O planejamento familiar adequado passa, necessariamente, pela questão dos métodos contraceptivos, femininos e masculinos. Se no passado essa responsabilidade parecia pesar mais a elas, hoje parece estar ocorrendo uma mudança de tendência. O número de vasectomias feitas pelo Sistema Único de Saúde (SUS) cresceu 20,82% na comparação de 2017 com 2018, de 45.404 para 54.861. Já o de laqueaduras, no mesmo período, subiu 15,83%, de 67.096 para 77.717. Até maio deste ano, porém, os procedimentos em homens e em mulheres estão quase empatados, com 32.269 contra 31.852 em todo o Brasil.
Isso é uma ótima notícia. Pois o procedimento nelas é mais complexo, oferece mais riscos e tem a recuperação mais demorada. Enquanto neles, em poucas horas o paciente é liberado para ir embora.

Ainda assim, é fácil encontrar homens com resistência em falar em vasectomia. Principalmente, em comunidades mais carentes onde há falta de informação. Muitos associam a medida como uma perda da virilidade, a logo longe de ser verdade.

Médico Marcos Wengrover

O chefe do Serviço de Ginecologia e Obstetrícia do Hospital Moinhos de Vento, Marcos Wengrover, destaca ser uma questão cultural. “Os homens, de uma forma geral, consideram que a anticoncepção é uma questão feminina, não masculina, acreditam. Então entregam às mulheres, desde o início da vida sexual, as preocupações de não engravidarem”, comenta. Por outro lado, o especialista destaca o fato de, hoje em dia, os homens estão menos resistentes ao método.

A vasectomia é muito mais simples comparada à laqueadura tubária. Na primeira, é feita uma pequena incisão na bolsa escrotal e o ducto deferente, responsável por conduzir os espermatozoides é interrompido. É feito com ou sem sedação e não é preciso internação.

Poucas horas depois, o paciente é liberado. Só é preciso aguardar algumas semanas para manter relações sexuais para esperar a eliminação absorção dos espermatozoides que estão espermatozoides armazenados acima do local da interrupção do ducto deferente (nas vesículas seminais).

Na segunda, como as trompas ficam no interior do abdômen, é necessário um procedimento mais complexo. Atualmente, já é feito por videolaparoscopia, ou eventualmente aproveitam outra cirurgia, a mais comum é a cesariana para realizar o procedimento.

Além das duas cirurgias definitivas, existe uma série de outros métodos contraceptivos como pílulas, Dispositivo Intra Uterino (DIU). Dos preservativos, por evitarem também as Infecções Sexualmente Transmissíveis (IST), assumem grande importância, mas existem outras opções.

SUS oferece ambos os métodos definitivos
De acordo com Ministério da Saúde a laqueadura é ofertada, gratuitamente, pelo SUS, em qualquer unidade que ofereça serviço de ginecologia, obstetrícia ou maternidade. Como se trata de um método irreversível, de acordo com a Lei 9.263/96, que trata do planejamento familiar, é indicada para mulheres maiores de 25 anos ou com pelo menos dois filhos vivos. As mulheres que optem por este procedimento podem solicitar a realização já durante o pré-natal, desde que observado o prazo mínimo de 60 dias entre a manifestação da vontade e o ato cirúrgico. Para vasectomina, além de ter mais de 25 anos ou dos filhos vivos, é necessário indicação médica.

O Ministério da Saúde financia a oferta, gratuitamente, diversos tipos métodos contraceptivos: preservativo feminino e masculino, pílula combinada, anticoncepcional injetável (mensal e trimestral), diafragma, anticoncepção de emergência (pílula do dia seguinte) e Dispositivo Intra Uterino (DIU) de cobre. São métodos seguros e reversíveis. Determinar qual contraceptivo utilizar é uma conduta exclusiva entre médico e paciente. Informações e dúvidas no e-mail saude.mulher@saude.gov.br ou 61-3315.9101/9112.

Métodos contraceptivos
Masculino
Vasectomia – Definitivo;
Preservativo – Também evita ISTs.

Feminino
Laqueadura – Definitivo;
Preservativo – Também evita ISTs;
Diafragma – Um tampão de látex colocado na vagina com espermicida;
DIU – Medicamentoso (com reservatório do hormônio e o progesterona) e de cobre, do qual o mais comum T, que se refere ao formato dele;
Pílulas orais – uma de estrógeno e progesterona, e outra a só de progesterona;
Adesivo – que libera doses de estrógeno e progesterona, não indicado para mulheres obesas;
Anel vaginal – também com estrógeno e progesterona, trocado a cada três semanas;
Injetáveis – mensais de estrogênio e progesterona, e trimestrais só de progesterona;
Implantes – pequenos reservatórios de hormônios que são inseridos, em geral, no antebraço, que podem durar de três a cinco anos.

