos aumentar a integração intermodal e intensificar a restauração e manutenção de rodovias. Investir em infraestrutura é fundamental para acelerar o desenvolvimento econômico e social. Apesar das dificuldades financeiras, concluímos 17 acessos municipais e outros 13 estão em andamento. Restauramos cerca de 3 mil km de rodovias e entregaremos os 21,5 km da ERS-118 totalmente duplicados.

EDUARDO LEITE – PSDB
O Plano de Logística e Transportes, lançado neste ano, estima a necessidade de investir mais de R$ 35 bilhões até 2039 nos modais rodoviário, hidroviário, ferroviário e aeroviário. O Estado não dispõe dessa capacidade de investimento. Nós vamos deflagrar, todavia, um intenso processo de requalificação da infraestrutura do Rio Grande do Sul com um amplo programa de concessão à iniciativa privada para recuperação, construção e duplicação de rodovias e de acessos asfálticos aos municípios que ainda não os têm, e dotar o escoamento de nossa produção agrícola e industrial da qualidade necessária para reduzir o custo logístico e tornar o estado mais competitivo. Tanto Montenegro quanto todo o Vale do Caí serão beneficiados por esse processo.

EDUCAÇÃO
Os salários dos professores estão defasados e são pagos com atraso há mais de três anos. Nas escolas, há inúmeros educadores que estão recém iniciando a graduação, exercendo o magistério na base de contratos emergenciais, o que compromete a qualidade do ensino. Como o senhor pretende reverter este quadro?

EDUARDO LEITE – PSDB
– O pagamento em dia dos professores e dos demais servidores públicos do Rio Grande do Sul ocupa o primeiro lugar entre nossas prioridades. Não é possível aceitar e conviver com uma situação degradante como a vivida atualmente pelo funcionalismo. O nosso compromisso é claro: colocar os vencimentos em dia ainda no primeiro ano de governo, tempo que julgamos suficiente para a análise do caixa, a construção das formas de exercer as prioridades, dos enxugamentos necessários na máquina administrativa e formularmos a engenharia desse processo. Da mesma forma, esse período proporcionará a análise do quadro do magistério e a identificação de seus gargalos, para que possamos providenciar os concursos efetivos para o ingresso de novos servidores.

JOSÉ IVO SARTORI – MDB
O parcelamento não foi uma decisão política. Foi falta de dinheiro mesmo. Defendemos a adesão ao Plano de Recuperação Fiscal para suspensão do pagamento da dívida com a União por três anos, para usarmos os recursos em novas contratações, salários em dia e reformas em escolas. Sempre priorizamos o pagamento dos servidores. Sofremos, inclusive, o bloqueio de recursos federais por escolher pagar primeiro o funcionalismo em vez da parcela mensal da dívida com a União. Atualmente os menores salários são pagos integralmente no final de cada mês e os demais em até dez dias úteis, inclusive com correção pelos dias de atraso.

INFRAESTRUTURA
Recentemente, a EGR desenvolveu um projeto para a instalação de rótulas e outras melhorias na RSC-287, no trecho em que a rodovia corta o perímetro urbano de Montenegro. O senhor se compromete com a realização destas obras, caso eleito?

EDUARDO LEITE – PSDB
Como disse na resposta anterior, as obras estarão incluídas na lógica do novo plano de renovação da infraestrutura rodoviária gaúcha.

JOSÉ IVO SARTORI – MDB
O projeto para o trecho da RSC-287 que passa pelo perímetro urbano de Montenegro está sendo desenvolvido. Ele irá prever as rótulas e demais dispositivos necessários. Uma vez concluído o projeto, as obras poderão ser realizadas. Este trecho de 7 km está vinculado à praça de Portão e receberá, portanto, recursos dessa praça de pedágio.

CONTAS PÚBLICAS
De que forma o senhor pretende combater o déficit nas contas públicas e fazer o Rio Grande voltar a crescer?

JOSÉ IVO SARTORI – MDB
Nossa principal proposta para combater o déficit financeiro do Estado do Rio Grande do Sul é a adesão ao Plano de Recuperação Fiscal proposto pela União e privatizar ou federalizar as onerosas estatais de energia (CEEE, CRM e Sulgás). As medidas permitirão contar com R$ 11,3 bilhões na suspensão da dívida e contratar novos financiamentos para que o Rio Grande do Sul volte a ter uma estrutura pública sustentável e atrativa a novos investimentos. Devemos fomentar o aquecimento da economia, com geração de emprego e renda, para aumentar arrecadação de tributos e, consequentemente equilibrar as finanças.

EDUARDO LEITE – PSDB
O Estado precisa caber nas expectativas dos cidadãos, que não suportam mais pagar um custo que não se reflete nos serviços que recebem. O Estado precisa focar no que é a sua vocação: a saúde, a educação e a segurança pública. E liberar a iniciativa dos que querem empreender: vai gerar mais emprego e renda, maior arrecadação, que proporcionará ao Estado pagar as contas e aplicar em suas atividades fim. Defendemos o incentivo ao potencial empreendedor inerente ao povo gaúcho, o estímulo à redução da burocracia, a receptividade ao investidor e a redução de impostos como forma de fazer a economia voltar ao seu eixo e deflagrar um novo círculo virtuoso, uma nova era de progresso no RS.

APESAR de o Vale do Caí ter uma economia pujante e uma qualidade de vida melhor que a de muitas regiões, a comunidade reclama ações do governo em diversas áreas, como Educação, Saúde e Segurança.

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