O casal de idosos Erineu Spohr e Marlene Fonseca se entende muito bem e já sonha até com o casamento

Inspiração. Idosos se conhecem em asilo, redescobrem a paixão e começam história de amor na terceira idade

“Quando eu a enxerguei, achei tão linda”, recorda Erineu Spohr, 75, contando sobre a primeira vez em que viu dona Marlene Fonseca, 70. Enquanto relatavam como surgiu a história de amor, os dois, de mãos dadas, faziam questão que complementar a fala um do outro relembrando cada detalhe e deixando evidente um sentimento puro e verdadeiro construído diariamente por eles.

Tudo começou há cinco meses, nos corredores da Casa de Amparo Mão de Deus, em Montenegro. Dona Marlene é separada e comenta que, no abrigo, não há muitas coisas a fazer. Assim, conversar com os colegas da casa se tornou seu passatempo favorito. Nesses bate-papos, ela conheceu o seu Erineu, que nunca foi casado, e descobriu uma grande afinidade logo de cara. “Nós estávamos sempre juntos depois disso”, relembra Marlene. Conforme os dias foram passando, a vontade de estarem sempre na companhia um do outro foi aumentando e esse era um desejo de ambas as partes.

“Aqui na casa, as regras são rígidas e os homens ficam em quartos separados dos dormitórios das mulheres. Então percebi que ela não estava à vontade com as colegas de quarto e eu estava com muita vontade de ter alguém aqui, uma pessoa para dividir o tempo e ficar junto”, conta Erineu, que não esquece de ressaltar a ajuda extra que eles tiveram para que tudo desse certo.

O cupido da história foi a técnica em enfermagem Tânia Regina da Silva, que acompanhou tudo de perto. Ela é colaboradora da associação e notou o forte sentimento entre os dois. Diante da situação, tomou a iniciativa de perguntar para dona Marlene se ela queria dar um segundo passo, ou seja, assumir o novo amor. Ela aceitou e comunicou a família, que concordou com o relacionamento e permitiu que eles fossem dividir o mesmo quarto, apesar das camas separadas. “Eu nunca imaginei que fosse encontrar alguém com essa idade e dentro dessas circunstâncias, mas estou muito feliz por tudo”, revela Erineu, que, com essas palavras, fez dona Marlene sorrir e complementar: “eu também”.

Este será o primeiro Dia dos Namorados dos dois, mas seu Erineu explica que, quando se chega a certa idade, é difícil lembrar-se de datas específicas. “Aqui dentro, os dias são os mesmos sempre, mas eu darei um abraço e um beijo nela”, disse o idoso, acrescentando que carinho, amor e respeito são sentimentos que devem ser cultivados diariamente. Sempre que pode, ele sai para comprar frutas ou bombons para a namorada, que adora os caprichos. “Eu fico muito contente quando ele faz essas coisas”, declara Marlene, enquanto é elogiada pelo namorado.

Quando se trata de ciúmes, o casal de apaixonados afirma que a confiança é a base da relação. Mas, ao serem questionados quem é mais ciumento, seu Erineu responde rápido: “ela, com certeza”. Dona Marlene rebate. “Quem ama tem um pouco de ciúmes”, declara a aposentada, sorrindo.

O amor cura doenças e melhora a vida
O novo casal de namorados da Casa de Amparo Mão de Deus, Erineu Spohr, 75, e Marlene Fonseca, 70 anos, encontrou no amor a força para enfrentar os vários problemas de saúde que chegaram com o tempo. Além da depressão, ele ainda luta contra outras seis doenças e ela, com Mal de Parkinson, buscar conviver da melhor maneira possível com a enfermidade. De acordo com a técnica em Enfermagem Tânia Regina da Silva, que trabalha no Abrigo, a melhora de ambos é visível.

“Eles melhoraram o humor, a autoestima, se tornaram pessoas mais comunicativos. Eles saem para passear de mãos dadas e, com certeza, passaram a ter uma vida social mais ativa”, diz Tânia, apostando que tudo isso reflete no bem-estar dos dois.

Origem do Dia dos Namorados no Brasil
A origem do Dia dos Namorados não é a mesma em todo mundo. No Brasil, a data está relacionada ao frei português Fernando de Bulhões, mais conhecido como Santo Antônio. Em suas pregações religiosas, sempre destacava a importância do amor e do casamento e, em função de suas mensagens, depois de ser canonizado, ganhou a fama de “santo casamenteiro”.

Por isso, foi escolhida a data de 12 de junho por ser véspera do dia de Santo Antônio – 13 de junho – , como o momento para a troca de presentes e cartões entre os casais de namorados.

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