Os papais Lademir e Patrícia

Uma família com cinco filhos
O casal Lademir Kulmann, 38 anos, e Patrícia Gomes, 30, precisa fazer um planejamento minucioso quando vai sair de casa, localizada na rua Jaguarão, na Vila Esperança, bairro Senai, em Montenegro para algum evento ou passeio. Arrumar os cinco filhos não é tarefa das mais fáceis.

Os mais velhos Kemily Katrin, 11, Kelvyn Kalebe, 9, e Kevyn Kainã, 7, têm certa independência e precisam apenas ser supervisionados. Os pequenos Kelyta Karin, 4, e Kendel Kaike, 3, dão um pouco mais de trabalho. Mãe e pai se dividem nas funções de dar banho, escolher roupa, vestir, pentear o cabelo. “Toda nossa vida é programada. Precisamos começar a se arrumar uma hora e pouco, duas horas antes. Os maiores tomam banho sozinhos e só precisamos ajudar a escolher as roupas”, frisa Patrícia.

Na primeira gravidez, ela não se protegia corretamente. Tomava a pílula de maneira irregular. Nas outras, diz ter usado métodos anticoncepcionais como pílula oral e injetável, em alguns casos até em forma conjunta. Mesmo assim, acabava engravidando.

O pedreiro Lademir, apesar de ver a família aumentar constantemente, não cogitou fazer vasectomia. “Não, nunca. Por ele, teria mais um monte, dez filhos. Isso que já tinha um casal de um primeiro relacionamento”, conta a esposa. Depois do quinto parto – todos normais – após ter pré-eclampsia, ela optou por fazer laqueadura. Como tinha plano de saúde por trabalhar como auxiliar de produção na JBS, o procedimento ocorreu no Hospital Unimed Vale do Caí. Após a cirurgia ela optou por deixar a instituição e, em casa, passou trabalho. “Foram uns dez dias com dor insuportável”, lembra.

Patrícia Gomes, 30 anos, com os três meninos e duas meninas

Três dos filhos vieram ao mundo no Hospital Montenegro. Kevyn Kainã nasceu no carro, a caminho da instituição, e o parto foi feito pelo pai. A única prematura, de 37 semanas, foi Kemily Katrin. Ela precisou ficar dez dias na incubadora. A menina é hoje uma orgulhosa irmã mais velha. “Eu me dou muito bem com eles, ajudo a cuidar dele”, jura.

Um dos intervalos entre gestação foi de apenas 11 meses e outro de 1 ano e dois meses. Na última, Kelyta Karin tinha apenas dois meses e Patrícia sofria depressão pós-parto. A novidade foi um susto, chegou a perder um pouco a vontade de viver. Precisou tomar remédios, contou com o apoio da família, e se reergueu “Superei, porque pensava em quem iria cuidar dos meus filhos. Eles são tudo para mim”, salienta, orgulhosa.

A família vive com conforto. Os meninos e as meninas ficam em quartos separados. A casa ainda tem o quarto do casal, além de espaçosas sala e cozinha. A residência ainda está sendo ampliada. Às vezes, como a maioria dos brasileiros, há dificuldades financeiras. A avó materna, Noemi Gomes, costuma ajudar com roupas e calçados.

Chamou a atenção da reportagem a educação das cinco crianças. Certamente, é fruto da dedicação dos pais. “Eu não vejo muita dificuldade em cuidar deles, sempre quis um monte de filhos. Nem sempre é fácil. O principal problema é quando um deles fica doente”, conta a mãe.

Serviços oferecidos em Montenegro
A Secretaria Municipal de Saúde (SMS) de Montenegro oferece em todos os postos de saúde, mediante agendamento, atendimento médico ginecológico e de enfermagem para orientação de métodos hormonais. Todos os postos de saúde realizam distribuição de preservativos masculino e feminino.

As mulheres interessadas na colocação de DIU de cobre podem agendar horário com as enfermeiras Laila ou Sandra, junto ao ambulatório adulto da SMS. O agendamento também pode ser realizado por telefone pelo número 3632-3102 no ramal 234 nos períodos da manhã e tarde.

Para quem tem interesse em métodos definitivos, o agendamento pode ser realizado presencialmente, ou ainda por telefone no setor de pediatria da SMS nos períodos da manhã e tarde, fone para contato é 3649-2942. Importante saber que toda e qualquer pessoa moradora de Montenegro, pode acessar o serviço de atendimento de saúde em planejamento familiar.

O Município também disponibiliza, desde 2000, por meio da Secretaria Municipal de Saúde, atendimento em planejamento familiar. O serviço é um conjunto de ações que ajudam o casal a planejar seus filhos. Ele envolve decidir quando e quantos filhos ter e quanto tempo esperar entre um e outro. É uma conversa que todo o casal dever ter, pois envolve, inclusive, evitar uma gravidez indesejada.

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